Quando o Papa Leão XIV aterrou em Espanha, este sábado de manhã, sabia que tinha concorrência na disputa das atenções mediáticas: com o cantor porto-riquenho Bad Bunny a atuar durante dez dias em Madrid, o Papa admitiu com humor que muitos jovens preferirão ouvir o cantor de êxitos como Debí Tirar Más Fotos do que o chefe da Igreja Católica.
Foi ainda a bordo do avião, acompanhado por jornalistas de vários países, que Leão XIV se referiu à “falta de sentido” que alguns jovens encontram nas suas vidas, esperando que a sua visita possa ajudar a “despertar” alguma coisa.
“Se forem confrontados com a pergunta ‘Queres ver o Bad Bunny ou o Papa? Acho que muitos vão ver o Bad Bunny”, gracejou, acrescentando depois: “Mas acho que alguns estarão cá para ver o Papa. E isso diz qualquer coisa”.
Quando saiu do avião, esperado pelos reis de Espanha, deu-se uma imagem rara: a rainha Letizia, de branco da cabeça aos pés, com um vestido rendado, cinto branco e sapatos de salto alto a condizer, como poucas figuras mundiais podem fazer ao lado do Papa — as princesas espanholas, Leonor e Sofía, apareceram vestidas de preto, ambas com vestidos de corte simples e sapatos da mesma cor.
Isto porque se aplica aqui um dos mais antigos protocolos do Vaticano: a regra que impõe que ao lado do Papa as mulheres devem vestir-se de preto, símbolo de “recato, luto e respeito”, como explica o Globo. A exceção existe apenas para meia dúzia de mulheres no mundo, rainhas católicas que têm direito ao chamado “privilégio do branco”.
¿Por qué la Reina Letizia va de blanco con el Papa?
No es un capricho: es el Privilegio del Blanco, una tradición vaticana que permite a las reinas consortes de monarquías católicas vestir de blanco en audiencias con el Santo Padre.
El protocolo habitual exige negro a las demás… pic.twitter.com/cD2XYlEgzB
— Universitarios Católicos (@UniCatolicos_es) June 6, 2026
Assim, Letizia, Charlene do Mónaco ou Matilde da Bélgica têm direito a vestir-se de branco, tal como fizeram na cerimónia de entronização do Papa. Outras monarcas europeias mas com países de tradição protestante, como a princesa Vitória, da Suécia, ou a rainha Máxima, dos Países Baixos, vestiram roupas negras.
As rainhas que têm direito ao “privilégio do branco” devem ainda assim cumprir algumas regras: o vestido deve ser de corte recatado, de mangas compridas e sem decote. A regra simboliza a relação histórica entre a Igreja e as monarquias europeias, mas também a relação específica com casas reais de tradição católica.
Papa prefere o Real Madrid
O Papa não vai visitar apenas a capital espanhola: depois de Madrid, onde começou por visitar o Palácio Real, irá a Barcelona (onde já não enfrentará a concorrência de Bad Bunny, que já atuou na cidade) e às ilhas Canárias.
Também no avião, os jornalistas não resistiram a pedir alguns comentários desportivos ao primeiro Papa norte-americano. E se este confirmou, como seria previsível, que irá torcer pelos Estados Unidos no Mundial de futebol, também revelou que equipa espanhola é que prefere: “Isso é fácil. O Papa torce por todas as equipas, mas Prevost [o seu apelido de nascença] é do Real Madrid”.