Mais um dia do bloqueio norte-americano do Estreito de Ormuz, com Washington a anunciar que nenhum navio furou o bloqueio. A Reuters noticiou, contudo, que um petroleiro chinês, sancionado pelos EUA, atravessou o estreito.

De Teerão, surgiram reações agressivas ao bloqueio, mas apenas na retórica. As Forças Armadas do Irão consideraram o bloqueio “ilegal”, um porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana disse que os iranianos ainda podem usar “capacidades ainda não usadas” caso o conflito se agrave e um conselheiro do Líder Supremo, Mohammad Mokhber, avisou que o Irão vai “abrir novas frentes” e “aumentar as pressões económicas”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, contudo, declarou que pode haver novas conversações entre Estados Unidos e Irão “ao longo dos próximos dois dias”. “Eles gostariam de fazer um acordo. Gostariam muito”, afirmou. Não houve reação pública por parte do Irão.

Ao 46.º dia de guerra, os embaixadores do Líbano e de Israel em Washington tiveram conversações, mas da reunião não saíram  detalhes públicos. No entanto, o embaixador israelita, Yechiel Leiter, classificou-as como “excelentes”.

Itália tomou uma decisão de peso ao suspender o seu acordo de defesa com Israel. Para além disso, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, classificou os ataques das IDF em Beirute como “inaceitáveis”. Por estas razões, Israel convocou o embaixador italiano para protestar.

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Um bloqueio efetivo em Ormuz e mais combates no Líbano. O que aconteceu no último dia de guerra?

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta terça-feira, dia 14 de abril:

No Irão

  • Imagens de satélite revelaram a destruição nas províncias iranianas de Teerão, Kermanshah e Ilam. Os danos foram provocados antes do cessar-fogo entrar em vigor.
  • O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que nenhum navio furou o bloqueio no Estreito de Ormuz imposto pelos EUA.
  • A Reuters noticiou, contudo, que um petroleiro chinês, sancionado pelos EUA, atravessou o estreito.
  • As Forças Armadas do Irão consideraram o bloqueio “ilegal”.
  • Os Estados Unidos anunciaram que vão começar a usar meios aéreos para aplicar o bloqueio em Ormuz.
  • Uma fonte revelou à Bloomberg que o Irão está a ponderar pausar os carregamentos de navios, para não testar o bloqueio.
  • Um porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana disse que os iranianos ainda podem usar “capacidades ainda não usadas” caso o conflito se agrave.
  • Um conselheiro do Líder Supremo, Mohammad Mokhber, avisou que o Irão vai “abrir novas frentes” e “aumentar as pressões económicas”.
  • O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que pode haver novas conversações entre Estados Unidos e Irão “ao longo dos próximos dois dias”. “Eles gostariam de fazer um acordo. Gostariam muito”, afirmou.
  • O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse ao homólogo francês, Emmanuel Macron, que as negociações no Paquistão colapsaram por causa de exigências “nada razoáveis” dos EUA.
  • Contudo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, sublinhou que o cessar-fogo está a aguentar.
  • Os Estados Unidos decidiram não renovar a suspensão de sanções às exportações de petróleo do Irão.
  • Um porta-voz do Governo iraniano admitiu que o regime não tem fundos suficientes para cobrir toda a reconstrução do país após a guerra.
  • O porta-voz do Parlamento iraniano, Bagher Ghalibaf, elogiou o Papa Leão, chamando-lhe “sem medo”. Donald Trump disse “não ter nada pelo qual pedir desculpa”, um dia depois de ter atacado o Papa em matérias como a sua posição face à Guerra do Irão.
  • A Rússia retirou praticamente todo o pessoal que tem numa central nuclear iraniana.

Em Israel e no Líbano

  • Os embaixadores do Líbano e de Israel em Washington tiveram conversações que contaram com a presença do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Não houve detalhes públicos sobre como decorreram as negociações, mas o embaixador israelita, Yechiel Leiter, classificou-as como “excelentes”.
  • As IDF anunciaram que um soldado morreu e três ficaram feridos em combates no sul do Líbano. Ao todo, 154 militares ficaram feridos desde a última quinta-feira, estando 34 deles em estado grave.
  • Ataques israelitas danificaram o Hospital Governamental de Tebnin, no sul do Líbano. Israel fez vários ataques ao Hezbollah em Aadchit al Qoussair.
  • As IDF avançaram mais em direção à cidade de Bint Jbeil, que está agora cercada.
  • O Hezbollah anunciou ter levado a cabo 44 ataques contra o norte de Israel e 24 contra as forças israelitas no sul do Líbano, ao longo de 24 horas.
  • O grupo armado xiita classificou as conversações entre Israel e o Líbano em Washington como “fúteis”.
  • O líder do Hezbollah, Naim Qassem, acusou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de estar a implementar a “Grande Israel” (tese que defende que o território israelita deve cumprir as fronteiras bíblicas, que englobam todos os territórios palestinianos.
  • O Líbano garante que já morreram 2.089 pessoas no seu território.

No Golfo

  • O ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, o xeque Mohammed al-Thani, pediu mais negociações entre EUA e Israel, dizendo que o foco deve ser acabar com o conflito e não tanto resolver a situação no Estreito de Ormuz.
  • Um organismo britânico anunciou que o Irão terá atacado um cargueiro na costa do Omã a 7 de abril, antes de o cessar-fogo entrar em vigor.
  • O representante máximo da diplomacia dos Emirados Árabes Unidos encontrou-se com o homólogo russo, Sergey Lavrov.

No resto do mundo

  • Nos EUA, o Partido Democrata tentou agendar uma nova votação no Congresso para limitar os poderes do Presidente na Guerra do Irão. O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, classificou o conflito como “um falhanço épico” para os norte-americanos.
  • Cerca de 90 manifestantes que protestavam contra a guerra no Irão foram detidos em Nova Iorque. A organização que liderou o protesto, a Voz Judaica para a Paz, declarou que alguns dos detidos são Chelsea Manning (denunciante dos WikiLeaks), o ator Hari Nef e a vereadora nova-iorquina Alexa Aviles.
  • Itália suspendeu o seu acordo de defesa com Israel e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, classificou os ataques das IDF em Beirute como “inaceitáveis”. Israel convocou o embaixador italiano para protestar.
  • Um canadiano morreu no sul do Líbano, o que levou a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, a pedir a Israel que cesse os ataques ao país.
  • O Reino Unido voltou a apelar que o Líbano seja abrangido pelo cessar-fogo.
  • A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, classificou como “uma loucura” a decisão dos Estados Unidos de partir para um conflito com o Irão.
  • Paris e Londres vão realizar uma reunião na sexta-feira com outros países para criar uma força naval que ajude a resolver a situação no Estreito de Ormuz.
  • O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu respeito pela “soberania, segurança e integridade territorial” dos países do Golfo.
  • A Coreia do Sul avisou que a situação em Ormuz irá prolongar a crise energética.
  • A Suécia apelou à Europa que dependa menos do apoio militar dos Estados Unidos.
  • A Rússia voltou a insistir na sua proposta de receber o urânio enriquecido do Irão, no âmbito de uma negociação de paz.
  • O ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles, disse que o país está “profundamente investido” em assegurar o acesso de navios ao Estreito de Ormuz.
  • O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, alertou que os preços do petróleo podem atingir o nível mais alto ao longo das próximas semanas.
  • O FMI reviu em baixa as suas previsões de crescimento para 2026. O organismo disse que a economia mundial pode “descarrilar” por causa do conflito no Médio Oriente.