Depois da surpresa na fase de liga, chegou a vez de a surpresa chegar aos oitavos de final. No final de setembro, o Galatasaray surpreendeu a Europa do futebol com o triunfo caseiro frente ao Liverpool (1-0). Agora, cerca de cinco meses e meio depois, os turcos mostraram que essa vitória não foi obra do acaso e, na primeira mão dos oitavos de final da prova da Liga dos Campeões, voltaram a superar os reds, agora com um solitário golo de Mario Lemina no início do jogo (1-0). No regresso a Anfield, o Liverpool tinha pela frente uma missão que, na teoria, até era acessível, mas o momento do clube deixava antever o pior, ainda que a prova milionária pudesse ser vista como a salvação de Arne Slot.

“É difícil porque jogámos duas vezes contra eles e perdemos ambas. A vantagem para nós é que será o primeiro jogo em casa [contra o Galatasaray] e contamos com o apoio dos nossos adeptos, que vão voltar a apoiar-nos amanhã à noite [quarta-feira], porque é isso que sempre fizeram e sempre farão por este clube. Nunca é agradável que estejam frustrados, porque normalmente os adeptos não ficam frustrados quando se vence. Em segundo lugar, disseram-me quando cheguei que este clube é diferente dos outros, já que apoiam um treinador durante muito tempo. Não sinto que estejam impacientes. Devo ter feito muitas coisas mal e nunca é bom ter essa sensação. Mas também sei como funciona o mundo do futebol: vencer pode mudar muita coisa e é isso que estamos a tentar alcançar”, garantiu o neerlandês.

“Quando pensei na equipa titular do Liverpool, a equipa que alinhou no primeiro jogo foi uma surpresa. Se tens Mac Allister, Gravenberch e Szoboszlai no meio-campo e Gakpo e Salah nas alas, onde é que o Wirtz vai jogar? Para poder juntar os quatro jogadores, Szoboszlai joga na lateral direita. No primeiro jogo, o Wirtz atacou bastante pelas laterais. Nos primeiros minutos, não conseguimos adaptar-nos a isso, mas depois conseguimos. É realmente fantástico estar neste estádio. É uma noite muito importante para o futebol turco, não apenas para o Galatasaray. Na nossa aventura na Liga dos Campeões, tivemos altos e baixos, mas ganhámos muita experiência. Vamos jogar contra uma equipa muito boa. Tanto os jogadores como o treinador são nomes de peso. Este ano, o seu maior objetivo é ter sucesso na Liga dos Campeões”, realçou Okan Buruk.

Apesar de estarem proibidos de marcar presença no setor visitante de Anfield, devido à eliminatória com a Juventus, os adeptos do Galatasaray invadiram Anfield e fizeram questão de receber a sua equipa no hotel com muita festa e pirotecnia. Dentro de campo, Florian Wirtz juntou-se a Dominik Szoboszlai, Mo Salah e Hugo Ekitiké no ataque, com o leão turco a apostar em Roland Sallai, Gabriel Sara, Baris Yilmaz e Victor Osimhen no ataque à baliza de Alisson Becker. Como seria de esperar, os reds entraram com mais bola frente a um Galatasaray à procura de resistir e a conseguir anular as ofensivas do adversário na fase inicial. Contudo, num canto estudado, Alexis Mac Allister colocou a bola à entrada da área, onde Szoboszlai apareceu completamente sozinho a rematar de primeira para o fundo da baliza de Ugurcan Çakir (25′).

Pouco depois, um mau atraso de Abdülkerim Bardakci isolou Salah, mas o chapéu do egípcio foi travado pela mão direita do guarda-redes (29′). O Liverpool continuou por cima e, depois de um cruzamento de Ekitiké, a bola ressaltou na defesa e sobrou para Wirtz, que atirou por cima, com Sacha Boey ainda a desviar (31′). Logo a seguir, o médio húngaro desferiu mais um remate de primeira de longe, mas Ugurcan voou para impedir o golo (33′). No tempo de compensação da primeira parte, Ismail Jakobs falhou o tempo de cortar a bola e pontapeou Szoboszlai dentro da sua área e, na conversão do penálti, Mo Salah quis enganar o guarda-redes com um Panenka, mas o remate saiu muito denunciado e foi travado por Çakir (45+4′). Logo a seguir, o guarda-redes manteve a equipa no jogo com um dupla defesa a remates de Salah e Wirtz (45+6′). Assim, os reds saíram para o intervalo na frente, mas com a eliminatória empatada (1-0).

Na etapa complementar, já com Leroy Sané e Noa Lang em campo, o Liverpool entrou determinado em resolver cedo as contas e assim foi. Logo a abrir, Dominik Szoboszali encontrou o espaço com um passe para Alexis Mac Allister, o médio colocou de pronto em Mo Salah que, pela meia-direita, cruzou para o outro lado, onde Hugo Ekitiké apareceu a desviar para o 2-0 (51′). Logo a seguir Ryan Gravenberch colocou em Florian Wirtz à entrada da área, o alemão deixou para o remate de Salah para grande defesa de Ugurcan Çakir e, na recarga, Gravenberch atirou a contar para o golo (53′). Com o Galatasaray completamente perdido, os reds somaram mais um golo, com Jeremie Frimpong a cruzar para o desvio para a sua baliza de Wilfried Singo, mas o lance acabou anulado por fora de jogo (56′).

Com o jogo resolvido, Yunus Akgün entrou para o lugar de Lucas Torreira, mas os ingleses voltaram a fazer das suas, com Salah a receber de Wirtz e a combinar com o companheiro para se enquadrar, desferindo depois um fantástico remate em arco que entrou no poste mais distante (62′). Pouco depois, e já com Curtis Jones no lugar de Frimpong, Ekitiké abriu em Salah, mas o remate do avançado embarrou na trave (67′). Seguiram-se as entradas de Eren Elmali e Cody Gakpo, para a ovação a Salah. Lang acabou por se lesionar na mão ao chocar contra os placares publicitários e teve de ser rendido por Mauro Icardi. Federico Chiesa, Rio Ngumoha e Trey Nyoni ainda saíram do banco, numa altura em que o resultado já estava consumado (4-0).

Com esta vitória, o Liverpool está nos quartos de final, onde vai defrontar o PSG a 7 ou 8 de abril, em Paris, e a 14 ou 15 de abril, em Anfield. Este triunfo foi apenas o segundo dos reds na fase a eliminar da Liga dos Campeões desde 2019, num total de oito partidas. Por outro lado, esta foi a 21.ª derrota em 26 jogos fora de casa do Galatasaray na competição milionária, sendo que os turcos perderam cinco dos últimos seis jogos fora da Turquia na fase a eliminar.