Moçambique necessita de 240 milhões de dólares (205,3 milhões de euros) para reparar as estradas afetadas pelas cheias da presente época chuvosa, com o Governo a admitir a necessidade de avançar com infraestruturas resilientes, foi esta segunda-feira avançado.
“No caso de Moçambique, temos sido ciclicamente afetados por eventos climáticos extremos que provocam danos significativos nas infraestruturas rodoviárias, comprometendo investimentos avultados realizados pelo Estado (…). Para a reposição dos danos, são necessários cerca de 240 milhões de dólares norte-americanos”, disse o secretário de Estado dos Transportes, Chinguane Mabote.
O responsável falava em Maputo, na abertura da reunião do grupo focal da Associação dos Fundos de Manutenção de Estradas de África (ARMFA) da região da África Austral, tendo reconhecido a necessidade de integrar critérios de resiliência em todas as fases da vida das infraestruturas, situação imposta pelas alterações climáticas.
Segundo Chinguane Mabote, o evento de três dias deverá servir para os membros da ARMFA repensarem nas formas de integrar os critérios de resiliência climática, desde o planeamento até a manutenção, e em modelos de financiamento para mobilização de fundos para situações de emergências.
Em março, o Governo moçambicano estimou em 1,6 mil milhões de dólares (1.382 milhões de euros) o total do valor necessário para concretizar o plano de recuperação e reconstrução dos danos causados pelas inundações de janeiro, cuja elaboração estava na fase conclusiva, sendo um instrumento dividido em cinco domínios, nomeadamente o salvamento de vidas e assistência humanitária e reposição da transitabilidade.
Os outros domínios são a reposição das infraestruturas, a recuperação económica e a criação de condições para garantir uma melhor capacidade de prevenção e mitigação dos desastres naturais no país, explicou então o porta-voz do Governo, Salim Valá.
Com este plano, o Governo quer, concretamente, colocar a proteção da vida humana no centro da ação governamental, orientando a planificação, resposta e reconstrução para a salvaguarda das populações, promover um desenvolvimento territorial seguro assente numa planificação que integra mapas de risco e ordenamento territorial e adotar a reconstrução resiliente, assegurando que infraestruturas e assentamentos humanos sejam concebidos para resistir a eventos climáticos extremos.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas afetadas em menos de seis meses, segundo atualização de 31 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registarem nos últimos dias uma nova vaga de inundações. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
O INGD indica ainda que 316.267 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 371.320 agricultores, e 531.116 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.522 quilómetros de estradas, 51 pontes e 237 aquedutos.