Em público, Sarah Ferguson criticava Jeffrey Epstein; em privado, as mensagens contam outra história. Documentos analisados pela CNN, divulgados no âmbito dos chamados ‘Ficheiros Epstein’ revelados pelo governo dos Estados Unidos, relativos às atividades do empresário condenado por crimes sexuais mostram que a antiga duquesa de Iorque manteve contacto regular com o financeiro e chegou a elogiá-lo em vários emails — mesmo depois da sua condenação, em 2008, por ter solicitado uma menor para prostituição.
Mais de dez anos depois do divórcio com o príncipe André, em 2009, Ferguson estava desesperada, sozinha e à procura de novos caminhos profissionais. A imprensa britânica descrevia-a como a “Duquesa da Dívida” pelas milhares de euros de rendas que acumulava em atraso. Em várias mensagens, a ex-mulher do então ainda príncipe André pedia ajuda financeira a Epstein e chegou mesmo a sugerir trabalhar para ele, oferecendo-se como sua “assistente doméstica”. Em privado, mostrou também arrependimento por comentários públicos em que o tinha associado à pedofilia, chegando a pedir-lhe desculpa por essas declarações.
“Sei que também te sentes terrivelmente dececionado comigo, pelo que te disseram ou leram, e devo humildemente pedir-te desculpas e ao teu coração por isso”, escreveu Sarah Ferguson a Epstein em 2011. “Sempre foste um amigo fiel, generoso e excecional para mim e minha família.”
Um dos emails mais reveladores foi enviado por Ferguson em abril de 2009. Epstein ainda cumpria a sua pena de 18 meses de prisão quando a ex-duquesa lhe escreveu a dizer que iria passar por Palm Beach e perguntava se poderiam encontrar-se para tomar chá. Dias depois, Epstein respondeu com uma mensagem que começava com um elogio — “está fantástica” — e apresentou uma ideia de negócio que, segundo ele, Ferguson poderia liderar. O projeto chamava-se “Mothers Army” (Exército de Mães), uma iniciativa destinada a apoiar mães em dificuldades e financiada por patrocinadores empresariais.
A resposta de Ferguson foi entusiástica. Num email dirigido ao “meu espetacular e especial amigo”, descreveu-o como “uma lenda” e confessou sentir “muito orgulho” no “o irmão que sempre desejei” durante o cumprimento da pena. A ex-duquesa afirmou ter “devorado” a proposta e prometeu voltar a contactá-lo com um plano de negócios. Em várias ocasiões, chegou até a sugerir humoristicamente que Epstein devia casar-se com ela. No mesmo ano, poucos dias após a sua libertação em julho, Ferguson demonstrava ansiedade por revê-lo pessoalmente. Num email do final do mês, sugeriu um almoço acompanhado das filhas: “Serei eu, a Beatrice e a Eugenie. Vamos almoçar?” — embora não se saiba se o encontro com as filhas de 20 e 19 anos alguma vez se concretizou.
A troca de mensagens continuaria nos meses seguintes, com a ex-duquesa a pedir conselhos sobre a estrutura do projeto e ajuda para registar a marca. O Mothers Army foi formalmente constituído em 2011, com Ferguson como diretora, mas veria a ser dissolvido cinco anos depois, segundo registos públicos citados pela CNN.
Nessa altura, a vida financeira da antiga duquesa britânica estava sob intenso escrutínio. No início de 2010, Ferguson voltou a recorrer a Epstein. Num email, perguntou diretamente se poderia emprestar-lhe entre 50 mil e 100 mil dólares (entre 43 mil e 87 mil euros) para pagar despesas que, segundo escreveu, estavam a deixá-la “sem dinheiro”.
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