Os gastos do SNS com médicos prestadores de serviços (mais conhecidos por tarefeiros) ascenderam a quase 250 milhões de euros em 2025 e bateram um novo recorde. A despesa aumentou 17% no ano passado e fixou-se nos 249,7 milhões de euros, segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), enviados ao Observador.
Trata-se de uma subida de 17,1% em relação aos 213,3 milhões gastos com médicos tarefeiros em 2024. A subida da despesa nesta rubrica tem sido, aliás, galopante. Em 2022, os gastos com médicos prestadores de serviços estavam nos 160,5 milhões de euros — o que significa que, em apenas três anos anos, a despesa disparou cerca de 56%. Em 2018, há apenas sete anos, os gastos eram metade do que são hoje (rondavam os 108 milhões de euros).
Ao todo, o SNS gastou 266,8 milhões de euros em prestação de serviços em 2025, sendo que a grande maioria da despesa (94%) foi com médicos prestadores de serviços. Com enfermeiros contratados à tarefa, foram gastos 10,4 milhões de euros.
A acompanhar a subida dos gastos com os médicos tarefeiros está o número de horas prestadas por estes profissionais no SNS. Segundo os dados da ACSS, os médicos prestadores de serviços fizeram cerca de 5 milhões e 776 mil horas em 2025, um aumento em relação às 5 milhões e 147 mil horas realizadas no ano anterior.
Sem surpresa, a Unidade Local de Saúde do Algarve (que integra os hospitais de Faro e Portimão) é, de longe, a que mais gasta em prestação de serviços: foram 21,6 milhões de euros em 2025. Segue-se a ULS do Oeste, com 14,7 milhões, a ULS do Médio Tejo, com 13,2 milhões e a ULS do Alto Alentejo, com 12 milhões de euros.
Excluindo os três Institutos Portugueses de Oncologia, foi a ULS de Coimbra que menos gastou em prestação de serviços em 2025: cerca de 940 mil euros.
Enquanto trabalho à tarefa aumenta, horas extra dos médicos do quadro diminuem
A ACSS lembra que “o recurso a horas extraordinárias e a prestações de serviço no SNS constitui uma medida de gestão operacional necessária e transitória, que permite garantir resposta atempada aos utentes, evitando o agravamento dos tempos de espera e assegurar flexibilidade na alocação de recursos humanos em períodos de maior procura”. No entanto, sublinha a ACSS, “esta opção não substitui o compromisso estrutural com o reforço do número de profissionais no SNS, permitindo antes responder de forma imediata a picos de atividade e a necessidades urgentes do sistema”.
Ao mesmo tempo que aumenta o recurso aos médicos tarefeiros, continua a verificar-se uma diminuição das horas extras prestadas pelos médicos do quadro. Em 2025, os médicos do SNS fizeram 6 milhões e 309 mil horas extra, uma quebra em relação às 6 milhões e 422 mil registadas em 2024. No que diz respeito à despesa, a tendência foi a mesma: de 278,2 milhões de euros em 2024 para 268,4 milhões em 2025.
O aumento dos gastos com médicos tarefeiros é uma consequência natural da dificuldade em preencher as escalas das urgências dos hospitais do SNS. Com a saída de profissionais dos serviços (particularmente da especialidade de Medicina Interna, mas também de especialidades como Cirurgia, Anestesiologia, Obstetrícia ou Pediatria), é cada vez mais difícil aos hospitais disporem de recursos humanos suficientes para assegurarem urgências abertas de forma ininterrupta.