A Toyota arrancou com as entregas a clientes do C-HR+, o mais recente eléctrico da marca que, apesar das semelhanças na designação, nada tem em comum com o C-HR, o híbrido que há muito é comercializado entre nós. Começa por ser mais comprido 15,8 cm, 3,8 cm mais largo e 3,7 cm mais alto, oferecendo ainda mais 11 cm entre eixos, para reforçar a habitabilidade, sobretudo no banco traseiro. Como se isto não bastasse, o C-HR+ disponibiliza mais bagageira, com a volumetria a subir de 388 para 416 litros.
Além de ser mais generoso em matéria de espaço interior, o C-HR+ consegue ainda ser mais agradável à vista, além de mais eficiente aerodinamicamente, ao reivindicar um Cx de 0,26, em vez do 0,32 do C-HR com o motor principal a gasolina. E esta é uma melhoria que é bem-vinda, uma vez que, ao ser eléctrico, o C-HR+ necessita de toda a ajuda para “esticar” a autonomia permitida pela energia armazenada na bateria.
Duas capacidades de bateria e tracção à frente ou 4×4
Para motorizar o seu novo SUV eléctrico do segmento C, a Toyota preparou duas baterias com iões de lítio mas diferentes capacidades, uma com 57,7 kWh brutos (54 kWh úteis, a aceitar carga com potências de 150 kWh em DC e 11 kWh em AC) e uma segunda mais generosa com 77,7 kWh (72 kWh úteis, recarregáveis a 150 kW em DC e 22 kWh em AC), destinada a colocar o C-HR+ em pé de igualdade com os melhores SUV eléctricos do segmento C, ao anunciar até 607 km entre recargas com transmissão 4×2 e a bateria com 72 kWh. A bateria mais pequena, com 54 kWh, anuncia 458 km de autonomia.
Para locomover o SUV eléctrico, o construtor nipónico preparou um motor síncrono com magnetos permanentes, com 167 cv para a versão com a bateria pequena e 224 cv com a grande, que monta sempre no eixo dianteiro. Nas versões com quatro rodas motrizes (AWD), a Toyota instala no eixo posterior um segundo motor com 121 cv, para que as versões mais potentes do C-HR+ atinjam 343 cv.
O novo SUV a bateria anuncia, na versão Exclusive (com 54 kWh e 167 cv), 140 km/h de velocidade máxima e 8,4 segundos de 0-100 km/h, para depois ser capaz de percorrer 458 km entre visitas ao posto de carga. A versão Premium, com apenas um motor de 224 cv, mas associado a um acumulador com 72 kWh úteis, anuncia 160 km/h e 7,3 segundos de 0-100 km/h, sendo que a autonomia sobe para uns muito interessantes 607 km, um bom valor para um SUV deste segmento.
Como é ao volante?
Tivemos a oportunidade de conduzir o C-HR+ em Portugal e agradou-nos o espaço interior para um modelo desta bitola, bem como o conforto em pisos mais irregulares, daqueles em que as ruas das nossas cidades são férteis, bem como as estradas menos utilizadas. A posição de condução é boa, com o volante pequeno a cair bem na mão, com a Toyota a inspirar-se na Peugeot e a colocar também o painel de instrumentos visível por cima do volante. O ecrã central com 14” é legível e funcional, mas pareceu-nos que o software que o suporta não figura entre os mais modernos do mercado.
Num percurso com algum trânsito e pouca auto-estrada, o “nosso” C-HR+ não atingiu o anunciado consumo de 13,4 kWh/100 km, o que nem era previsto acontecer, uma vez que as versões do SUV eléctrico com apenas um motor à frente só anunciam esse consumo caso montem os pneus em jantes de 18”. Como a nossa unidade montava jantes 20”, o melhor que conseguimos foi um consumo de 14 kWh/100 km, ainda assim abaixo do que o construtor homologou em WLTP (14,6 kWh/100 km) para a versão com 224 cv e 72 kWh de bateria. Isto apontou para uma autonomia de 514 km, contra os 560 km anunciados pela Toyota com jantes 20”, valor que subiria para 607 km com jantes 18”.
No percurso que realizámos, tivemos ainda a oportunidade de usufruir do tejadilho panorâmico em vidro de grandes dimensões, que reforça a luminosidade no interior. E se não fizemos uma incursão por todo-o-terreno, ao lidar com os passeios que tínhamos de subir ocasionalmente, constatámos que os 18,5 cm de distância ao solo vão permitir à maioria dos condutores deslocar-se a uma praia ou através do campo, em busca do local ideal para um piquenique, sem grandes dificuldades. E pode levar um reboque, uma vez que à excepção do C-HR+ com bateria de 54 kWh, os equipados com 72 kWh rebocam até 750 kg (com travões) com o motor de 224 cv, enquanto o SUV pode puxar até 1500 kg na versão AWD com dois motores que totalizam 343 cv.
O Toyota C-HR+ já está disponível para entrega. A versão de acesso à gama anuncia 167 cv, bateria de 54 kWh, uma autonomia de 458 km e preços a partir de 41.480€. A versão mais potente com um motor com 224 cv, alimentado por uma bateria com 72 kWh, exige um investimento inicial de 46.100€. Já o topo de gama do C-HR+ é AWD, extrai 343 cv dos dois motores, alimenta-os a partir de uma bateria com 72 kWh e está disponível desde 54.080€.