Dez dias de trégua. Após os combates entre Israel e a milícia xiita Hezbollah no Líbano, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo temporário. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, garantiu, ainda assim, que Israel não abandonará a sua zona tampão no sul do Líbano, bem como fez questão de enfatizar que Telavive mantém o direito de agir em legítima defesa.

O bloqueio naval no Estreito de Ormuz prolonga-se e vai já no seu quarto dia. O Comando Central norte-americano voltou a garantir que nenhuma embarcação atravessou o ponto estratégico, realçando que 14 navios tiveram mesmo de inverter a marcha. Teerão já está a sofrer as consequências económicas do bloqueio norte-americano: estimam-se que os prejuízos cheguem aos 435 milhões de dólares por dia.

Donald Trump voltou a destacar que o “conflito está perto do fim” e até demonstrou abertura para viajar ao Paquistão para assinar um acordo de paz. Nos Estados Unidos, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, avisou que o dedo ainda está no gatilho: os norte-americanos podem atacar infraestruturas de energia e rede elétrica caso o Irão “tome más escolhas” durante a trégua de duas semanas.

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Mais um dia de bloqueio, as conversações sobre o Líbano e uma decisão de peso de Itália. O que aconteceu no último dia de guerra?

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quinta-feira, dia 16 de abril:

No Irão:

  • O Comando Central dos Estados Unidos informou que nenhum navio quebrou o bloqueio imposto no Estreito de Ormuz durante as primeiras 48 horas em que este foi imposto. Deu ainda conta de 14 embarcações tiveram de inverter a marcha.
  • Numa conferência de imprensa, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, declarou que o bloqueio naval e militar se manterá “pelo tempo que for necessário”. O norte-americano deixou ainda um aviso: os Estados Unidos estão prontos para atacar infraestruturas de energia e rede elétrica caso o Irão “tome más escolhas” durante a trégua de duas semanas.
  • O bloqueio naval forçou a interrupção total das exportações de produtos petroquímicos e aço iraniano. Estima-se que os prejuízos chegam aos 435 milhões de dólares por dia (cerca de 367 milhões de euros).
  • Há relatos de que a Guarda Revolucionária está a assumir um papel mais preponderante nas decisões diplomáticas no regime, especialmente na condução das negociações com os Estados Unidos.
  • Os iranianos estão a aproveitar o cessar-fogo para se reorganizarem militarmente, removendo destroços das entradas das bases de Tabriz e Khomein. 
  • O presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou que a guerra terminará “em breve” e disse que o conflito está a ser gerido como planeado. Sublinhou que o Irão “aceitou quase tudo”. 
  • Donald Trump até demonstrou abertura para viajar para o Paquistão para assinar um acordo se as negociações ficarem fechadas em Islamabade.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano classificou o otimismo da administração Trump sobre as negociações como uma forma influenciar os mercados financeiros. 
  • O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, indicou que o objetivo de chegar a um cessar-fogo no Líbano é tão prioritário para o Irão como a pausa nos combates em solo iraniano.

Em Israel e no Líbano

  • O Presidente norte-americano anunciou um cessar-fogo entre o Líbano e Israel que vai durar dez dias.
  • O Departamento de Estado dos EUA sublinhou o direito de Israel agir em legítima defesa e a obrigação do Governo libanês de impedir ataques do Hezbollah. 
  • O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou que Israel não abandonará a sua zona tampão no sul do Líbano. E recusou as exigências do Hezbollah para uma retirada total. 
  • Israel e o Governo do Líbano vão agora negociar diretamente. No entanto, o Hezbollah classificou as negociações diretas com Israel como um “grave erro” e declarou que a presença de tropas israelitas no sul dá ao Líbano o “direito de resistir”.
  • O Presidente norte-americano espera que o Hezbollah “se comporte bem” durante esta trégua temporária.
  • Existe ainda uma dúvida: o Presidente do Líbano, Joseph Aoun, deveria falar diretamente com Benjamin Netanyahu. Mas ainda não surgiu nenhuma confirmação e o lado libanês está a negar esse cenário.
  • O Irão considerou que o Hezbollah foi o “vencedor” do conflito a partir do momento em que o cessar-fogo no Líbano entrou em vigor.
  • Ainda assim, as Forças Armadas libanesas deram conta de violações do cessar-fogo por parte de Israel.
  • Antes do cessar-fogo, o Hezbollah lançou 30 ataques contra infraestruturas em Israel e 37 ataques contra tropas israelitas em solo libanês. 
  • As Forças de Defesa de Israel também prosseguiram ataques no sul do Líbano, incluindo bombardeamentos de artilharia e ataques aéreos; a última ponte de acesso ao sul do país foi destruída num desses ataques.
  • Israel indicou ter destruído a maioria do stock de mísseis antinavio do Hezbollah.
  • O número de mortos no Líbano desde o retomar das operações militares, segundo o Ministério de Saúde, ficou-se pelos 2.196. 

Nos países do Golfo

  • O Qatar exigiu reparações financeiras ao Irão pelos danos causados após os ataques ao país.
  • Os Emirados Árabes Unidos, o país do Golfo que mais vezes foi atacado durante o conflito, manteve o alerta máximo de segurança perante a possibilidade de o Irão retomar os ataques.

No resto do mundo:

  • Foram registados 16 ataques com drones e mísseis contra grupos curdos opositores ao regime iraniano na região do Curdistão do Iraque.
  • O Pentágono informou ter recebido garantias formais da China de que o país não enviará armas para o Irão durante este período de cessar-fogo.
  • Os Estados Unidos confirmaram que estão a usar a trégua temporária no Irão para se rearmar e ajustar táticas.
  • Embora os ataques dos Houthis tenham diminuído substancialmente, o líder Abdulmalik al-Houthi mantém o aviso de que “os dedos estão no gatilho” e estabeleceu linhas vermelhas contra qualquer intervenção dos países do Golfo no conflito.
  • De visita aos Camarões, o Papa Leão enviou uma farpa para Donald Trump: denunciou o domínio de “tiranos” no mundo e pediu uma mudança de rumo que afaste o planeta do conflito.
  • A União Europeia saudou o cessar-fogo entre Israel e o Líbano e apelou ao respeito pela soberania libanesa. 
  • O secretário-geral da ONU, António Guterres, exaltou o cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Líbano e apelou a todas as partes para que o respeitem.
  • O G7 alertou que uma guerra prolongada no Médio Oriente representa um risco grave de danos económicos globais.