No dia em que começou a Primavera, o Lidl e a WWF Portugal foram até ao Gerês para assinalar o arranque das intervenções de restauro ecológico no Parque Nacional da Peneda-Gerês, com a plantação simbólica de algumas árvores autóctones, numa das parcelas que a cadeia de supermercados está a ajudar a intervencionar. Um gesto simples, mas que marca a transição do compromisso estratégico para a implementação concreta no terreno, com o objetivo de regenerar ecossistemas degradados e reforçar a biodiversidade no único Parque Nacional português.

“[Esta iniciativa] é um bom exemplo daquilo que pode acontecer. Hoje mostramos como é que fazendo ações e envolvendo várias entidades, é possível regenerar e recuperar a nossa natureza. E certamente que ela será indutora de crescimento, de criação de emprego e de rendimento. Em Portugal, em termos de restauro, apesar dos desafios, temos bons motivos para ficar satisfeitos”, disse João Manuel Esteves, Secretário de Estado do Ambiente, um dos convidados do evento que reuniu na Porta do Lindoso entidades públicas, empresas privadas e comunidade local.

A intervenção no Gerês – a primeira no âmbito da iniciativa Re-Store Portugal – marca o início de um programa plurianual, com a duração de cinco anos, pensado para recuperar ecossistemas degradados e reforçar a resiliência das paisagens.

O Re-Store Portugal, criado pela WWF Portugal e impulsionado pelo Lidl, surgiu como uma resposta estratégica à Lei do Restauro da Natureza da União Europeia, que impõe que todos os Estados-Membros recuperem pelo menos 20% das áreas degradadas até 2030. Com base científica, ação local e visão nacional, este projeto, que conta com o envolvimento da sociedade, do Estado e do setor privado, quer contribuir de forma concreta para os objetivos nacionais e europeus.

“Queremos que [este projeto] seja inspirador para outros contributos maiores e, com isso, trazermos outros agentes e outras entidades para a causa da conservação da natureza. O grande objetivo que se conseguiu aqui foi sinalizar e sensibilizar para a necessidade de envolver cada vez mais pessoas nesta missão do restauro. Esta deve ser uma responsabilidade conjunta, um trabalho colaborativo”, afirmou Sandra Sarmento, Diretora Regional Norte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

30 hectares restaurados no Gerês: um (pequeno) grande contributo nesta missão

O apoio do Lidl está a permitir intervencionar quatro parcelas no Lindoso e Campo do Gerês, integradas no Parque Nacional e na Zona Especial de Conservação da Rede Natura 2000, totalizando 30 hectares.

Estas parcelas incluem habitats naturais característicos da região e as intervenções dividem-se em dois tipos: em cerca de 28 hectares está a ser feita a gestão seletiva de matos para reduzir o perigo de incêndio, promovendo-se o mosaico de vegetação e o aproveitamento da regeneração natural de árvores autóctones; e nos restantes dois hectares de área ardida no Lindoso vão ser plantadas aproximadamente 800 árvores para criar áreas de habitats com estrutura florestal, recuperando-se a floresta autóctone afetada pelos incêndios de 2025 que destruíram quase sete mil hectares de natureza no Gerês.

Um compromisso para o presente e o futuro

Em 2024, o Lidl estabeleceu, a nível internacional, uma parceria estratégica com a WWF para incentivar modelos de negócio que respeitem os limites do planeta. Em Portugal, essa parceria materializou-se, também, com o apoio do Lidl ao projeto Re-Store Portugal.

“Conservar recursos e proteger a biodiversidade são dois eixos que fazem parte da nossa estratégia de sustentabilidade e nós olhamos para isso com um grande sentido de responsabilidade porque precisamos de cuidar do nosso planeta para garantir que conseguimos entregar alimentos de qualidade e a bom preço aos nossos clientes”, afirmou Vanessa Romeu, Diretora de Corporate Affairs do Lidl Portugal.

O apoio da cadeia de supermercados ao projeto começou com uma verba inicial de 100 mil euros, que permitiu financiar quer o estudo que identificou as zonas a intervencionar, quer a plataforma digital da Re-Store Portugal. Paralelamente, e com o contributo dos seus clientes que adquiriram os sacos solidários, o Lidl disponibilizou 180 mil euros à WWF Portugal para trabalhar na recuperação das parcelas no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

“Contamos aqui com uma parceria excecional com o Lidl, que é o nosso parceiro impulsionador desta iniciativa e que nos permite, depois, sinalizar isto junto de outras empresas que também estão interessadas em contribuir. Portanto, dá um impulso ao pontapé de saída que é absolutamente mobilizador de mais parceiros para conseguirmos levar a bom porto estes projetos”, refere Catarina Grilo, Diretora de Conservação e Políticas da WWF Portugal.

A participação do Lidl neste projeto reflete uma mudança mais ampla no papel das empresas na sociedade: passa-se de uma lógica de apenas compensar impactos para o investimento ativo na regeneração dos ecossistemas, reconhecendo-se que a natureza é uma infraestrutura essencial à economia, à saúde-pública e ao bem-estar coletivo.

Depois de alcançado o objetivo para o Gerês, os clientes e colaboradores do Lidl já escolheram a próxima área a apoiar: o Estuário do Tejo.

Assim, os sacos solidários, que são produzidos a partir de resíduos plásticos recolhidos junto às linhas de costa e certificados como Ocean Bound Plastic, vão continuar à venda nas mais de 290 lojas do Lidl para quem quiser contribuir. Têm o custo de um euro e metade do valor das vendas reverte para a WWF Portugal.