Kanye West anunciou que ia adiar o concerto em Marselha, previsto para o próximo dia 11 de junho, horas depois de fonte próxima do ministro do Interior francês, Laurent Nunez, ter dito à Agência France-Presse que o governante estava “altamente determinado” a impedir a atuação do artista americano no país. “Após muita reflexão e consideração, decidi adiar o meu concerto em Marselha, França, até novo aviso”, escreveu Kanye West no X.

Apesar de não apresentar justificações para o adiamento, o rapper, que agora responde pelo nome Ye, voltou a atacar no antigo Twitter um pouco mais tarde. “Eu sei que demora tempo para entender a sinceridade do meu compromisso em reparar o que fiz”, afirmou, numa alusão aos comportamentos antissemitas que demostrou no passado. West lançou uma música intitulada “Heil Hitler” em 2025 e vendeu t-shirts com a suástica — atribuindo parte do seu “mau julgamento e comportamento imprudente” ao transtorno bipolar que lhe foi diagnosticado. Na segunda publicação, o artista afirmou não desejar envolver os fãs nos seus erros, pelos quais assumiu “total responsabilidade” e mostrou-se “expectante em relação aos próximos concertos”.

O ministro do Interior de França manifestou-se contra o artista após a decisão do executivo britânico de Keir Starmer de proibir a entrada de West no país. Antes disso, já vários patrocinadores haviam desistido dos apoios ao Wireless, o festival em que atuava, que acabou por ser cancelado.

No Instagram, a promotora do concerto em Marselha pediu a compreensão das pessoas afetadas, prometendo que o anúncio de uma nova data está para “breve”. A empresa salientou que todos os bilhetes comprados permanecem válidos para o próximo evento, sendo que, para já, não ofereceu a possibilidade de devolução do dinheiro. “Apreciamos a vossa compreensão e esperamos partilhar novos detalhes do evento em breve”, disse ainda a promotora.

Kanye West tem um concerto marcado no Estádio do Algarve dia 7 de agosto, sendo que o executivo português ainda não se manifestou a respeito da entrada do artista no país. Segundo o advogado José Gaspar Schwalbach, dificilmente o enquadramento legal português viabilizaria a proibição de ingresso em território nacional, ainda que o enunciado da lei permita diferentes interpretações. Da parte da promotora, o Observador apurou que o concerto deverá suceder nas condições previstas.

Até à data, a passagem de West pelos Países Baixos e por Itália, onde tem concertos marcados em maio e junho, não parece ameaçada. O ministro do Asilo e Migração holandês admitiu não ter indicações de que uma proibição de entrada pudesse ser aplicada no país. Já o organizador do evento em Itália rejeitou a pertinência da questão e, citado pelo jornal local Gazetta di Reggio, admitiu que o seu festival  “pretende unir as pessoas de todo o mundo e gerações, não criar divisão”.

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