Por muito que tentem desvalorizá-lo, por muito que tentem mudá-lo, por muito que tentem retirar-lhe o charme, o Grande Prémio do Mónaco continua a ser o ponto alto do Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Urbana, com paisagens como nenhuma outra, curvas apertadas de cortar a respiração e a ideia de que a escassez de ultrapassagens até é compensada pelo glamour da corrida, a etapa junta todos os melhores ingredientes da modalidade.

E este domingo, no sexto fim de semana da temporada, trazia a particularidade de poder quebrar um recorde. Com apenas 19 anos, Kimi Antonelli tinha a possibilidade de se tornar no mais jovem de sempre a ganhar no Mónaco — ultrapassando e por muito os 23 anos com que Lewis Hamilton, o atual recordista, venceu o Grande Prémio já em 2008. O italiano da Mercedes partia da pole-position, tendo conseguido superar Max Verstappen na última tentativa e por 43 milésimos de segundo, mas não parecia toldado pela confiança.

“Foi uma daquelas voltas a que chamamos uma volta mágica, sabem? Consegui reunir tudo e foi uma qualificação mesmo muito renhida com o Max. Estávamos separados por um centésimo na primeira tentativa da Q3, mas sabia que a última volta seria boa e estava só à espera de que fosse suficiente. Foi muito renhido e estou muito feliz. Um enorme obrigado à equipa, porque tivemos algumas dificuldades ontem e hoje melhorámos imenso. Amanhã só preciso de um arranque limpo, não vou tentar um arranque mágico”, atirou o jovem piloto, que lidera atualmente o Mundial com quatro vitórias em cinco etapas, sendo que aconteceram todas de forma consecutiva.

Assim, Kimi Antonelli arrancava no Mónaco à frente de Max Verstappen, Lewis Hamilton e Charles Leclerc, com George Russell a aparecer atrás de Isack Hadjar. Quanto aos McLaren, que apresentaram algumas melhorias há duas semanas no Canadá, foram apenas 7.º e 8.º, com Oscar Piastri à frente de Lando Norris. Na saída, Antonelli segurou a liderança e Verstappen nem chegou a arrancar, ficando pregado ao asfalto e desistindo pouco depois.

Com Antonelli, Hamilton e Leclerc a manterem o pódio, a grande batalha ficou reservada para o quarto lugar: Isack Hadjar estava desesperado com a temperatura do carro e dos pneus, queixando-se constantemente via rádio, enquanto que George Russell explorava as fragilidades do Red Bull. Já na volta 35, a Mercedes decidiu chamar Russell às boxes e concluiu o undercut, com Hadjar a cair para a quinta posição.

Lando Norris abandonou por problemas mecânicos no McLaren já perto de volta 50 e a classificação começou a ficar em stand by devido a penalizações: Lewis Hamilton estava no segundo lugar, mas tinha cinco segundos para cumprir por exceder a velocidade máxima no pitlane, enquanto que George Russell estava no quarto lugar, mas também tinha cinco segundos para cumprir pelo mesmo motivo. Ou seja, o objetivo de Leclerc e Hadjar seria ficar nessa margem de erro de cinco segundos de distância para subir uma posição na classificação final, ainda que a tarefa do monegasco fosse muito mais atingível do que a do argelino.

A pouco mais de 20 voltas do fim, porém, Lance Stroll despistou-se e motivou um safety-car. A Ferrari chamou os dois carros à box e Lewis Hamilton cumpriu a penalização, o que significou que Charles Leclerc regressou à pista ainda atrás do colega de equipa. George Russell também parou, ainda que sem cumprir os cinco segundos de penalização, mas voltou atrás de Isack Hadjar, já que a Red Bull decidiu não recolher o carro do argelino.

No recomeço, Charles Leclerc saiu em frente numa curva e abdicou da chance de ficar no pódio, motivando um novo safety-car que acabou por tornar-se uma bandeira vermelha por necessidade de reparação da pista, interrompendo a corrida. O Grande Prémio do Mónaco esteve parado durante mais de meia-hora, período em que George Russell foi castigado por não cumprir a penalização na primeira paragem, sendo forçado a passar pelo pitlane.

A corrida recomeçou para as nove voltas finais com uma volta de formação atrás do safety-car e um novo arranque lançado: Kimi Antonelli segurou novamente a liderança, seguido de Lewis Hamilton, enquanto que George Russell subiu ao terceiro lugar à frente de Pierre Gasly e Isack Hadjar. Ainda assim, cumprindo a penalização, o britânico caiu para 14.º e motivou a subida de Gasly ao pódio — sendo que o francês da Alpine também tinha cinco segundos de penalização por cumprir.

No fim, numa corrida com sete abandonos, muitas penalizações e até uma bandeira vermelha, Kimi Antonelli venceu o Grande Prémio do Mónaco, somou o quinto triunfo consecutivo para alargar a vantagem na liderança do Campeonato do Mundo e tornou-se o mais jovem de sempre a ganhar no Principado. Lewis Hamilton e Pierre Gasly cruzaram a meta no pódio, mas a penalização do francês fez com que caísse para 7.º, levando Isack Hadjar para a terceira posição e deixando Oscar Piastri, Liam Lawson e Arvin Lindblad em 4.º, 5.º e 6.º.