A ação de fiscalização das forças de seguranças nas estradas portuguesas durante esta Páscoa revelou números trágicos. A Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana (GNR) registaram 20 mortes, 53 feridos graves e 845 feridos ligeiros. Em reação a estes números, o ministério da Administração Interna (MAI) entendeu que “é tempo de agir” para combater este “flagelo”.

Depois de dirigir as “sentidas condolências” às famílias das vítimas da Operação Páscoa 2026 (que durou entre 27 de março e 6 de abril), o ministério liderado por Luís Neves assumiu, além da “consternação”, a “preocupação” com os números. “Cada vida perdida nas estradas representa uma tragédia pessoal e uma família destruída. Nenhuma morte na estrada é aceitável”.

Por isso, o MAI quer passar das palavras aos atos: “É tempo de uma reflexão séria. Mais que isso, é tempo de agir”. Por isso, o ministério vai apresentar “um pacote de medidas estratégicas, a médio e longo prazo, e outras mais imediatas” para responder a um problema que “exige um esforço e um compromisso de todos” — do “Estado, das autarquias, das entidades públicas e privadas e de cada cidadão”.

Apesar de destacar o “reforço” das ações de fiscalização nas estradas, as “campanhas de sensibilização promovidas pelas Forças de Segurança” e a melhoria nas infraestruturas e viaturas, o ministério lamenta a “persistência” de “comportamentos de risco”, como a “condução sob efeito de álcool”, o “excesso de velocidade” e o “uso indevido do telemóvel durante a condução”.

“É preciso ir mais longe noutras matérias, que influenciem diretamente o comportamento do condutor, criando um ambiente rodoviário seguro. É isso que iremos fazer”.

Luís Montenegro surge sem cinto de segurança no carro em vídeo nas redes sociais

O problema dos números elevados de vítimas nas estradas portuguesas já tinha sido destacado por Luís Montenegro, quando o primeiro-ministro saiu da reunião do Conselho Superior de Segurança Interna que aprovou o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI). Para o governante, os acidentes de carro continuam a ser uma “chaga social em Portugal”.

Poucos dias depois, o próprio Montenegro viu-se envolvido numa polémica sobre segurança rodoviária, quando foi partilhado nas redes sociais oficiais do chefe de Governo um vídeo em que o primeiro-ministro surge no banco de trás do seu carro oficial, em andamento, sem cinto de segurança. Contactado pelo Observador, o gabinete do primeiro-ministro não reagiu.

Além das vítimas registadas nas operações especiais de GNR e PSP dedicadas ao trânsito na Páscoa, 692 condutores foram detidos por conduzirem com taxas de álcool no sangue iguais ou superiores a 1,2 g/l. Entre 2 e 6 de abril, a GNR detetou 2.390 veículos em excesso de velocidade; enquanto a PSP, entre 27 de março e 6 de abril, detetou 693 veículos em excesso de velocidade.

Mais violações, prisões sobrelotadas e o perigo dos influencers de extrema-direita. O RASI à lupa