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O PSD/Açores considerou esta segunda-feira que o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, procurou desviar as atenções da situação do seu partido na região quando disse sentir que existe uma “grande instabilidade”no Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).

Carneiro começa nos Açores “rota pela economia do mar” para ouvir e discutir medidas para setor

“O líder nacional do PS refugiou-se em ataques ao Governo Regional para não ter de falar do seu próprio partido na região. O PS/Açores vive num clima de instabilidade permanente, com conflitos internos e uma liderança fragilizada e sucessivamente contestada. Francisco César é incapaz de unir os militantes e de apresentar uma alternativa credível”, disse o líder parlamentar do PSD açoriano, João Bruto da Costa, citado numa nota de imprensa do partido.

A reação do PSD surgiu após o líder nacional dos socialistas ter afirmado que existe no Governo Regional uma “grande instabilidade”, mas que o seu partido tem contribuído para a estabilidade política na região. “Sentimos, vemos, observamos no território do continente que há uma grande instabilidade e uma grave precariedade precipitada por palavras que, do meu ponto de vista, foram imponderadas relativamente ao Governo Regional dos Açores, mas, naturalmente, aquilo que se passa nos Açores diz somente respeito aos açorianos”, afirmou.

José Luís Carneiro, que falava esta segunda-feira em Ponta Delgada, no arranque da rota pela economia do mar, acrescentou que a Assembleia Legislativa Regional e os diferentes partidos “não deixarão de contribuir para a procura da estabilidade” política nos Açores.

“E o PS, por aquilo que sei, tem contribuído para que a estabilidade possa contribuir para o desenvolvimento da região. Vi mesmo na atitude do PS dos Açores a mesma atitude que tem existido no PS nacional em relação ao Governo da República”, afirmou. Numa reação às declarações do socialista, o parlamentar social-democrata referiu que Carneiro “tenta criar ruído para esconder a realidade incómoda que mostra que o deputado Francisco César é um líder a prazo”.

“No PS/Açores há militantes socialistas a organizarem-se fora das estruturas formais do partido para contestar a liderança, há iniciativas paralelas, há ruturas públicas e há candidatos que optaram por avançar à margem do PS em eleições autárquicas. É desta instabilidade permanente de que José Luís Carneiro não quer falar”, disse.

Para João Bruto da Costa, quando um partido como o PS/Açores “vê os seus próprios militantes a criarem plataformas autónomas e a concorrerem fora do símbolo partidário, isso diz tudo sobre o estado interno dessa organização política”.

“É por isso que José Luís Carneiro prefere falar do Governo Regional, pois não consegue explicar por que razão o seu partido nos Açores está dividido, enfraquecido e em conflito interno”, acrescentou. O líder parlamentar do PSD também lembrou que os resultados obtidos pelo executivo liderado por José Manuel Bolieiro “só foram possíveis por existir estabilidade política“.

“Quando há estabilidade política, há confiança, há investimento e há resultados. Foi isso que mudou nos Açores. E é isso que incomoda o Partido Socialista”, sublinhou. Ainda de acordo com o social-democrata, “instabilidade foi o legado deixado pelo PS/Açores, com desemprego elevado, economia estagnada, abandono escolar crónico e serviços de saúde sem resposta”.

Em 2020, o PS venceu as eleições legislativas nos Açores, mas perdeu a maioria absoluta e PSD, CDS-PP e PPM formaram uma coligação pós-eleitoral, colocando fim a 24 anos de governação socialista. As eleições de 2024 foram antecipadas devido ao chumbo do orçamento da região e nesse ato eleitoral os três partidos concorreram coligados e venceram as eleições, ainda que sem maioria absoluta. O acordo de coligação assinado em 2020 previa que os partidos se mantivessem coligados durante dois mandatos.

Numa entrevista ao podcast da Antena 1 Política com Assinatura, em 28 de abril, Bolieiro revelou que, em 2028, o PSD vai concorrer sozinho. Posteriormente, no congresso do CDS-PP, em Alcobaça, o líder regional centrista, Artur Lima, assegurou que a hipótese de não haver coligação pré-eleitoral nas próximas eleições não incomodava o partido.

“Estamos prontos para ir a qualquer eleição, sozinhos, hoje, amanhã, em 27, em 28, e lá vamos com os nossos valores, com o nosso programa e com os nossos princípios”, avançou, garantindo que o CDS-PP irá a votos “sem medo, com coragem”.