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China declara guerra aos ecrãs nos carros com novas regras

Este artigo tem mais de 6 meses

Ao contrário do que seria expectável, não foi a Europa nem os Estados Unidos da América que decidiram tomar medidas para combater a dependência dos ecrãs a bordo nos carros modernos. China adianta-se.

Parece cada vez mais próximo o inevitável regresso aos comandos físicos tradicionais nos automóveis. Os ecrãs (quase de perder de vista) invadiram os cockpits dos automóveis mais recentes, começando por ser percepcionados como um sinónimo de vanguarda tecnológica e um factor de diferenciação, em grande parte impulsionado pelos construtores de automóveis chineses (mas não só). Pois bem, isso estará em vias de mudar por iniciativa da própria China.

Afinal, os ecrãs tácteis são (ou não) perigosos para a condução?

Ao contrário do que seria de esperar, não foi a Europa nem os Estados Unidos da América que tomaram a dianteira nesta matéria. À semelhança das novas regras que serão implementadas para reduzir o risco associado às portas de abertura electrónica (com puxadores embutidos sem accionamento mecânico ou “tipo Tesla”), o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês pretende obrigar os fabricantes de automóveis a garantir que diversas funções essenciais do veículo dispõem de comandos físicos dedicados, ao invés de serem operadas com recurso a ecrãs, diminuindo assim o tempo e a atenção despendidos pelo condutor para executar tarefas consideradas básicas, como por exemplo accionar os indicadores de mudança de direcção ou engrenar “drive”. É de esperar, por isso, um paulatino regresso dos manípulos tradicionais, atendendo a que, apesar de a nova regulamentação visar exclusivamente o mercado chinês, a realidade é que aí são produzidos muitos modelos com destino à exportação, não sendo crível ou expectável a introdução de alterações significativas.

Conforme relata o Car News China, o documento preliminar vem a ser preparado desde 2023, contando com o contributo de diversos players da indústria, desde gigantes locais como a BYD e a Great Wall Motor, passando pela Geely e pela joint venture FAW‑Volkswagen, sem esquecer entidades (mais) independentes como o Centro de Tecnologia e Pesquisa Automóvel da China.

O risco das portas de carros modernas durante uma inundação

Tal como referido, a revisão da regulamentação visa, sobretudo, reduzir a dependência em relação aos ecrãs tácteis, o que terá um impacto directo no design dos futuros modelos – ou não fosse a China o maior mercado automóvel do mundo. Os estilistas deixam, por isso, de ter rédea solta na concepção dos interiores, esperando-se que o conceito de habitáculo clean e minimalista à conta de displays venha a evoluir em sentido contrário à extrema digitalização. Até porque, ao que se sabe – o rascunho para consulta pública já estará concluído, mas não foi ainda divulgado –, há orientações muito específicas no que toca aos comandos físicos, para que a mudança realmente produza efeito a nível do incremento da segurança. Determina-se, por exemplo, que os botões devem ter uma dimensão mínima (10×10 mm) e estar posicionados de forma intuitiva para o condutor, para que este consiga executar operações sem desviar o olhar da estrada, tendo um feedback táctil ou sonoro ao comando que accionou.

▲ Um VW Golf de IV geração e o actual, rumo à digitalização

Seleccionar mudanças ou buzinar exclusivamente a partir do ecrã deixará de ser permitido, da mesma maneira que as luzes de emergência (quatro piscas) e os indicadores de mudança de direcção terão de ter dedicados manípulos específicos, o mesmo acontecendo com o comando dos vidros eléctricos e o limpa pára-brisas. Prevendo-se ainda um hipotético cenário de emergência, torna-se obrigatório que a chamada de emergência não careça de uma interface digital, mas sim de um simples premir de um botão. Raciocínio idêntico para o interruptor que corta a energia nos veículos eléctricos. A versão preliminar das novas normas prevê igualmente que as funções básicas do veículo devem continuar a poder ser executadas, mesmo em caso de falha do sistema ou perda de energia.

Caso a nova regulamentação avance, será obrigatório que todos os novos veículos produzidos a partir de 1 de Julho de 2027 estejam em conformidade. E, a ser assim, marcas como a norte-americana Tesla terão de redesenhar o cockpit dos seus modelos, o mesmo se aplicando às chinesas BYD, Xiaomi e Chery, bem como às marcas premium europeias.

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