Um homem foi absolvido das acusações de que tinha levado a mulher a cometer suicídio, em 2017, graças a uma campanha de violência doméstica e sexual contra a mesma. Christopher Trybus, de 43 anos, foi acusado de violar repetidamente Tarryn Baird e de submeter a mulher a comportamentos coercivos e controladores que a levaram ao suicídio. Entre as acusações de controlo coercivo estavam alegações de que Trybus seguia e vigiava a mulher, para além de limitar o seu acesso às contas bancárias, isolá-la da família e ameaçar revelar informações privadas.

Esta quarta-feira, o júri no Tribunal da Coroa de Winchester concluiu que estava inocente. Se tivesse sido condenado, Trybus seria a primeira pessoa no Reino Unido a ser considerada culpada de homicídio involuntário por ter levado o parceiro a cometer suicídio.

Tarryn Baird foi encontrada morta na garagem da casa em Swindon, Wiltshire, a 28 de novembro de 2017, quando tinha 34 anos. De acordo com a acusação, antes de morrer, o marido tinha tentado afogá-la, espancou-a com uma barra de metal, violou-a enquanto estava imobilizada e sufocou-a até ficar inconsciente. “Foi o controlo e a violência física infligidos, incluindo a violência sexual e a ameaça e o medo de violência física e sexual da parte dele para com ela, que levaram Baird a tirar a própria vida”, defendeu o procurador Tom Little KC durante o julgamento, citou o The Guardian.

Antes de morrer, a mulher de Christopher Trybus deixou um bilhete para a família: “Peço imensa desculpa, mas já não aguentava mais. Sei que talvez não compreendam isto, mas não consigo explicar a nuvem negra que paira sobre mim. Por favor, não deixem que isto vos abale, mas saibam que agora estou livre. Nada que qualquer um de vocês pudesse ter feito teria mudado isto, por favor, saibam apenas isso. Amo-vos e, por favor, perdoem-me.”

Naturais da África do Sul, Christopher Trybus e Tarryn Baird emigraram para o Reino Unido em 2007 e casaram-se dois anos depois. Mas foi só em 2016 que as violações terão começado, com a mãe de Baird a afirmar que a filha se tornou mais distante no final de 2015.

Em tribunal, foi relatado que “apesar de ter considerado seriamente” deixar o marido em várias ocasiões e de lhe ter sido oferecido um lugar num abrigo para mulheres, Baird temia as consequências de o fazer. Antes de morrer, fez mais de 100 visitas ao seu médico de família, onde relatou ter sido violada e apresentou hematomas, que disse terem sido causados por agressões.

Também dias antes da morte, Baird relatou à instituição de caridade Swindon Women’s Aid vários incidentes de violência. No entanto, veio a confirmar-se que Trybus estava fora do país em viagens de trabalho nos dias em que ocorreram várias das alegações.

Em tribunal, o homem defendeu que a mulher tinha problemas de saúde mental devido a um transtorno de stress pós-traumático, após ter testemunhado um assalto à mão armada a um carro na África do Sul quando era mais nova. Trybus afirmou que Baird tinha inventado tudo para chamar a atenção, depois de se ter sentido frustrada com a falta de apoio dos serviços de saúde mental.

A advogada de Trybus, Katy Thorne, disse ao tribunal que os ferimentos de Baird eram autoinfligidos e afirmou que Trybus “a amava e a estimava profundamente” e “que, sem o conhecimento de ninguém, Tarryn Baird estava a fazer alegações manifestamente falsas a profissionais de saúde”, citou o Telegraph. “Existem ferimentos, mas a tese da defesa é que, em várias ocasiões, Tarryn Baird fez alegações de violência que eram manifestamente falsas, por exemplo, ao relatar ferimentos a profissionais de saúde quando Christopher Trybus nem sequer estava no país”, afirmou em tribunal.

Thorne defendeu ainda que Trybus tinha sido “injustamente acusado” e questionou “como é que ele deveria responder às alegações de um caso de há 10 anos”. Por sua vez, Trybus negou sempre as acusações, afirmando nunca ter sido “violentamente agressivo” para com a mulher, tal como nunca a agrediu sexualmente ou tentou controlar.

[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista social. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]