A BMW não esteve com meias medidas na hora de actualizar o seu Série 7, o topo de gama alemão projectado para quem gosta de conduzir, mas aprecia ainda mais ser conduzido, como se de um lounge sobre rodas se tratasse. Fazendo valer o seu estatuto de berlina de luxo, o Série 7 teve o privilégio de ser o primeiro modelo da marca já existente, ou seja, não projectado de raiz, a receber uma série de tecnologias próprias da Neue Klasse, a designação que a marca alemã dá à sua nova geração de modelos e que não se limita apenas à introdução de novas plataformas, contemplando também um salto em frente em termos de motores, baterias e, como não poderia deixar de ser, uma electrónica e um software mais sofisticados.
No caso do Série 7, esta nova abordagem resultou em mudanças no design, no conforto a bordo e na digitalização, com especial enfoque nas variantes eléctricas i7 (as quais merecerão análise autónoma). Mas é sobretudo no arsenal de tecnologia embarcada que o Série 7 mais aposta para procurar impor a sua superioridade perante a concorrência, em especial face ao (eterno) rival Mercedes Classe S, para o que tira partido da Inteligência Artificial (IA) numa série de funções. E nem os pneus escapam à nova “moda”.
▲ Alguns detalhes deste "restyling"
Por fora, mais imponente. A engenharia visual domina
Goste-se ou não, a BMW não tem temido ser ousada na evolução da sua linguagem estilística. E o novo Série 7 é prova disso mesmo, estreando uma estética em que as poucas linhas de corte visíveis e a ideia de continuidade das superfícies fazem com que a berlina pareça esculpida num só volume, o que confere ao modelo uma imagem de robustez e reforça o seu carácter estatutário.
Entre as mudanças mais relevantes, o destaque vai para a frente monolítica, como se de um só bloco se tratasse, onde sobressai a típica (e mastodôntica) grelha de duplo rim e os novos faróis em cristal, mais minimalistas e portadores de uma assinatura luminosa mais rebuscada. A traseira também surge redesenhada, com novas ópticas e uma aparência mais sólida, ao passo que, visto de perfil, o renovado Série 7 apresenta linhas mais fluidas e elegantes.
Mas, como é apanágio da marca, tudo isto pode ser “apimentado” com a aquisição de pacotes de personalização, elevando o preço e, com ele, a diferenciação do topo de gama. Este, de série, monta jantes de 20 polegadas, mas opcionalmente permite ao cliente “chegar” às 22 polegadas e, além dos já conhecidos pacotes desportivos M Sport, passa a oferecer novos “devaneios” de customização, incluindo uma pintura Dual Finish.
Por dentro, luxo e tecnologia a rodos
Como é habitual, a renovação do Série 7 capricha no luxo a bordo, com ênfase para a nobreza dos materiais, para a precisão e detalhe nos acabamentos e, sobretudo, para a tecnologia embarcada. Um cocktail ao melhor estilo de quem prefere (e pode) viajar em primeira classe, com mordomias previstas especialmente para quem delega a condução no chauffeur e aproveita a “boleia” para descontrair ou trabalhar. Exemplos disso são o BMW Theatre Screen para os passageiros traseiros, permitindo streaming em 8K, jogos e videochamadas, bem como os bancos Executive Lounge, ambos opcionais.
Mas onde o renovado Série 7 mais evolui é na forma como tira partido da IA para incrementar o conforto e a segurança. Tal como referimos acima, até os pneus beneficiam desta nova “ferramenta”, a BMW a monitorizar constantemente a condição dos pneumáticos por via digital, recorrendo a algoritmos de Inteligência Artificial. Mas há mais: também o assistente de estacionamento proposto de série e a identificação de lugares para estacionar, assim como as manobras necessárias para parquear passam a contar com o apoio da IA. E o assistente pessoal alarga igualmente a prestação de serviços, cortesia da IA, com melhorias no controlo por voz, mais funcionalidades e o suporte da tecnologia IA Amazon Alexa+. As vantagens de integrar soluções da Neue Klasse estendem-se, ainda, à arquitectura de software e de electrónica actualizável.
Quanto à condução autónoma, o sistema continua a ser um nível 2 e, segundo a marca, “permite a condução sem as mãos no volante até 130 km/h, em auto-estrada e em diversos países europeus”, enquanto que, na cidade, “agora é possível fazer viagens guiadas por navegação” de um ponto para o outro.
Segundo a imprensa internacional, o BMW Série 7 renovado deverá iniciar a sua comercialização na Europa no próximo Verão, prevendo-se que siga depois para mercados como o português. A gama deverá manter versões a combustão com tecnologia híbrida leve de 48V, sendo de destacar o aumento da potência do 740d xDrive, que salta para os 313 cv e 670 Nm, e passa a ser acompanhado pelo 740 xDrive (400 cv e 580 Nm), com ambos a contar com o apoio de um motor eléctrico com 13 kW (18 cv). Mais relevantes são as variantes híbridas plug-in (PHEV) que irão reforçar a gama, designadamente as versões 750e xDrive e M760e xDrive, que oferecem uma potência combinada de 489 cv e 612 cv, respectivamente, devendo homologar em WLTP uma autonomia em modo eléctrico entre os 70 e os 80 km. A confirmar‑se, estas versões PHEV deverão reforçar a gama mais perto do final do ano.