Era uma das grandes curiosidades antes da convocatória da Seleção, tornou-se um dos assuntos mais falados depois da convocatória da Seleção. Apesar do bom momento que atravessava ao serviço do Toluca, que deu continuidade a uma adaptação meteórica de sucesso à Liga mexicana, Paulinho acabou por ficar de fora da convocatória para os jogos particulares no México e nos EUA. Na conferência de imprensa após anunciar os 27 eleitos, Roberto Martínez explicou o porquê de ter deixado de fora o jogador de 33 anos e, à luz desses argumentos, ficava claro que a vida ficava difícil para Paulinho. 58 horas depois, a realidade mudou.

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“É uma questão de perfil. O Pablo [ex-Gil Vicente, agora no West Ham] ainda não tem os documentos para ser chamado mas os restantes jogadores acompanhámos de muito perto e é uma questão de espaço. O Diogo Jota era um avançado muito importante e polivalente para nós e precisamos de um avançado que possa substituir isso. Respeitamos muito o Paulinho e acompanhamos o que está a fazer mas tem um perfil semelhante ao do Gonçalo Ramos e do Cristiano. Precisamos de priorizar outras valências e, nesta convocatória, é por isso que o Gonçalo Guedes e o Gonçalo Ramos são os dois avançados”, destacou o selecionador após o anúncio, explicando aquilo que o jogador da Real Sociedad poderia dar em termos de opções à equipa que o avançado do Toluca não teria as mesmas condições para oferecer ao ataque nacional.

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“O Gonçalo Guedes tem um perfil polivalente, importante para nós. É um jogador com nove golos esta época, num momento muito bom. É um avançado diferenciador, um jogador que, para nós, é muito interessante. Já disse que para o Mundial a posição de ponta de lança pertence ao Cristiano e ao Gonçalo Ramos, e estamos à procura de um avançado com um perfil diferente. E ele está num momento em que merece a chamada. Estamos muito entusiasmados com o que poderá trazer à Seleção nestes particulares”, completou.

Paulinho estava de fora, Paulinho acabou por entrar na convocatória. No entanto, e ao contrário do que se poderia pensar, não foi Gonçalo Ramos nem Gonçalo Guedes que saíram da convocatória mas sim Rafael Leão (que pode jogar também mais por dentro na frente e não só a partir da esquerda) e Rodrigo Mora, ambos por motivos físicos. Apesar de não ter sido primeira opção e de não encaixar naquilo que o selecionador pretendia testar, o avançado de 33 anos acabou por ser chamado, com essa particularidade de poder voltar a jogar pela Seleção no país onde atua e na reinauguração do mítico Estádio Azteca, na Cidade do México, que costuma ser utilizado pela seleção mas também pelo Club América, rival do Toluca.

Paulinho tem três internacionalizações no currículo, curiosamente todas em novembro de 2020, quando os encontros eram ainda realizados à porta fechada pela pandemia da Covid-19, e quando estava ainda no Sp. Braga (rumaria ao Sporting apenas em fevereiro de 2021, naquele que foi na altura o maior investimento de sempre dos leões com 16 milhões de euros por 70% do passe mais as cedências de Sporar e Borja). Nessas três partidas, um particular com Andorra na Luz e dois encontros para a Liga das Nações com França (Luz) e Croácia (Split), o avançado fez um total de 81 minutos e marcou dois golos, frente a Andorra.

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Depois de ter sido duas vezes campeão pelo Sporting, em 2021 e 2024, e ganhar uma Taça da Liga e uma Supertaça, Paulinho acabou por ser vendido ao Toluca por cerca de oito milhões de euros, na sequência de uma temporada de 2023/24 com 21 golos e seis assistências em 47 jogos. A adaptação ao México, essa, não poderia ter corrido melhor: o jogador afirmou-se como titular indiscutível desde o momento da chegada, acabou a época de 2024/25 com 29 golos e oito assistências em 43 jogos e leva na atual temporada 26 golos e cinco assistências em 38 partidas, com sete golos e três assistências nos derradeiros dez encontros. Este domingo, no empate do Toluca fora com o Pachuca (1-1), o avançado ficou em branco. Paulinho ajudou também os Diablos Rojos a vencerem um torneio de Clausura, um torneio de Apertura (as duas voltas da Liga), uma Supertaça e uma Taça dos Campeões desde que chegou ao México, em 2024.

“No balneário estava com cara de zangado e os meus companheiros não estavam a perceber porquê, porque ainda não sabia que tinha sido convocado, mas estou muito feliz. A cara vai mudar mais daqui a umas horas. Agora estou um pouco triste porque não ganhámos, mas estou mais feliz do que estava quando terminou o jogo. Um passo de cada vez, agora é desfrutar e trabalhar, mas sempre com a esperança de jogar pelo meu país. Se estou [na convocatória], é porque mereço muito. É diferente ser chamado na Europa e ser chamado cá. É merecido. Obviamente que há mais jogadores que poderiam ter sido chamados, mas sem dúvidas de que é merecido”, comentou Paulinho na zona mista depois do encontro com o Pachuca, antes de destacar também a qualidade da Liga mexicana, “que não é bem vendida como deveria ser”.

A convocatória atualizada de Roberto Martínez para os jogos com México e EUA

  • Guarda-redes (3): Diogo Costa (FC Porto), José Sá (Wolverhampton) e Rui Silva (Sporting)
  • Defesas (8): Matheus Nunes (Manchester City), Diogo Dalot (Manchester United), João Cancelo (Barcelona), Nuno Mendes (PSG), Gonçalo Inácio (Sporting), Renato Veiga (Villarreal), António Silva (Benfica) e Tomás Araújo (Benfica)
  • Médios (6): Rúben Neves (Al Hilal), Samu Costa (Maiorca), Mateus Fernandes (West Ham), João Neves (PSG), Vitinha (PSG) e Bruno Fernandes (Manchester United)
  • Avançados (9): Ricardo Horta (Sp. Braga), Pedro Gonçalves (Sporting), João Félix (Al Nassr), Francisco Trincão (Sporting), Francisco Conceição (Juventus), Pedro Neto (Chelsea), Paulinho (Toluca), Gonçalo Guedes (Real Sociedad) e Gonçalo Ramos (PSG)