O partido Vetëvendosje (Autodeterminação, em português), do primeiro-ministro Albin Kurti, voltou a vencer as eleições legislativas no Kosovo pela quinta vez consecutiva, mas sem maioria absoluta. O ato eleitoral — o terceiro em menos de 18 meses — foi convocado devido à falta de entendimento entre os partidos para eleger um novo Presidente da República.

Kurti manifestou a sua disponibilidade para negociar com os partidos da oposição. No seu discurso de vitória, citado pela agência de notícias Kosova Press, afirmou que a oposição “não vai trabalhar”, mas afirmou que o seu partido está “interessado” em que o “bloco da oposição volte ao trabalho o mais rapidamente possível“, para resolver o impasse na eleição do novo Presidente da República.

O Kosovo vive um período de crise política desde fevereiro de 2025, quando o partido de Kurti venceu as eleições, mas sem maioria. Em dezembro do mesmo ano, um novo ato eleitoral voltou a negar a maioria absoluta, mas que permitiu formar governo em fevereiro, após negociar com os pequenos partidos representantes das minorias étnicas turca, bosníaca, sérvia e egipcía.

No entanto, uma nova crise surgiu quando os partidos da oposição boicotaram a eleição de um novo Presidente, em março e abril, que impossibilitou qualquer candidatura alcançar a maioria de dois terços dos deputados exigida pela constituição, e abriu caminho para novas eleições legislativas.

O país pretende aderir à União Europeia (UE), e é reconhecido pela Comissão Europeia com o estatuto de “potencial candidato”. No entanto, a instabilidade política, assim como a falta de reconhecimento internacional, têm dificultado o progresso nas negociações. O país não é reconhecido por cinco Estados-membro da UE (Espanha, Chipre, Grécia, Roménia e Eslováquia), nem pela Sérvia, que é um país candidato e de onde se separou.

A comissária europeia do Alargamento, Marta Kos, felicitou a vitória do partido de Albin Kurti e apelou ao compromisso entre as várias forças políticas para ultrapassar o atual bloqueio institucional.

“Espero regressar ao Kosovo o mais brevemente possível para intensificar o trabalho na integração do Kosovo na UE e continuar a trabalhar no Plano de Crescimento [para os Balcãs Ocidentais]”, afirmou na rede social X.

De acordo com os resultados finais, registados pela Comissão Central de Eleições, o Vetëvendosje (Autodeterminação, em português), obteve 42,91% dos votos — menos cerca de 8 pontos percentuais em relação às eleições de dezembro de 2025 —, contra 21,12% do Partido Democrático do Kosovo, que cresce cerca de um ponto percentual. A Liga Democrática do Kosovo, liderado pela ex-Presidente do país, Vjosa Osmani, registou uma subida de quatro pontos percentuais, tendo chegado aos 17,58%, com os unionistas albaneses de direita Aliança para o Futuro do Kosovo a atingir 7,16% dos votos, registando uma ligeira subida de cerca de dois percentuais.

Apenas 37,05% dos eleitores foram às urnas, a percentagem mais baixa da história política kosovar. A distribuição do número de deputados será calculada esta segunda-feira, segundo a televisão pública kosovar RTK.