Max Verstappen nunca escondeu que não está contente com as novas regulamentações da Fórmula 1. Lembrou-o há anos, quanto fez os primeiros testes no simulador, lembrou-o ao longo de toda a temporada passada, onde viu Lando Norris ser campeão do mundo, e lembrou-o há semanas, na antecâmara do início de todo o Mundial. Agora, as novas regulamentações podem mesmo fazer com que Max Verstappen decida deixar a Fórmula 1.

Ainda antes do arranque da nova época, durante os últimos testes no Bahrain, o tetracampeão mundial referiu-se ao Campeonato do Mundo como “Fórmula E em esteróides” e criticou abertamente a divisão 50/50 entre eletricidade e combustão nos motores dos carros. “A minha preocupação é que vamos andar bastante depressa na reta e depois provavelmente a bateria vai esgotar-se a cerca de dois terços da reta. Vamos ter muitas reduções de mudanças, será um pouco como uma corrida de ‘lift and coast’ no final da reta, o que não devia acontecer. Não quero que nos aproximemos da Fórmula E, quero que nos afastemos disso e que sejamos a Fórmula 1. Vai tornar as corridas muito estranhas”, vincou.

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Com o início da competição, naturalmente, as críticas subiram de tom. Foi sexto na Austrália, oitavo na China e novamente oitavo no Japão, ocupando atualmente o nono lugar do Mundial. A Red Bull parece longe da Mercedes e da McLaren, que têm competido pelas vitórias, e até a Ferrari tem conseguido resultados mais interessantes do que a marca austríaca. Em Suzuka, ainda antes da corrida, Max Verstappen abriu a porta a algo que não chocou ninguém, mas apanhou todos de surpresa pelo timing: a possibilidade de deixar a Fórmula 1 no fim do ano.

“Espero que a equipa consiga corrigir algumas coisas nas próximas semanas, nos próximos meses. Tenho de perceber muitas coisas a nível pessoal. Sobre a vida, sobre a vida aqui”, atirou. Mais tarde, em declarações à BBC, confirmou que estava a falar sobre o próprio futuro. “Era mesmo isso que estava a dizer. Estou a pensar sobre tudo o que se passa dentro deste ‘paddock’. Estou muito feliz, a nível pessoal. Mas depois espero por 24 corridas… E começo a pensar se vale a pena. Será que não gosto mais de estar em casa com a minha família? De ver os meus amigos mais vezes, já que não estou a aproveitar o meu desporto?”, questionou.

A namorar com Kelly Piquet, filha de Nelson Piquet, desde 2020, o neerlandês foi pai pela primeira vez em abril do ano passado, sendo que é também padrasto da filha que a modelo brasileira tem com Daniil Kvyat. Desde aí, e apesar de sempre ter dito que não pretendia seguir os exemplos de Lewis Hamilton e Fernando Alonso e correr até aos 40 anos, as declarações de Max Verstappen sobre a possibilidade de se dedicar mais à família tornaram-se constantes e recorrentes — e têm sido alimentadas pelas novas regulamentações que em nada o agradaram. Pelo meio, tem experimentado outras aventuras, como o GT3 e as 24 horas de Nürburgring, explorando o que pode ser o passo seguinte na carreira.

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Ao mesmo tempo, vai surgindo a ideia de que a Red Bull que Max Verstappen conhecia e encabeçava está a desaparecer. Depois das mediáticas saídas de Adrian Newey e Chris Horner, a equipa tem perdido sucessivos mecânicos, engenheiros e especialistas responsáveis pelo domínio dos últimos anos — com destaque natural para Gianpiero Lambiase, que era o engenheiro de corrida do próprio piloto e foi para a McLaren, e também Ole Schack, mecânico que era o único funcionário que sobrava da temporada de estreia dos austríacos, em 2005.

Verstappen tem contrato com a Red Bull até 2028, sendo que o vínculo inclui uma cláusula que permite ao piloto rescindir unilateralmente se não estiver nos dois primeiros lugares do Mundial na pausa de verão — algo que, à partida, vai acontecer. Durante algum tempo, a cláusula foi interpretada como um truque que o neerlandês tinha na manga para rumar à Mercedes quando quisesse. Atualmente, com Toto Wolff a declarar-se muito contente com George Russell e Kimi Antonelli e Verstappen a garantir que dificilmente irá representar outra equipa que não a Red Bull, a ideia de que pode apenas afastar-se da modalidade ganha mais força.

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Com Max Verstappen descontente, a Fórmula 1 acaba por entrar numa espécie de beco sem saída: ou mantém as novas regulamentações e perde um tetracampeão mundial que traz atenção, fãs e dinheiro, ou aceita as críticas e assume que um único piloto é mais importante do que um desporto inteiro. Por agora, ao que parece, a decisão parece estar mais próxima da primeira opção.

“Eu e o Max já falámos imensas vezes desde o início do ano. Entendemos, eu entendo, que ele costuma ter uma visão mais ampla das coisas. Hoje até houve uma reunião onde se mostrou disponível para dar sugestões. Por isso, não quero cair na armadilha de tentar criar antagonismo, porque isso não faz parte de mim. Ele é o melhor piloto, é multicampeão do mundo e claro, há que ouvir a opinião dele. Mas ele sabe que a opinião dele também tem peso e que deve respeitar esse peso. Às vezes, algumas pessoas podem interpretar mal e isso é algo que não devemos permitir que aconteça”, disse Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, em declarações à Autosport.