Uma palavra, várias definições. Quando se fala de mojo, aponta-se para uma espécie de aura que permite ser melhor no momento da verdade, para um encanto que permite ganhar mais vezes, para o fator extra que dá vantagem no geral. Muitas vezes, o segundo mandato de Frederico Varandas foi descrito no plano desportivo pelo tal mojo que mudou o paradigma de triunfos do clube em comparação com as últimas décadas. Nem de propósito, a última semana acabou por contrariar de forma circunstancial essa ideia – e, depois de derrotas no futebol, no hóquei em patins, no futebol feminino ou na formação, questionava-se se o novo mandato iria quebrar o efeito mojo. Uma semana depois, a resposta foi outra e isso sentia-se no próprio ambiente.
A derrota na Noruega frente ao Bodö/Glimt foi pesada mas a reflexão interna que foi feita nas horas que se seguiram teve tanto ou mais peso para o que faltava na eliminatória. Ninguém o assumia publicamente mas, em termos internos, eram muito poucos aqueles que não acreditavam que o Sporting ia chegar aos quartos da Liga dos Campeões. Se o mojo já estivera presente numa eletrizante final da Taça de Portugal de voleibol em Albufeira frente ao Benfica ganha por 23-21 na “negra” depois de quatro sets jogados ao mais alto nível pelas duas equipas, voltou a inundar Alvalade para uma das reviravoltas mais épicas da história do futebol verde e branco com todo o impacto que a mesma teve no plano desportivo, financeiro e de “estatuto internacional”. Os leões desafiaram o impossível e impressionaram pela forma como “despacharam” aquela que tinha sido uma das grandes revelações europeias na Liga Europa de 2024/25 e nesta Champions.
A renovação de Rui Borges, que já estava decidida ainda antes das eleições, deverá ser anunciada em breve até para não “colar” à qualificação para os quartos da Liga dos Campeões. Agora, era tempo para uma posição mais “institucional”, num momento que iria promover também a ascensão de Pedro Almeida Cabral a figura número 1 como líder da Mesa da Assembleia Geral por troca com João Palma, que cessou funções, e que seria aproveitada para reforçar aquela que tinha sido a ideia passada no sábado após as eleições: o terceiro mandato traria tantos ou mais desafios do que os dois anteriores pelo projeto que sustenta todo o plano a dez anos traçado pela atual Direção para o clube intitulado “Future is Coming” com grande investimento na área do património e infraestruturas tendo como enfoque o Estádio, o Alvaláxia e toda essa zona circundante.
“Quando nos decidimos recandidatar não foi a pensar em nenhuma renovação de treinador ou jogadores. Iniciámos um processo de requalificação do nosso património, de investimento. Serão três anos exigentes para cumprir, um game changer, mas que vamos cumprir. Em 2029 teremos um Alvalade simplesmente fantástico. Exige trabalho, dedicação mas faremos. Tenho duas prioridades: títulos e crescer no número de sócios. Mas para isso, precisamos de crescer em vários setores, como o património, melhorar a experiência do adepto, aumentar a receita e, assim, poder investir mais”, destacou Varandas após a reeleição.
“A nossa humildade tem de ser a mesma e a missão também, fazer o Sporting crescer, ganhador e que faça os sócios muito felizes. Espero, daqui a quatro anos, ter os sócios tão felizes como eu. Mais sócios a votar na nossa lista? Isso tem a ver com um trabalho de oito anos mas também com o facto de existirem mais sócios e mais sócios que votam. É preciso recuar muito tempo para encontrar uma direção com 12 anos de mandato e isto é uma premissa fundamental para o nosso sucesso. A tranquilidade e o sucesso fazem com que os sócios não venham tanto mas fiquei muito feliz com a quantidade que votaram. Os sócios hoje sentem que somos um clube estável. Não fomos durante décadas. Os sócios são garante desta estabilidade e são eles que decidem quanto tempo estamos aqui. Antes de nós, a média era de dois anos e pouco de mandato, era uma loucura…”, tinha acrescentado nesse momento na noite de sábado no Hall VIP.
Agora, vários pontos foram diferentes. Logo à cabeça, a própria solenidade do ato. Depois, o facto de, logo na terceira fila, estar representada a lista A derrotada nas últimas eleições, com Bruno Sá e outros elementos das listas candidatas no último sufrágio. Por fim, a impossibilidade de haver perguntas no final do discurso de tomada de posse, que começou com a despedida de João Palma, líder cessante da Mesa da Assembleia Geral. “O desígnio dos fundadores do Sporting era colocar o clube como algo grande, tão grande como os maiores da Europa. Tenho de dizer que nunca vivi tempos como este como sócio e adepto. Ontem [Terça-feira] à semelhança do nosso Ronaldo, superámo-nos mais uma vez”, referiu no discurso de despedida, entre vários elogios aos treinadores do Sporting a começar por Rui Borges, “que tem grande carácter e seriedade”. “Mais do que dirigente, sou sócio e adepto e não poderia deixar de fazer uma homenagem pública”, frisou, antes de passar a “batuta” da cerimónia para o novo presidente da Mesa do clube, Pedro Almeida Cabral.
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— Sporting CP (@SportingCP) March 18, 2026
“A primeira palavra vai para todos os sócios que participaram na última Assembleia Geral Eleitoral do clube porque um clube sem sócios participantes não consegue progredir e ganhar. Quando era miúdo, quis ser sócio do Sporting com nove ou dez anos porque também quis retribuir tudo o que o Sporting me dava. Foi assim que tentei exercer os meus cargos na Mesa. O clube deve estar acima de tudo, deixando de lado todas as nossas partes pessoais ou egos. É assim que pretendo continuar a ser. Nestes últimos oito anos fizemos parte da Mesa e realizámos 18 Assembleias Gerais. Foram muitas, se calhar diferentes, mas sempre quisemos que os sócios participassem sem qualquer constrangimento. Conseguimos fazer com que houve estabilidade, uma estabilidade grande, e que os sócios viessem em liberdade. É isso que queremos que continue a acontecer porque só assim é que o clube está vivo”, apontou antes do início da tomada de posse, que teve também pelo meio um pequeno discurso do líder do Conselho Fiscal e Disciplinar, João Teives.
Mesa da Assembleia Geral, Conselho Diretivo e Conselho Fiscal e Disciplinar tomaram posse para o quadriénio 2026-2030
“Queria começar por deixar uma saudação ao sócio Bruno Sá e por agradecer ao doutor João Palma toda a lealdade e coragem nestes dois mandatos. Não apenas eu mas sobretudo o Sporting está-lhe grato para o resto da vida. O segundo ponto que quero referir tem a ver com algo que temos de refletir quando temos 4.000 pessoas que votaram por correio mas viram os seus votos inválidos pela complexidade e pelas exigências burocráticas do voto por correspondência. Algo tem de mudar nas eleições de 2030. O terceiro ponto é sobre os sócios do Sporting. Os sócios falaram e disseram de sua justiça, de uma forma clara e inequívoca o que querem: querem que o Sporting continue a percorrer o caminho que demos início em setembro de 2018″, começou por referir Varandas no discurso que acabou por assinalar a parte final da cerimónia de tomada de posse, a primeira de um líder em três mandatos seguidos dos últimos 30 anos (Sousa Cintra, 1989-1995) sendo já o presidente com maior longevidade desde João Rocha (1973-1986).
“Hoje o Sporting, a par da época dos Cinco Violinos, vive das melhores fases da sua existência. Mais do que os inúmeros títulos conquistados nestes sete anos, o Sporting voltou a ter uma cultura e mentalidade de vitória. Desde 2018 o Sporting é o clube em Portugal que mais venceu no futebol e nas modalidades. Cresci com um Sporting a ter de olhar para cima para ver os nossos rivais, cresci a ouvir histórias contadas pelo meu avô e pelo meu pai sobre feitos do Sporting no passado. Hoje os sócios do Sporting vivem do presente. Um presente de orgulho e glória. Os sócios do Sporting são bicampeões e estamos nas oito melhores equipas da Europa. Os sócios do Sporting merecem por tudo o que passaram nestes 40 anos”, frisou o líder leonino.
“Neste terceiro mandato temos um grande objetivo pela frente: terminar uma obra que será emblemática e marcante na história do nosso clube. Acabar a renovação do nosso estádio e integrar o Alvaláxia no nosso ecossistema fazendo do Estádio José Alvalade um dos melhores e mais modernos da Europa. Para isso vai ser preciso muita capacidade de execução, rigor e investimento. Será uma obra marcante e que irá colocar o clube noutra dimensão. Neste novo mandato, não prometemos nem venceremos sempre. No desporto é sempre difícil fazer promessas, mas sobre a forma de estar na vida podemos fazê-lo. E há uma coisa que posso prometer aos sócios do Sporting: na derrota ou na vitória atuaremos sempre com ética, integridade e dignidade. São valores que coloco para mim mesmo como imprescindíveis e obrigatórios para o cargo que ocupo. Valores que neste clube não são apenas palavras mas sim gestos e atitudes”, apontou.
“Prometemos que jamais jogaremos sujo e baixo. Jamais mancharemos o nome do Sporting. Respeitaremos e trataremos sempre os nossos adversários como nós gostaríamos de ser tratados. Sempre. Mas também responderemos com força sempre que formos atacados com mentiras e calúnias, denunciaremos todas as práticas lamentáveis que hoje ainda existem no futebol português, porque infelizmente neste país quem é atacado com mentiras constantes e se defende apenas no silêncio da consciência tranquila acaba por ser prejudicado. Para o sócio do Sporting, mais importante que vencer é a forma como se vence. Continuemos a caminhar, continuemos a crescer, continuemos a vencer. A missão continua. Com a mesma força, coragem e honra”, concluiu Frederico Varandas no fim da tomada de posse.
Quem são os órgãos sociais do Sporting para o quadriénio 2026-2030
Mesa da Assembleia Geral
- Presidente: Pedro Almeida Cabral
- Vice-presidente: Miguel Ferreira Vinagre
- Secretários: José Costa Pinto, Ana Rita Calvão e João Pedro Silva
- Suplentes: André Sousa e Henrique Santos
Conselho Diretivo
- Presidente: Frederico Varandas
- Vice-presidentes: André Bernardo, Francisco Salgado Zenha, Maria Serrano e Pedro de Lencastre
- Vogais: Miguel Afonso, Alexandre Ferreira, Miguel Nogueira Leite, Rodrigo de Almeida, Vasco Matos e Gonçalo de Albuquerque
Conselho Fiscal e Disciplinar
- Presidente: João Teives
- Vice-presidente: Pedro Nunes
- Vogais: Pedro Ramos, João Dias, Frutuoso Mateus, Carlos Ramalho e Francisco Batista