Foi uma época de altos e baixos, mas que vai acabar na mó de cima. Com o regresso à Liga dos Campeões assegurado e o primeiro lugar longe do horizonte, o Manchester United partia para as derradeiras três jornadas do Campeonato inglês com muito por pouco jogar, com o clube a cumprir o principal objetivo depois da chegada de Michael Carrick, que sucedeu a Ruben Amorim. Apesar de estarem a ter um final de temporada bastante tranquilo, os red devils queriam ainda terminar nos três primeiros classificados da Premier League, algo que não acontecia desde 2022/23, com Erik ten Hag. Para isso, o Man. United precisava “apenas” de vencer o jogo deste sábado, em casa do sábado, algo que, a acontecer, garantia a quarta vitória consecutiva do clube.

Depois do drama, houve tragédia mas acabou sem horror: United vence Liverpool e garante regresso à Liga dos Campeões

Nos dias que se seguiram ao triunfo frente ao Liverpool, Bruno Fernandes voltou a estar em destaque no universo do Man. United, tendo sido eleito o jogador do ano pela Football Writers’ Association (FWA), a associação de jornalistas e correspondentes de futebol de Inglaterra. O médio português foi eleito numa votação que contou com cerca de 900 votantes e tornou-se no primeiro jogador dos red devils a receber o prémio depois de Wayne Rooney, em 2010. Para além disso, Bruno é o nono jogador da história da equipa de Manchester a conquistar o prestigiado prémio, que começou a ser entregue a partir de 1947/48, figurando ao lado de Johnny Carey (1949), Sir Bobby Charlton (1966), George Best (1968), Éric Cantona (1996), Roy Keane (2000), Teddy Sheringham (2001) e Cristiano Ronaldo (2007 e 2008) também conquistaram o prémio.

“É fantástico. Estou muito feliz por Bruno. Acho que ele realmente merece. Esta temporada, e certamente desde que eu estou aqui, as prestações e o impacto que teve no grupo foram fantásticos. Fico muito feliz que ele tenha recebido algo assim. Não acho que ele seja, necessariamente, um jogador motivado pela vontade de ganhar prémios individuais, acho que é um jogador que trabalha em equipa. Demonstra isso em sua liderança. É o capitão de equipa e lidera o grupo com eficiência. Isso mostra que, com consistência ao longo do tempo, é possível alcançar um alto nível de desempenho, mesmo diante dos jogadores excecionais que existem na nossa liga. Futuro? Acho que o Bruno está feliz e a jogar um futebol fantástico. Ele parece feliz. Acho que ele vai ter um final de época em grande aqui. Tem um verão importante pela frente, claro. Enquanto clube adoramos tê-lo aqui. Ele é uma parte importante do que fazemos”, assumiu Carrick em conferência de imprensa.

Frente aos black cats, Michael Carrick estava forçado a mexer no seu onze, por conta das ausência de Casemiro, que está em fim de contrato, e de Benjamin Sesko, que tem um problema no tornozelo, para lá de Matthijs de Ligt, que continua lesionado. Nesse sentido, Bruno Fernandes voltou a ser titular, ao passo que Diogo Dalot foi relegado para o banco, com Noussair Mazraoui a voltar à equipa. Para lá do marroquino, Lisandro Martínez, que cumpriu suspensão na última partida e substituiu Ayden Heaven, Amad Diallo e Joshua Zirkzee regressaram ao onze. Por seu turno, Régis Le Bris fez apenas uma alteração, com Lutsharel Geertruida a substituir o lesionado Dan Ballard.

Com a chuva e o frio a fazerem-se sentir no norte de Inglaterra, o início de jogo trouxe um Sunderland interventivo no ataque, e que quase chegou ao golo nos primeiros minutos, numa jogada em que Enzo Le Fée lançou Noah Sadiki em velocidade, o médio aproveitou o espaço oferecido pela defesa do Man. United e desferiu um remate que obrigou Senne Lammens a esticar-se (7′). A resposta dos red devils só apareceu para lá dos 20 minutos, quando Matheus Cunha cruzou com perigo para Joshua Zirkzee que, depois de ter falhado o tempo de salto, ainda conseguiu desviar por cima (28′). Depois do intervalo, o Man. United construiu a sua melhor jogada até então, com Bruno Fernandes a isolar Diallo na meia-direita, mas o cruzamento do avançado acabou cortado por Nordi Mukiele (52′).

Depois de um início tremido, os black cats voltaram a crescer no jogo e, com um remate cruzado de fora da área de Geertruida, acertou no ferro da baliza de Lammens (71′), numa fase em Patrick Dorgu já tinha substituído Zirkzee. Perante o jogo paupérrimo da sua equipa, Carrick voltou a mexer logo a seguir, para colocar Bryan Mbeumo no ataque, no lugar de Diallo. Por sua vez, Le Bris optou por colocar Nilson Angulo em detrimento de Chemsdine Talbi. Na reta final do jogo, Eliezer Mayenda ainda entrou para o lugar de Trai Hume, mas o nulo persistiu até ao fim, com Robin Roefs a travar a última tentativa visitante, de Matheus (90+3′). Desta forma, o Man. United empatou sem golos pela primeira vez na presente temporada, ao passo que o Sunderland repetiu o que tinha feito frente ao rival Man. City (0-0).

Por outro lado, o tão aguardado registo de cinco vitórias consecutivas dos red devils vai ter de esperar pela próxima época, restando apenas duas partidas na presente temporada. De recordar que o Man. United não bate esse registo desde outubro de 2024. Quanto a Bruno Fernandes, que tem oito golos 19 assistências nesta Premier League, o recorde de passes para golo numa só época também vai ter de esperar, com o português a precisar de uma assistência para igualar Thierry Henry e Kevin de Bruyne.