O Governo da Roménia, liderado por Ilie Bolojan, caiu esta terça-feira após a aprovação de uma moção de censura. O documento foi aprovado com 281 votos a favor (dos 464 possíveis), apenas quatro contra e três nulos, com a votação a não contar com os deputados do Partido Nacional Liberal (PNL), o principal partido do executivo que, apesar de terem permanecido no plenário, não votaram.
O documento, apoiado pelo Partido Social-Democrata (PSD) — que até abril integrou o Governo — e pela direita radical Aliança para a União dos Romenos (AUR), acusa o governo de opacidade nas planeadas privatizações de empresas públicas e de não agir contra o aumento do custo de vida e a desvalorização do lei (moeda oficial).
“A Roménia não é uma commodity, e as empresas do Estado não estão ativas para cobrir fracassos políticos”, lê-se no texto, a que o jornal romeno Adevărul teve acesso. O documento também acusa o Governo de estar a preparar uma “ação opaca” para o processo de privatizações, que alegadamente tem como destinatários “investidores selecionados, sob condições distintas”, cujas vendas serão feitas a “preços mais baixos do que os reais”.
Além disso, o Banco Nacional da Roménia fixou, na segunda-feira, a taxa de câmbio do euro a 5,1998 lei, um aumento de 2% face à semana anterior e teme o aumento das taxas de crédito e dos preços para bens de importação.
O primeiro-ministro demissionário, Ilie Bolojan, acusa o PSD de “jogos políticos” por ter feito parte do Governo e defendeu as medidas de combate à crise como tendo sido necessárias. “Não houve correção do défice sem uma restrição económica. Mas talvez [o PSD] tenha tido a oportunidade de demonstrar como se faz tudo isto sem perturbar ninguém”, atirou Bolojan.
A defesa da moção de censura foi protagonizada por George Simion, líder da AUR, que acusou o executivo de “divisão e pobreza” e de não ter cortado nos “privilégios” de detentores de cargos públicos. “Tiveram dez meses para cortar os privilégios e não os cortaram; em vez disso, tiraram das mães, veteranos, pensionistas e grupos vulneráveis”, afirmou Simion.
O líder do PSD, Sorin Grindeanu, criticou a gestão económica do governo e o processo seletivo para a gestão de empresas públicas.
Ilie Bolojan vai manter-se como primeiro-ministro interino, até à nomeação de um novo chefe de Governo, com o PNL e o PSD a não excluírem uma nova coligação.