Os dois candidatos à compra de 44,9% do capital da TAP foram convidados pelo Governo a avançarem para a próxima e definitiva fase da operação na qual terão de entregar ofertas vinculativas, foi anunciado esta quinta-feira após o Conselho de Ministros.

Air France-KLM e Lufthansa apresentaram ofertas “muito equivalentes” no plano industrial e até no valor proposto pela TAP na primeira fase de privatização na qual os candidatos tinham de fazer uma primeira oferta não vinculativa. A informação foi avançada pelo ministro das Infraestruturas. Miguel Pinto Luz esclareceu que o relatório da Parpública que avaliou as duas propostas não fez uma hierarquização. “Não houve uma avaliação qualitativa definidora de ranking das duas propostas”.

Limitou-se assim a avaliar se cumpriam os requisitos para poderem prosseguir para a fase seguinte. Os elementos das propostas técnicas dos dois concorrentes estão “alinhados com requisitos e critérios de seleção”, aponta o Governo, para justificar o avanço das duas empresas na privatização da TAP.

Conetividade às regiões autónomas, hub em Lisboa e expansão do Porto, plano para a frota, crescimento no longo curso, desenvolvimento da manutenção e produção de combustíveis sustentáveis (SAF) são aspetos que foram contemplados nas propostas técnicas dos dois grupos.

Os ministros das Finanças e das Infraestruturas não revelaram valores financeiros, invocando a confidencialidade do processo, mas Pinto Luz sinalizou que também no montante as duas propostas estão próximas, o que deixa o Governo “confortável” e convicto de que a empresa está a ser bem avaliada.

Perante essa proximidade, o ministro das Infraestruturas considerou ainda que o valor das ofertas financeiras vinculativas pela TAP poderá ter o “papel preponderante” na escolha do vencedor do concurso.

Miranda Sarmento salienta “a importância estratégica para o país neste processo” e, “ao contrário de processos anteriores, estão na corrida duas das três maiores empresas europeias e grandes players mundiais”, o que mostra “capacidade atrativa da empresa e do país”, declarou o ministro das Finanças, em conferência de imprensa.

As duas companhias europeias terão agora 90 dias para entregarem a oferta vinculativa pela TAP, o que deverá acontecer até julho. A Parpública terá de fazer a avaliação das propostas, nesta fase já com hierarquização, para entregar o relatório até ao final de agosto, para que a decisão final possa ser tomada em setembro. Miguel Pinto Luz destacou a importância da celeridade processual da privatização, tendo em conta o “mercado atual” e a necessidade de dar à TAP um “novo fôlego”.

Questionados sobre o impacto da crise energética e dos preços do jet fuel na operação, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, defendeu que até agora, essa situação não afetou o “valor estratégico” da companhia. Mas o ministro das Infraestruturas admite que um cenário de “crise futura na aviação poderá vir a afetar” o processo de venda, indicando que o Governo está a acompanhar a evolução do setor, bem como a monitorizar o abastecimento de jet fuel.