Este sábado ficou marcado pela entrada de um novo peão na guerra do Irão: os rebeldes Houthis do Iémen anunciavam logo de manhã ter lançado uma salva de mísseis balísticos contra o sul de Israel, afirmando tratar-se da primeira fase de uma intervenção militar direta em apoio ao Irão e aos aliados no Médio Oriente. Mais tarde, reivindicavam um novo ataque.
Do mesmo lado, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian utilizou a rede social X para garantir que Teerão “retaliará com firmeza” os ataques a infraestruturas do país. Nega que seja intenção do Irão lançar “ataques preventivos”, mas garante a retaliação com com firmeza perante os ataques israelitas e norte-americanos.
Pode recordar os acontecimentos de sábado aqui.
No Irão
- A sede do complexo de armas navais iraniano foi alvo de um ataque israelita. Israel diz ainda ter atacado outras instalações de fabrico de sistemas de defesa aérea, com recurso a 50 aviões de guerra israelitas.
- O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, elogiou este sábado os esforços de mediação do Paquistão para pôr fim à guerra com os Estados Unidos e Israel. Manteve uma conversa telefónica com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em que agradeceu a intervenção paquistanesa na mediação.
- O filho do último Xá do Irão, Reza Pahlavi, que está exilado nos EUA, garantiu estar pronto a liderar o Irão num momento de transição do atual regime e, “assim que o momento certo chegar”, diz que vai apelar aos iranianos que se manifestem nesse sentido. “O Presidente Trump está a tornar a América grande novamente. Eu quero tornar o Irão grande novamente”, garantiu Reza Pahlavi.
- O Paquistão chegou a um acordo com o Governo do Irão para permitir a passagem de mais de 20 navios com bandeira paquistanesa pelo Estreito de Ormuz, de acordo com a partilha do ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão na sua rede social X. A passagem será limitada a dois navios por dia.
Em Israel e no Líbano
- O território sul de Israel foi alvo de uma salva de mísseis balísticos na manhã de sábado, com os rebeldes Houthis do Iémen a reivindicarem o ataque e anunciarem que se trata da primeira fase de uma intervenção militar direta em apoio ao Irão e aos aliados no Médio Oriente.
- À noite, os Houthis voltavam a reivindicar uma “segunda operação militar” contra Israel, com recurso a drones e mísseis cruzeiro.
- As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) dizem que, “dentro de poucos dias”, vão conseguir ter atacado todos os alvos “críticos” da indústria militar do Irão. “Iremos destruir a maioria das capacidades de produção militar [do Irão] e o regime vai demorar muito tempo até conseguir recuperá-las”, garantem.
- O Ministério da Saúde do Líbano divulgou este que pelo menos 1.189 pessoas morreram e outras 3.427 ficaram feridas em ataques israelitas ao país desde 2 de março. No sábado, morreram pelo menos 10 pessoas vítimas de ataques israelitas no Sul do Líbano, onde decorre uma operação militar com o objetivo de alcançar uma invasão completa, três deles eram jornalistas.
No Golfo
- O aeroporto internacional do Kuwait foi atacado por uma “séries de drones iranianos” no sábado. O sistema de radares do aeroporto e vários tanques de combustíveis sofreram “danos significativos”, sem que se tenham registado feridos.
- A Aluminium Bahrain, uma das maiores empresas de fundição de alumínio do país, confirmou que as suas instalações foram atingidas por um ataque iraniano ainda na sexta-feira. Duas pessoas ficaram feridas em consequência do ataque.
No resto do mundo
- O ex-primeiro-ministro do Nepal KP Sharma Oli foi detido no sábado por alegado envolvimento na repressão mortal dos protestos que o afastaram do poder em setembro, anunciou a polícia nepalesa.
- O FMI e as autoridades do Paquistão chegaram a um acordo que permitirá a Islamabade receber 1.210 milhões de dólares (1.051 milhões de euros), num contexto de instabilidade face à crise energética provocada pela guerra no Médio Oriente.
- Numa visita a vários países do Médio Oriente, Volodymyr Zelensky, Presidente ucraniano, afirmou que a ” verdadeira segurança constrói-se sobre a parceria” e que a Ucrânia valoriza “todos” e continua aberta a “apoiar todos aqueles que estão dispostos a trabalhar em conjunto para este objetivo”.
- A Ucrânia e o Qatar assinaram um acordo de cooperação na área da defesa, que inclui a troca de conhecimentos especializados no combate a mísseis e sistemas de drones, mas também a colaboração em áreas tecnológicas, informou o Ministério da Defesa do Qatar, no âmbito da visita do chefe de Estado ucraniano.