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A guerra com o Irão está a servir de “distração” para alguns clientes da Goldman Sachs ligados ao capital privado, ao desviar a atenção das crescentes preocupações sobre a exposição do setor a empresas de software — sobretudo às que poderão ser mais afetadas pelos avanços da Inteligência Artificial (IA). Segundo Kunal Shah, co-CEO da Goldman Sachs International, há mesmo investidores que se mostram “satisfeitos” com a mudança de foco provocada pelo conflito no Médio Oriente, apesar da volatilidade que a guerra tem gerado nos mercados globais, em particular devido aos preços da energia. Os comentários foram feitos durante uma videoconferência com clientes realizada na quarta-feira, intitulada “Ataques no Irão — Fim do Começo…?”, que contou também com a participação de Alex Younger, antigo diretor do MI6, o serviço secreto britânico.

De acordo com três pessoas com conhecimento da chamada, citadas pelo Financial Times, Shah afirmou que alguns clientes de mercados privados do banco estavam “simplesmente satisfeitos por haver algo para discutir que não fosse a exposição ao software e ao crédito privado”. Questionado sobre a reação dos investidores ao conflito, acrescentou: “Pelo menos, serve para desviar a atenção disso”.

As ações de empresas de capital privado e de crédito alternativo têm caído este ano, à medida que crescem os receios quanto à exposição do setor a empresas de software empresarial — muitas das quais poderão ver os seus modelos de negócio profundamente alterados pelo avanço da Inteligência Artificial (IA). Com a IA a ameaçar transformar setores inteiros, teme-se que algumas dessas empresas enfrentem dificuldades em honrar a dívida.

Em resposta aos comentários de Shah, a Goldman Sachs afirmou ao Financial Times que o executivo “foi questionado sobre o que estava a ouvir dos clientes e partilhou observações recolhidas a partir de diferentes perspetivas”.

A intervenção surge dias depois de o presidente da Legal & General ter afirmado que o gigante britânico das pensões permanece “muito tranquilo” quanto à sua própria exposição ao crédito privado, noticiou o The Telegraph.

Entretanto, o Financial Times revelou esta semana que a Goldman apresentou a alguns hedge funds (fundos que apostam em produtos financeiros de alto risco com o objetivo de obterem um retorno elevado) estratégias para apostar na queda de empréstimos corporativos privados — oferecendo aos investidores uma forma de lucrar com potenciais dificuldades de empresas de software empresarial e de outros setores vulneráveis à disrupção da IA.

Shah, uma das figuras em ascensão na hierarquia da Goldman, construiu rapidamente a carreira dentro do banco: tornou-se diretor-geral aos 27 anos, sócio aos 31 e, aos 41, assumiu a co-liderança da área de negociação de renda fixa, moedas e matérias-primas (FICC) — um dos pilares da banca de investimento global.