A mulher de um sargento do exército norte-americano foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE) no passado dia 14 de abril depois de se dirigir com o marido a uma reunião num posto de imigração em El Paso, no Texas, para dar seguimento ao seu processo de residência permanente.
“Eles levaram simplesmente a minha mulher”, afirmou José Serrano à BBC. O soldado no ativo, que já cumpriu três missões no Afeganistão, explicou que a mulher, Rivera Ortega, estava a acompanhá-lo a uma entrevista para o programa de liberdade condicional, que permite que familiares de militares norte-americanos permaneçam nos EUA enquanto os seus processos de imigração decorrem, quando foi detida. “Uma pessoa abriu a porta, acompanhou-nos pelo corredor e, no fim do corredor, a minha esposa foi detida. Detida sem qualquer ordem, sem qualquer mandado. Levaram a minha esposa. Não me dizem nada”, acrescentou.
Atualmente, Rivera Ortega encontra-se num centro de detenção em El Paso uma vez que, de acordo com o Departamento de Segurança Nacional, é uma “estrangeira ilegal criminosa de El Salvador” condenada pelo “crime federal” de entrar ilegalmente nos EUA. O seu advogado, Matthew James Kozik, que declarou a detenção como “arbitrária e caprichosa”, avançou que o ICE vai deportar Rivera Ortega para o México. De notar que, na segunda administração Trump, o Departamento de Segurança Nacional passou a deportar pessoas para países que não o seu país de origem, um processo conhecido como deportações para “países terceiros”.
Desde a detenção, a mulher de José Serrano já contestou a decisão no Tribunal Distrital dos EUA e solicitou uma ordem para impedir a sua deportação para o México — onde não tem laços e onde as visitas de militares norte-americanos no ativo são restritas.
Natural de El Salvador, Rivera Ortega atravessou a fronteira para os EUA em 2016, solicitando asilo, mas, em dezembro de 2019, um juiz ordenou o repatriamento para El Salvador. Na mesma decisão, o juiz também concedeu a Rivera Ortega o que se designa por “suspensão da expulsão” ao abrigo da Convenção contra a Tortura, impedindo que fosse enviada de volta ao seu país, com base no facto de que poderia sofrer danos físicos. A mesma decisão concedeu-lhe a permissão para permanecer nos EUA.
Por sua vez, Matthew James Kozik defende que Rivera Ortega possuía uma autorização de trabalho válida e que lhe tinha sido anteriormente concedida uma suspensão da deportação para El Salvador. O Departamento de Segurança Interna afirma, mesmo assim, que Rivera Ortega entrou ilegalmente nos EUA em 2016 e que um juiz emitiu uma ordem final de deportação em dezembro de 2019: “A autorização de trabalho não confere qualquer estatuto legal para permanecer no país. Rivera-Ortega permanece sob custódia do ICE enquanto aguarda a deportação”, citou a Associated Press.
Também no início do mês o ICE deteve temporariamente a mulher de um outro militar norte-americano, Matthew Blank. De acordo com a BBC, Annie Ramos, de 22 anos, esteve detida durante cinco dias antes de ser libertada. A mulher é uma imigrante sem documentos que foi das Honduras para os EUA quando era criança.
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