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“Todas as possibilidades” estão em cima da mesa. A Comissão Europeia admite medidas como o racionamento de combustíveis e a libertação de mais reservas de emergência, perante o risco de uma “crise longa” associada ao conflito no Médio Oriente.

Dan Jørgensen, comissário europeu da Energia e Habitação, avisa em entrevista ao Financial Times que “esta será uma crise longa” e que “os preços dos bens energéticos irão manter-se elevados por muito tempo“. O responsável não quis ser mais específico mas acrescentou que em alguns produtos “essenciais prevemos que as coisas vão ainda piorar nas próximas semanas”.

A União Europeia “ainda” não está numa situação que se possa considerar de “crise de fornecimento” de combustíveis e de outros bens energéticos, igualmente afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. No entanto, o dinamarquês confirma que Bruxelas está a trabalhar em planos de contingência para o caso de surgirem “impactos estruturais, duradouros“.

A Europa está a preparar-se para o pior, embora ainda não tenhamos chegado a uma situação em que é preciso racionar produtos essenciais, entre os quais o jet fuel e o gasóleo. Mas, quero dizer, é melhor prevenir do que remediar”, assinalou.

“Estamos a avaliar todas as possibilidades e é claro que quanto mais a situação se agrava, mais teremos de avaliar medidas legislativas”, acrescentou Dan Jørgensen, reconhecendo que “a retórica e as palavras que se estão a utilizar hoje são mais contundentes do que no início desta crise”.

À medida que o conflito se arrasta no tempo, será cada vez mais um cenário em cima da mesa a libertação de mais reservas de emergência, na linha do que foi feito no mês passado (a maior libertação de reservas estratégicas da história da União Europeia, com o objetivo de travar o aumento dos preços). Essa foi uma libertação de reservas coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE) em que Portugal contribuiu com dois milhões de barris de petróleo, 10% do total armazenado.

Agência Internacional de Energia liberta 400 milhões de barris de petróleo, Portugal contribui com dois milhões das suas reservas

Os comentários de Dan Jørgensen surgem na sequência de outras ideias que tinha transmitido numa conferência de imprensa no final de março. “Ninguém sabe quanto tempo durará a crise, mas penso que é muito importante sublinhar que não será curta porque, mesmo que houvesse paz amanhã, continuariam a existir consequências, já que as infraestruturas energéticas da região foram destruídas pela guerra e continuam a ser destruídas”, salientou o responsável.