A Câmara de Barcelos aprovou o projeto de execução atualizado da nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do concelho, um investimento superior a 37,5 milhões de euros que foi anunciado esta segunda-feira.

Em comunicado, o município do distrito de Braga sublinha que se trata do “maior investimento de sempre” na despoluição do rio Cávado.

A abertura do concurso público para a construção da nova ETAR depende, agora, da emissão da declaração de impacte ambiental pela Agência Portuguesa do Ambiente e da obtenção do parecer final da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

A câmara estima que o concurso seja lançado ainda em 2026 e que a obra esteja concluída no final de 2028.

A nova ETAR nova vai substituir a atual, em funcionamento desde 1999 e “tecnicamente obsoleta, com uma capacidade de resposta limitada face à evolução demográfica, urbana e industrial do concelho”.

“As limitações técnicas que o atual equipamento apresenta traduzem-se num tratamento inadequado das águas residuais e, consequentemente, na poluição dos corpos hídricos locais, comprometendo a biodiversidade e a saúde pública”, acrescenta.

Por isso, lê-se no comunicado, o investimento na construção de uma nova ETAR está identificado no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais e Pluviais (PENSAARP 2030) “como uma prioridade de primeira linha para resolver passivos ambientais graves”.

A nova ETAR terá capacidade para tratar não só as águas residuais das habitações, mas também a poluição gerada pelas indústrias têxteis do concelho. Estima-se que, em 2029, mais de 73 mil pessoas estejam efetivamente ligadas à rede e a beneficiar do serviço.

O município refere que um dos grandes desafios técnicos do projeto reside no facto de cerca de 35% dos afluentes serem de origem industrial, maioritariamente do setor têxtil (tinturarias), apresentando corantes e compostos orgânicos de difícil degradação e exigindo tecnologias avançadas.

“A tecnologia escolhida utiliza microrganismos benéficos para eliminar a poluição presente nas águas residuais, num processo prolongado que garante um tratamento mais eficiente. Este sistema consegue remover compostos nocivos, como o azoto, sem necessidade de equipamentos adicionais”, explica.

Depois desta fase biológica, a água passará por um tratamento complementar, que inclui filtros muito finos e a aplicação de ozono, para eliminar a cor e os poluentes mais resistentes, típicos dos efluentes provenientes da indústria têxtil. “Garante, assim, o cumprimento dos parâmetros legais de qualidade da água do rio Cávado”, sublinha.

Além disso, a nova ETAR foi projetada para consumir menos eletricidade, com arejadores eficientes e motores que só trabalham quando for necessário. Para ganhar autonomia, vai produzir a sua própria energia através de painéis solares e de uma pequena central hidroelétrica na saída da água tratada.

A água tratada será reutilizada dentro da estação, as areias retiradas dos resíduos serão reaproveitadas e os materiais de demolição terão nova vida. A água limpa será devolvida ao rio Cávado, numa área integrada no Parque Natural do Litoral Norte, um ecossistema sensível que alberga espécies protegidas como a lontra.

“Ao reduzir significativamente a carga poluente descarregada no rio, a nova ETAR contribuirá para a melhoria da qualidade da água e, indiretamente, para a preservação dos habitats e da biodiversidade da região”, aponta ainda o município.