O Hamas exerceu violência sexual de forma “deliberada, coordenada e integrada no ataque” de 7 de outubro de 2023 e sobre os reféns, conclui um relatório publicado pela Comissão Civil, uma organização não-governamental fundada para investigar os crimes de género cometidos naqueles dias.

“A violência sexual e de género formaram uma componente central do ataque de 7 de outubro e do cativeiro dos reféns”, lê-se no relatório, publicado esta terça-feira pela AP, elaborado através da recolha de mais de dez mil fotografias e vídeos, mais de 430 testemunhos de sobreviventes de 52 nacionalidades, testemunhas, familiares das vítimas e especialistas.

Os testemunhos relataram 13 formas recorrentes de violência, sobretudo contra mulheres, como violações em grupo, mutilação sexual, profanação sexual de cadáveres, nudez forçada, disseminação de vídeos nas redes sociais e violações na presença de familiares das vítimas.

Além disso, o relatório também relata episódios de violência contra homens e crianças e, num dos casos, os familiares de uma das vítimas foram obrigados a participar em atos de violação contra um dos reféns, avança o mesmo documento.

Uma testemunha relatou que uma mulher foi violada, morta e novamente violada pelos perpetradores. “Quando eles estavam a violar [a mulher], ouvimo-la gritar”, relatou Raz Cohen, uma das pessoas entrevistadas para o relatório, que testemunhou o assassinato da mulher, seguido de um novo episódio de violação. “Eles violaram-na de novo, mesmo depois de já não se mexer”, confidenciou.

Uma outra testemunha, um homem, afirmou que também foi objeto de violência sexual, tendo sido vítima de violação em grupo e ouvido mulheres a serem violadas de forma recorrente. “Eles riram, estavam realmente satisfeitos, como se eu fosse a boneca sexual deles”, lembra.

A comissão considera que os atos cometidos constituem “crimes de guerra, crimes contra a humanidade, e atos genocidas de acordo com o Direito Internacional”, com os testemunhos recolhidos “sistematicamente registados, codificados e cruzados em termos de tempo e localização, além de analisados por meio de conjuntos de dados com apoio de geolocalização, consultoria de especialistas e revisão interdisciplinar”.

Este relatório não é o primeiro a concluir a existência de violência sexual durante e após os ataques de 7 de outubro, mas é o mais extenso publicado até agora. Em 2024, as Nações Unidas publicaram um relatório sobre violência sexual contra reféns do 7 de outubro e contra palestinianos presos em Israel, que concluía que “alguns reféns foram submetidos a violência sexual e de género enquanto estavam em cativeiro”.

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