Durante vários anos, um ciclo virtuoso. Os resultados não chegavam, as vendas tornavam-se obrigatórias, o investimento era mais modesto, as receitas não subiam, a trajetória nas competições europeias também não ajudava. No entanto, a partir de certa altura sobretudo no segundo mandato de Frederico Varandas depois do período da Covid-19, esse mesmo ciclo vicioso tornou-se um ciclo virtuoso. Houve mais sucesso desportivo, as vendas tornaram-se mais estratégicas e lucrativas, a sociedade teve outro fôlego para investir, as receitas foram crescendo de forma sustentada, o rendimento nas provas das UEFA também melhorou. Este exercício não foi exceção. Pelo contrário. E, em vários parâmetros, foram seis meses que entraram na história.

A Sporting SAD apresentou este sábado os resultados do primeiro semestre do exercício de 2025/26, que fechou com um resultado líquido de 32 milhões de euros que se tornou um recorde, sendo mais do dobro do que tinha sido verificado no período homólogo (17,4) e confirmando o quinto exercício seguido positivo.

Entre 0s destaques, como explica o Relatório e Contas enviado este sábado à CMVM, encontram-se os 41,1 milhões de euros advindos da carreira na Liga dos Campeões entre os 67 milhões que já foram assegurados pelos leões com a qualificação direta para os oitavos da prova (os restantes estarão espelhados nos meses que se seguem), os 110,2 milhões de euros recebidos em transferências de jogadores incluindo aquela que foi a maior venda de sempre da sociedade (Viktor Gyökeres, para o Arsenal) e também “o valor mais elevado a nível de rendimentos operacionais”, num total de 95,8 milhões no semestre. A parte da “hospitalidade” subiu 34% face ao período homólogo (5,4 milhões), as verbas da venda de lugares anuais cresceu 20% para 9,6 milhões e a própria rubrica do merchandising chegou aos 11 milhões (mais 12%).

Em paralelo, a Sporting SAD destaca também o investimento que foi feito na equipa principal em busca do tricampeonato, com um total de 98,9 milhões de euros com o objetivo de “reforçar simultaneamente a competitividade desportiva e o valor estratégico dos ativos”, reforçando o posto da equipa verde e branca como a mais valiosa da Primeira Liga com 474 milhões, “consolidando a liderança competitiva e o potencial de criação de valor futuro”. O volume total de negócios da sociedade atingiu neste semestre 166,9 milhões de euros, outro valor nunca antes alcançado que representa mais 30,4% face ao período homólogo.

“A Sporting SAD constituiu a Sporting Entertainment e assegurou a captação de financiamento, que obteve a notação de investment grade pelas agências Fitch e DBRS, no montante global de 225 milhões de euros, um passo estruturante para a execução do Plano Estratégico Future is Coming 24–34, permitindo acelerar a concretização das suas iniciativas e reforçar a capacidade operacional e económica do clube. A Sporting SAD encerra assim o semestre com indicadores financeiros e desportivos robustos, alcançando o valor de ativo mais elevado da sua história e consolidando a sua trajetória sustentada de crescimento, reforçando o seu posicionamento competitivo e a sua escala económica no contexto nacional e europeu”, salientou à CMVM.

O mesmo Relatório e Contas especificou os valores totais envolvidos na saída de Viktor Gyökeres no verão para o Arsenal, com os 65,9 milhões de euros sem comissão de venda a terem ainda mais 10,3 milhões de remuneração variável, dos quais 1,3 milhões atingidos nos primeiros seis meses do exercício. Mais tarde, num outro comunicado enviado à CMVM, a Sporting SAD confirmou os valores das transferências feitas no mercado de inverno: Luis Guilherme foi contratado por 14 milhões de euros mais três milhões de variáveis ficando o West Ham com 15% de uma futura mais valia, Souleymane Faye custou 6,3 milhões com 10% de uma futura mais valia para o Granada e Délcio Aurélio, jovem avançado angolano contratado ao Interclube para a equipa Sub-23, chegou para já por 100 mil euros. Já Alisson foi cedido ao Nápoles até ao final da temporada por 3,5 milhões de euros, não sendo especificado o valor da cláusula de compra.