José Luís Carneiro aproveitou uma ida a Barcelona, para um encontro de “progressistas de todo o mundo”, para deixar duras críticas ao PSD (e não só). Isto porque, segundo o secretário-geral do PS que tem apelado (sem sucesso) ao diálogo com os sociais democratas, “a direita democrática está numa rampa deslizante para a extrema-direita”.

Em Espanha, no encontro Global Progressive Mobilization, Carneiro atacou o Executivo português: “O Governo tem utilizado temas da extrema-direita, não porque esteja preocupado com os temas da extrema-direita, mas porque é um instrumento de distração da atenção da opinião pública das suas incapacidades e insuficiências para responder às prioridades com que se comprometeu”, atirou, em declarações transmitidas pela SIC e feitas por Carneiro num painel do encontro.

No Instagram, Carneiro partilhou um vídeo ao lado do primeiro-ministro espanhol, com quem esteve em Barcelona. Pedro Sánchez é “uma inspiração pela forma como tem liderado uma agenda progressista, que se preocupa com a prosperidade e o bem estar, e particularmente na defesa do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas. É um exemplo para todos os socialistas democráticos”, elogiou com entusiasmo Carneiro, enquanto o espanhol deixava uma palavra de “confiança, solidariedade, apoio e ânimo” aos socialistas portugueses.

No Instagram, Carneiro, que disse estar num encontro onde se procuram respostas alternativas às que são dadas pelos “populismos”, ainda descreveu Sánchez — que sempre foi próximo de António Costa, também presente neste evento — como um “exemplo de que é possível fazer política com coração e visão de futuro”.

Foi ainda neste encontro que o Presidente brasileiro, Lula da Silva, deixou uma mensagem dirigida a Donald Trump, Xi Jinping, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e Keir Starmer (líderes dos EUA, China, Rússia, França e Reino Unido, membros do Conselho de Segurança da ONU): “Pelo amor de Deus, cumpram com as suas obrigações de garantir a paz no mundo. Convoquem uma reunião e parem com essa loucura de guerra, porque o mundo não comporta mais”, pediu Lula, acusando esses líderes de se terem transformado em “cinco senhores da guerra”.

“A invasão do Iraque foi uma mentira. ‘Cadê’ as armas químicas que o Sadham Hussein tinha? Nunca encontraram. A invasão da França e da Inglaterra na Líbia foi outra mentira. A invasão e o genocídio que foi feito por Israel em Gaza [são justificados por] outra mentira muito grande. E o bombardeio de Israel ao Líbano, a que pretexto? E a invasão dos Estados Unidos ao Irão, a que pretexto?”, perguntou, citado pela Lusa.