Regret nothing (não se arrependa de nada) era a frase estampada na t-shirt de Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos suspeitos de violar, com mais quatro jovens, uma adolescente de 17 anos no Brasil, quando este se apresentou na 2ª esquadra de polícia em Copacabana, no Rio de Janeiro, na manhã de 4 de março, avançou o jornal Folha de S.Paulo. A expressão é frequentemente mencionada nos conteúdos publicados pelo influencer anglo-americano Andrew Tate, acusado de 21 crimes de violação, agressão e tráfico humano no Reino Unido. Tate tornou-se conhecido nas redes sociais por publicar conteúdos misóginos, sendo estes partilhados também por incels e red pills.

O apartamento em que o crime ocorreu será de posse da família de Simonin, que é filho do ex-subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Governo do Rio de Janeiro. O seu pai, José Carlos Simonin, foi exonerado pelo Governo após a repercussão do caso. A pasta pronunciou-se a justificar a demissão “visando resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados”. O jornal revelou ainda que Vitor Simonin era conhecido entre colegas de escola por assediar raparigas e organizar agressões em grupos de redes sociais.

Instantes após cometerem o alegado crime, os quatro aparecem num vídeo a ridicularizar a vítima. Na gravação, obtida pelo programa Fantástico, da TV Globo, o grupo ri do abuso que cometeu, e um deles diz: “A mãe de alguém teve que chorar, porque as nossas mães hoje…”.

No mesmo dia à tarde, também Bruno Felipe dos Santos Allegretti, igualmente com 18 anos, entregou-se à 54ªesquadra de Belford Roxo, na Área Metropolitana daquela cidade. Ambos estavam fugidos e passaram à condição de arguidos no processo aberto no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, junto a Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, e João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos, que se entregaram na véspera. Os quatro ficaram em prisão preventiva e vão responder pelos crimes de violação e cárcere privado em tribunal.

violação brasil Reprodução X / @ThiagoResiste

Os quatro criminosos apresentaram-se à polícia do Rio de Janeiro e foram presos preventivamente

Além dos quatro arguidos, um adolescente de 17 anos, que terá criado uma “emboscada premeditada” para que os amigos violassem a adolescente, responderá num processo separado, já que no Brasil a maioridade penal começa aos 18 anos. O adolescente foi encaminhado para o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), instituição do Governo responsável pela custódia de menores que cometeram atos infracionais.

A vítima relatou os abusos que sofreu a familiares e mostrou-lhes hematomas escuros que haviam sido causados em várias partes de seu corpo. Os parentes foram até as autoridades com a jovem para denunciar as agressões e a violação que esta terá sofrido por mais de uma hora no apartamento de Copacabana. Após a repercussão do caso, outras duas jovens denunciaram à polícia terem sido violadas por integrantes do mesmo grupo.