Foi um ano marcado por um ambiente de “elevada incerteza”, “resultante sobretudo da instabilidade geopolítica global”, mas que acabou por trazer um aumento dos lucros para a Jerónimo Martins. A dona do Pingo Doce fechou 2025 com uma subida do resultado líquido de 7,9% para 646 milhões de euros. As contas reveladas esta quarta-feira revelam um aumento das vendas de 6,7% para 36 mil milhões de euros.

No ano que passou, “os consumidores mantiveram uma postura contida e focada na captura de oportunidades de poupança, resultando numa intensa pressão concorrencial no sector do retalho”, nota a empresa no relatório enviado ao mercado esta quarta-feira. Em 2026 “persiste o contexto de elevada incerteza geopolítica, afetando o sentimento das famílias e dos restantes agentes económicos”. Nos mercados onde Jerónimo Martins opera (Portugal, Polónia, Colômbia e Eslováquia) “antecipa-se que os consumidores continuem a priorizar os preços baixos e as promoções, e que a intensidade da concorrência no retalho alimentar não dê sinais de abrandar”.

Em 2025, o EBITDA ascendeu a 2,5 mil milhões de euros, 11,1% acima de 2024, com a margem a subir 22 pontos base para 6,9%. “De forma geral, todas as insígnias contribuíram de forma sólida para o desempenho do Grupo, quer ao nível do crescimento das vendas quer do EBITDA”, refere o comunicado.

Em Portugal, o Pingo Doce aumentou as vendas em 5,3% para 5,3 mil milhões de euros, o que equivale a 14,7% do total das vendas do grupo. O EBITDA aumentou 8,5% com a margem a subir para 6,0% “impulsionada pelo crescimento das vendas e pelas iniciativas para aumentar a produtividade e contrariar a pressão dos custos”. Foram remodeladas 52 lojas e abertas 9 novas localizações. Em 2026 “prosseguirá a execução do plano de investimento, que contempla cerca de 10 aberturas de novas lojas e cerca de 40 remodelações”.

Já no Recheio, as vendas aumentaram 3% para 1,4 mil milhões de euros. Em 2026 “abriu já no início de fevereiro uma importante nova loja na zona da Grande Lisboa, que vem reforçar a presença da insígnia num mercado absolutamente estratégico para o canal HoReCa”. A rede de parecerias Amanhecer “continuará a sua trajetória de crescimento, contando neste momento 758 localizações”.

Na Polónia, onde a Jerónimo Martins concentra o grosso do seu negócio, as vendas da Biedronka as vendas aumentaram 5,9% para 25 mil milhões de euros, praticamente 70% das vendas do grupo. No mesmo país, a Jerónimo Martins detém ainda a Hebe, cadeia especializada em saúde e beleza, cujas vendas aumentaram 5,7% para 626 milhões.

No ano passado a Jerónimo Martins entrou na Eslováquia através da Biedronka. Este ano deverá “avançar com a abertura de c.35 novas lojas em 2026, permitindo à Companhia continuar a ajustar o modelo de negócio a este novo mercado enquanto constrói a sua relação com as famílias eslovacas e ganha capital competitivo”.

Na Colômbia, onde o grupo detém a cadeia de supermercados Ara, as vendas subiram 17,4% para 3,2 mil milhões de euros.

A Jerónimo Martins (que está no capital do Observador através do Recheio) investiu 1,2 mil milhões de euros em 2025. “O acréscimo em relação ao ano anterior deve-se, principalmente, ao maior número de aberturas de lojas na Colômbia; ao início dos investimentos em dois novos centros de distribuição na Polónia e ao início das operações da Biedronka na Eslováquia”, refere a JM. Acrescem ainda “85 milhões de euros de investimentos financeiros, canalizados principalmente para as áreas do salmão e do bacalhau de aquacultura na Noruega”. Em 2026 a Jerónimo Martins prevê investir o mesmo montante. Em outubro o grupo anunciou a compra da Luís Vicente, que ainda não terá entrado nas contas de 2025.

Numa mensagem do presidente da Jerónimo Martins que acompanha as contas, Pedro Soares dos Santos destaca o início de ano “com uma escalada da instabilidade geopolítica, cujos efeitos nos diferentes indicadores macroeconómicos, entre os quais o preço da energia e a inflação alimentar, são, neste momento, imprevisíveis”. Soares dos Santos mantém-se, ainda assim, “confiante” perante “uma conjuntura internacional crescentemente incerta”.

Num “contexto cada vez mais complexo”, o grupo tem planeado “continuar a investir na modernização, expansão e integração tecnológica” das lojas e da infraestrutura logística que as suporta. “Enquanto progredimos na execução dos nossos planos, manter-nos-emos especialmente atentos à evolução do contexto, em particular neste primeiro semestre de 2026, e flexíveis para efetuar os ajustes que possam vir a ser necessários.”

A Jerónimo Martins vai propor a distribuição aos acionistas de um dividendo bruto de 0,65 euros por ação, ou 408,5 milhões de euros. Dos resultados líquidos de 2025 a administração vai propor ainda que se atribuam 40 milhões de euros à Fundação Jerónimo Martins.

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