Um engenheiro residente em Paris ganhou uma pintura original de Pablo Picasso avaliada em cerca de 1.45 milhões de euros num sorteio solidário para uma fundação que financia a investigação da doença de Alzheimer. A participação custava apenas 100 euros.
Ari Hodara recebeu a notícia na terça-feira, após ter atendido uma videochamada da casa de leilões Christie’s, em Paris, onde a obra Tête de Femme (1941) estava em exibição, avança a BBC. “Fiquei surpreendido. Quando apostas nisto, não esperas ganhar”, disse o homem de 58 anos, confessando ter pensado que o telefonema se tratava de uma “partida”. Mas passada a surpresa inicial, Hodara manifestou o seu entusiasmo: “Estou muito feliz, porque tenho muito interesse em pintura, e é uma ótima notícia para mim.”
O vencedor da obra do mestre espanhol tinha a rifa número 94.715 e partilhou que a comprou no passado fim-de-semana, depois de ter ficado a saber da competição “por acaso”.
A apresentadora de televisão francesa Péri Cochin, que organizou esta terceira edição da iniciativa “1 Picasso por 100 euros”, com o apoio da família e da fundação de Picasso, manifestou-se também muito satisfeita, partilhando que era uma “coisa ótima” que o vencedor vivesse em Paris. “Vai ser muito fácil para nós entregar a pintura, por isso estamos felizes”, explica.
Os organizadores da iniciativa, que disponibilizaram para esta edição 120.000 rifas, confirmaram que, pela primeira vez na história do sorteio, cuja primeira edição foi em 2013, todos os bilhetes foram vendidos, noticia a Reuters.
Conseguiram, assim, atingir o seu objetivo de angariar 12 milhões de euros – um milhão de euros das vendas irá para a cadeia internacional de galerias Opera Gallery, proprietária, até agora, da pintura. E os outros 11 milhões reverterão na totalidade para a Fondation Alzheimer – um dos principais financiadores (não-governamentais) para investigação sobre a doença neurodegenerativa em França.
O diretor da fundação, Olivier de Ladoucette, agradeceu a iniciativa, salientando que esta representa mais um passo “para que um dia o Alzheimer seja apenas uma má memória”, escreve a AFP.
A primeira edição desta edição ocorreu em 2013, e permitiu angariar 4.8 milhões de euros, tendo Jeffrey Gonano, um americano da Pensilvânia, ficado com a pintura L’Homme au Gibus (‘Homem com Chapéu de Ópera’), que o artista pintou em 1914 durante o seu período cubista. Os fundos destinaram-se a ajudar a preservar a cidade libanesa de Tiro – classificada como Património Mundial da UNESCO e que nos últimos dias tem sido atacada pelas forças israelitas.
Em 2020, realizou-se o segundo sorteio, dessa vez com a obra Nature Morte (‘Natureza Morta’), de 1921, que conseguiu 5.1 milhões de euros e que acabou nas mãos de Claudia Borgogno, uma contabilista italiana, cujo filho lhe tinha comprado o bilhete como presente de Natal. As receitas foram doadas para projetos de saneamento em escolas e aldeias nos Camarões, Madagáscar e Marrocos.
O prémio deste ano, Tête de Femme (‘Cabeça de Mulher’), é um retrato em guache, de 1941, realizado no estilo característico de Picasso.
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