Os fechos de porta de abertura electrónica que a Tesla utiliza desde que lançou o primeiro Model S, em 2012, mais conhecidos pela denominação inglesa flush car doors, são práticos e permitem um ganho aerodinâmico ao recolher por completo o puxador exterior. Apesar de habitualmente ser referida como “fechos de porta estilo Tesla”, esta solução com o puxador recolhido, que apenas “abre” com ajuda eléctrica, surgiu originalmente nos EUA em 1947 no Cisitalia 202, para depois, nos anos 80, ser disponibilizada pelo Subaru XT, entre outros modelos. Nos dias que correm, este tipo de fecho de porta passou a ser muito popular, sendo utilizado, para além dos Tesla Model 3 e Y, nos europeus BMW, Mercedes, Porsche, Volvo, DS e Porsche, além dos chineses Xiaomi e Zeekr e dos japoneses Lexus, sem esquecer os sul-coreanos da Hyundai/Kia e os norte-americanos da Ford, Chevrolet, Lucid e Rivian.
Em caso de embate mais violento, quando o veículo fica sem energia devido a uma ruptura na cablagem ou a um curto-circuito, passa não só a ser muito difícil aos utilizadores abrirem as portas a partir do interior, como aos socorristas a partir do exterior. E quando ao acidente se segue um incêndio, isto pode implicar a morte dos ocupantes, o que levou as autoridades a analisarem a situação. Ora, os chineses concluíram que os fechos de porta estilo Tesla têm de ser banidos, enquanto os legisladores norte-americanos e europeus (ainda) continuam a analisar os acidentes com vítimas, a debruçar-se sobre a tecnologia e a “arrastar os pés” antes de tomar uma decisão.
O Ministério da Indústria e Tecnologia chinês fez saber, em Setembro de 2025, que encomendou uma investigação em relação aos problemas de segurança deste tipo de fechos de porta controlados electronicamente, solução utilizada em cerca de 230 modelos. Após as conclusões da investigação, o Governo decidiu proibir a utilização do sistema a partir de 1 de Janeiro de 2027, excepção feita para os casos em que sejam implementadas soluções para que os fechos das portas continuem a funcionar em caso de acidente, sejam eles accionados pelos ocupantes, pelos transeuntes ou pelos serviços de emergência.
Embora possa parecer lapidar, esta medida obriga apenas a introduzir algumas alterações, tendo em vista o funcionamento dos fechos das portas em caso de avaria dos sistemas de retenção ou de um evento de thermal runaway da bateria que resulte em incêndio, aconteça ou não após um acidente violento. Enquanto isso, os responsáveis europeus e americanos tardam em tomar uma decisão que afaste os utilizadores do perigo.