Mais de dois terços dos bombeiros da corporação de Sever do Vouga, no distrito de Aveiro, solicitaram a passagem para a inatividade devido a divergências com a atual direção.

Numa carta datada de quinta-feira, a que a Lusa teve esta sexta-feira acesso, 58 dos 76 elementos que integram o quadro do corpo de bombeiros de Sever do Vouga solicitam a passagem para a inatividade, com efeitos a partir de 16 de março.

“Apesar do empenho, dedicação e sentido de missão que sempre procurámos colocar no desempenho das nossas funções, verificamos neste momento uma incompatibilidade com a orientação e decisões da atual direção”, lê-se na carta dirigida aos membros da direção e comando da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Sever do Vouga.

Os signatários referem que esta situação “tem dificultado a manutenção do alinhamento, motivação e compromisso” que consideram essenciais ao bom funcionamento do grupo e ao serviço prestado à comunidade.

Na missiva, os bombeiros explicam que a decisão foi tomada após reflexão conjunta sobre a atual realidade institucional, acrescentando que este pedido perde validade caso a atual direção apresente a sua demissão.

No início deste ano, cerca de sete dezenas de bombeiros de Sever do Vouga escreveram uma carta aberta a pedir a substituição da atual direção da Associação Humanitária, que acusam de tomar “decisões menos acertadas” que “afetam e interferem com as dinâmicas do corpo de bombeiros”.

Além de carências ao nível dos equipamentos de proteção individual, os bombeiros queixam-se da falta de investimento direto em aquisições de viaturas de socorro e más condições de conforto no quartel.

No plano organizacional e de gestão, os bombeiros acusam a direção de interferência em questões operacionais, com ordens dadas diretamente a bombeiros, e ingerência na resposta ao socorro, interferindo com a organização e dinâmicas instituídas.

No final de 2025, Miguel Matos apresentou a sua demissão de comandante dos Bombeiros de Sever do Vouga, invocando razões pessoais, estando o cargo a ser assegurado pelo segundo comandante Telmo Asensio, em regime de substituição.

Contactado na altura pela Lusa, o presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros de Sever do Vouga, Joaquim Amaral de Macedo, escusou-se a comentar a carta aberta.