O ex-ministro das Finanças Fernando Medina avisa o Governo de que deve estar atento à tendência recente de descida da importância das exportações na economia portuguesa. “Se estivesse, neste momento, em funções de responsabilidade, estaria muito atento à descida do peso das exportações”, disse Medina numa conferência organizada pelo setor segurador.
Manifestando-se “preocupado” com a tendência dos números, embora não avance com explicações para o fenómeno, Fernando Medina alinhou-se com a posição manifestada já no final de 2025 pelo Banco de Portugal já sob a liderança de Álvaro Santos Pereira. Medina lembrou que Portugal teve, historicamente, um valor na ordem dos 30% do PIB, que depois depois do programa de ajustamento cresceu quase até ao patamar dos 50% do Produto Interno Bruto (PIB) – mas a tendência está a voltar a ser descendente.
Entre 2005 e 2022 as exportações portuguesas aumentaram de 27,1% para 49,5% do PIB. Mas, depois de ter baixado para 46,5% em 2024, o ano de 2025 terá sido o terceiro ano consecutivo de queda do peso das exportações no PIB, algo que já não se verificava há mais de 30 anos. A descida das exportações de bens é o indicador mais relevante, já que os serviços (turismo) continuam a crescer, e o próprio Banco de Portugal está a estudar as razões pelas quais isso está a acontecer.
Notando que este “Governo continua a apostar nas contas certas” como trunfo do discurso político, Medina salienta que é “menos falado” o que está a acontecer com as exportações. “Esta variável da proteção das exportações tem de ser assumida como prioridade“, defende o ex-ministro das Finanças socialista.
Outra preocupação de Medina, afirma o responsável, está ligada ao investimento – esse, sim, um pouco mais presente no discurso político. Para o economista, é algo “inesperado” que o investimento esteja numa rota descendente que deveria ser ascendente, sobretudo quando se está na reta final de um programa de investimentos como é o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
As declarações de Medina foram feitas durante uma conferência organizada pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), um evento que foi aberto por um discurso de Maria Luís Albuquerque, a comissária europeia que tem a missão de fomentar a União das Poupanças e dos Investimentos na União Europeia.
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