O governador do Banco de Portugal (BdP) admite que, em junho, o BCE opte pelo aumento da taxa de juro, se as previsões de inflação do Banco Central Europeu (BCE) o justificarem.

Entrevistado no programa Conversa Capital da RTP Antena 1 e do Jornal de Negócios, Álvaro Santos Pereira afirmou que a prioridade do seu mandato é a inflação, que exige uma atuação célere e eficaz. “É importante, quando existem espirais inflacionistas, agir rápida e decididamente”, explicou, reforçando a necessidade de atenuar os efeitos da subida de preços nos bolsos dos portugueses. Com a próxima reunião de política monetária do BCE agendada para 11 de junho, a subida da taxa de juro pode estar para breve, admitiu o governador.

Santos Pereira destacou também a necessidade de impedir o crescimento da taxa de crescimento do crédito à habitação acima dos 10%. “Muitas crises começaram no imobiliário”, referiu o responsável pelo supervisor da banca, admitindo pressionar o Governo para aprovar recomendações vinculativas que evitem o sobre-endividamento das famílias.

Com um aumento dos preços da habitação a rondar os 17,6% apenas no último ano, Santos Pereira já tinha sinalizado a intenção de travar a subida do crédito com uma redução da taxa de esforço máxima dos atuais 50% para 45%.

Banco de Portugal está a preparar bancos para redução do limite da taxa de esforço no crédito à habitação para 45%

O responsável do BdP realçou que Portugal é “um dos poucos países europeus que ainda não tem recomendações vinculativas” a este respeito, motivo pelo qual admitiu falar com o Governo. “Se tivermos uma taxa de crescimento do crédito da habitação a crescer 10% ao ano, em 7 anos duplicamos o crédito da habitação”, enfatizou Santos Pereira. “Passados 7 anos, duplicamos ainda mais. Ou seja, quadruplicamos”.

O relaxamento das regras tem consequências negativas sobre a estabilidade financeira, acrescentou, criticando a tentação dos bancos de “facilitarem demasiado” em períodos de elevada liquidez no mercado.

Na mesma entrevista, Santos Pereira realçou a importância de aumentar os salários no país. Questionado sobre a polémica compra de ações de empresas do setor não financeiro no início do seu mandato, respondeu que foi um “mal-entendido”.