O candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella venceu a primeira volta das eleições presidenciais na Colômbia este domingo, recolhendo 43,74% dos votos, o correspondente a 10,3 milhões de votos. Já o candidato de esquerda Iván Cepeda, que é apoiado pelo atual Presidente colombiano Gustavo Petro, obteve 9,8 milhões de votos, o que corresponde a 40,9% dos votos. A segunda volta, entre estes dois candidatos, está marcada para dia 21 de junho.

A vitória de Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, contrariou as sondagens que apontavam para uma vitória de Iván Cepeda na primeira volta. “Vamos derrotar a tirania e o absolutismo. Dentro de 21 dias faremos história!”, garantiu o candidato, num vídeo publicado nas redes sociais, em que surge junto à família.

A vitória de Abelardo de la Espriella não foi bem recebida pela esquerda. O chefe de Estado da Colômbia, Gustavo Petro, e o candidato Iván Cepeda rejeitaram os resultados. “Como Presidente, não aceito os resultados preliminares da contagem”, escreveu Petro na rede social X, onde reiterou as críticas ao sistema eletrónico e afirmou que apenas reconhecerá a contagem oficial emitida pela justiça da Colômbia.

Petro sustentou que a contagem, cujos resultados são meramente informativos e não têm validade legal, assenta num programa que apresenta inconsistências em relação ao recenseamento eleitoral oficial. “As seções eleitorais já impugnadas demonstram que centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência dos eleitores“, acusa Petro.

Petro voltou a fazer alusão a Thomas Greg & Sons, empresa que tem estado no centro de uma disputa com o Governo sobre o contrato de emissão de passaportes e a participação em vários processos eleitorais.

Também Iván Cepeda disse que não reconhecerá os resultados das eleições até que as dúvidas sobre o processo relacionadas com o recenseamento eleitoral e as contestações em várias mesas de voto sejam resolvidas. “Há uma discrepância que queremos verificar em relação ao recenseamento eleitoral, e não se trata de uma discrepância qualquer: estamos a falar de 885 mil pessoas”, disse Cepeda aos apoiantes em Bogotá.

Perante os apoiantes, na cidade de Barranquilla, Abelardo de la Espriella pediu aos adversários políticos para não colocarem em causa os resultados do escrutínio. “Não se atrevam a insistir em ignorar os resultados das eleições, porque o povo vai levantar-se e castigar-vos”, disse o candidato de extrema direita, vestido com a camisola da seleção colombiana, que usa frequentemente.

Cepeda confiante em vitória na segunda volta mas cenário é adverso

Apesar da inesperada derrota deste domingo, o candidato de esquerda Iván Cepeda, do Pacto Histórico, manifestou confiança numa vitória na segunda volta e deixou duras críticas ao adversário. “Vamos vencer na segunda volta, não tenham dúvidas (…) Não vamos deixar o fascismo tomar conta da Colômbia”, disse Cepeda, acusando Abelardo de la Espriella de ser o “vigarista dos vigaristas, um vigarista dos traficantes de drogas”.

“O senhor De la Espriella representa o fascismo mafioso, que fique bem claro“, disse Iván Cepeda, antecipando que, se o candidato do movimento Defensores da Pátria for eleito, “não haverá diversidade sexual nem respeito pelas mulheres”. “Ele é misógino e homofóbico”, acusou.

Os resultados da 1ª volta reforçam o favoritismo de Abelardo de la Espriella para a segunda volta, a 21 de junho. Em terceiro lugar, com 6,9% dos votos, ficou a candidata conservadora Paloma Valencia, do partido Centro Democrático. A proximidade ideológica com o candidato de extrema direita poderá levar à transferência de parte significativa dos votos de Paloma Valencia para de la Espriella na segunda volta.

Em quarto lugar ficou o centrista Sergio Fajardo, do partido Dignidade e Compromisso, com 4,3% dos votos expressos.

Na capital, Bogotá, Iván Cepeda foi o candidato mais votado na primeira volta, por uma curta margem. Contudo, Abelardo de la Espriella venceu de forma confortável — com mais do dobro dos votos de Cepeda — na província de Antioquia, que abarca a segunda maior cidade do país, Medellín.

Em Portugal, a votação (que decorreu nos consulados de Lisboa e Porto) terminou com a vitória de Iván Cepeda, que recolheu 1.329 votos, contra 1.176 de de la Espriella.