Três homens armados envolveram-se num tiroteio com a polícia perto do consulado israelita em Istambul, na Turquia, esta terça-feira, tendo resultado na morte de um dos atacantes e em dois feridos, que se encontram detidos, segundo as autoridades turcas.
Um dos atacantes tinha ligações a uma “organização que explora a religião”, afirmou o ministro do Interior turco (equivalente ao Ministério da Administração Interna em Portugal) Mustafa Çiftçi, num comunicado citado por jornais como o Politico. Mais tarde, especificou que os três “terroristas” tinham sido “neutralizados” durante o confronto com a polícia, tendo um suspeito sido morto enquanto os outros dois — identificados como irmãos — foram capturados e ficaram feridos. Os três homens tinham viajado para Istambul a partir de outra cidade turca, Izmit, num veículo alugado.
Embora as autoridades turcas não tenham revelado o que motivou os atacantes, Tom Barrack, embaixador dos EUA na Turquia, defendeu na rede social X que se tratou de um ataque ao consulado israelita.
The United States condemns in the strongest terms today’s attack on the Israeli Consulate in Istanbul. Attacks on diplomatic missions are attacks on the international order — and an assault on the principles that bind nations together. We commend Türkiye and Turkish security…
— Ambassador Tom Barrack (@USAMBTurkiye) April 7, 2026
Dois agentes da polícia ficaram ligeiramente feridos no ataque, disse o governador de Istambul, Davut Gul, aos jornalistas no local.
Segundo a agência Reuters não se encontrava nenhum funcionário israelita no consulado, que ocupa um piso do edifício perto de onde aconteceu o incidente. Aliás, os diplomatas israelitas abandonaram o consulado pouco depois do início da guerra entre Israel e o Hamas, no final de 2023, devido a preocupações de segurança. A informação é corroborada pelo governador de Istambul, Davut Gül, que descreveu o tiroteio como “uma ação que cheira a provocação”, salientando que a missão israelita não tem mantido qualquer presença diplomática ativa na cidade desde a guerra em Gaza. “Não há atividade no consulado há dois anos e meio”, afirmou, acrescentando que os investigadores estão agora a analisar possíveis ligações e motivos.
Nos últimos anos, as relações diplomáticas entre a Turquia e Israel têm estado instáveis, com o Presidente turco a ser muitas vezes crítico das incursões militares de Israel em Gaza. Ainda esta segunda-feira, Recep Tayyip Erdogan acusou Israel de “minar todos os esforços” de paz no Médio Oriente, ao referir-se ao conflito contra o Irão que se estendeu a outros países da região.
A Turquia, juntamente com o Egito e através do Paquistão, tenta promover um cessar-fogo no Irão, numa altura em que a guerra desencadeada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel afeta toda a região do Golfo Pérsico.