A partir de agora é a valer. No fim da preparação para o Campeonato do Mundo, que começou no estágio de março em solo norte-americano, Portugal venceu a Nigéria em Leiria, num duelo em que os suplentes voltaram a ser decisivos. Depois de Pedro Neto ter colocado a Seleção Nacional em vantagem, Akor Adams respondeu em cima do intervalo, num lance em que a defesa ficou mal na fotografia. Já na fase final do jogo, Francisco Conceição, que entrou ao intervalo, garantiu o triunfo com um grande lance individual (2-1). Este jogo ficou ainda marcado pela 50.ª internacionalização de Nélson Semedo, que se tornou no 54.º jogador a chegar à meia centena de jogos por Portugal. O percurso do lateral começou em outubro de 2015 e conta com duas Ligas das Nações e participações nos Europeus de 2020 e 2024, bem como na Taça das Confederações de 2017.

A nação da história e da glória está pronta para a travessia atlântica em busca de mais uma ousada conquista (a crónica do Portugal-Nigéria)

Apesar de a estreia no Campeonato do Mundo acontecer dentro de uma semana, na próxima quarta-feira, persistem as dúvidas em relação ao onze que Roberto Martínez vai apresentar frente ao Congo. Se, por um lado, Diogo Costa, Rúben Dias, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo parecem ter presença garantida na equipa portuguesa, o mesmo não se aplica às outras posições. Na defesa, João Cancelo, Nuno Mendes e Renato Veiga parecem partir na pole position para se juntarem ao central do Man. City, mas Nélson Semedo acabou por ser titular nos dois particulares e está à espreita, até porque Mendes ainda está a recuperar dos problemas físicos. No meio-campo, Vitinha e João Neves são, na teoria, os principais candidatos. Contudo, a dupla do PSG não fez qualquer minuto com Bruno Fernandes nos quatro particulares antes do Mundial e, tanto Samu Costa como Rúben Neves têm sido opção de Martínez, ao contrário de Matheus Nunes.

Curiosamente, o médio do Man. United foi o mais utilizado pelo treinador espanhol nestes dois jogos, tendo feito mais de 130 minutos depois de uma grande época em termos individuais, em que está perto dos 50 jogos. No ataque foram utilizadas todas as opções e, apesar de Ronaldo ter o lugar assegurado, persistem as dúvidas quanto aos corredores laterais, dado que Gonçalo Guedes, Pedro Neto e Francisco Conceição marcaram e João Félix deu boas indicações. Rafael Leão foi expulso frente ao Chile e pode falhar o primeiro jogo por suspensão, ao passo que Gonçalo Ramos fez menos de 30 minutos diante da Nigéria, mesmo depois de o capitão ter ficado, uma vez mais, aquém do esperado: nos dois jogos fez sete remates, acertou apenas uma vez na baliza e perdeu três oportunidades de golo (todas contra os nigerianos), num total de 1,37 golos esperados. A única certeza é que Ricardo Velho é, até ver, a 27.ª opção, tendo sido o único jogador não utilizado nestes particulares — a sua única internacionalização aconteceu em março.

“Foi um particular com muito significado. Estamos muito habituados a jogar contra equipas africanas e será muito semelhante ao Congo, com jogadores atacantes muito fortes, que utilizam os duelos muito bem. É importante ganhar e melhorar. Na primeira parte tivemos grandes oportunidades e a Nigéria também acabou por ter algumas com o espaço dado por nós. O Congo também faz isso. Depois fizemos substituições e acrescentámos nível. A Nigéria não teve qualquer remate enquadrado na segunda parte. Controlámos o jogo e estou muito satisfeito. Utilizámos 26 jogadores nos dois jogos e estão todos prontos para o Mundial. Acho que foi um jogo muito bom para nós. A ideia não era ganhar 5-0 nem fazer um jogo brilhante, era ter um adversário difícil e contra o qual pudéssemos testar alguns aspetos”, começou por dizer Roberto Martínez na flash-interview da RTP Notícias.

“O plano que tínhamos para o Cristiano, com a informação que temos, era jogar 45 ou 60 minutos. O Nuno Mendes também tinha um plano individual de 30 minutos, o Gonçalo Ramos também, o Vitinha e o João Neves de 45. O importante é trabalhar o aspeto individual, mas ter uma equipa que consegue terminar o jogo mais forte do que começou. E isso mostra o trabalho bem feito, o foco, a clareza na execução dos conceitos. Estamos muito mais bem preparados. Onze para o Congo? Não tenho onze ainda. Temos muita clareza no que queremos. Há muitos jogadores a um bom nível e que podem fazer a mesma função e trabalho no relvado. O onze é consequência do trabalho até ao último dia. Trabalhámos assim nos últimos três anos e meio. Tenho essa experiência e isso ajuda muito. A Seleção não trabalha com um onze, mas sim com jogadores que lutam para lá estar”, concluiu o selecionador nacional.

O jogo com a Nigéria, que contou com a presença de Luís Montenegro na tribuna presidencial, ao lado de Pedro Proença, ficou ainda marcado pela morte de um adepto de 77 anos antes do apito inicial. Segundo a FPF e o Jornal de Leiria, o homem preparava-se para assistir ao jogo quando sofreu uma paragem cardiorrespiratória, tendo sido transportado para o Hospital de Santo André, onde foi declarado o óbito. O alerta foi dado às 20h45. “Apesar da pronta intervenção das forças de emergência médica presentes no local, o óbito acabou por ser declarado no hospital”, explicou a federação, que garantiu que “a Seleção Nacional tudo fará para, durante o Mundial-2026, dedicar a primeira vitória à sua memória”.

Quanto à Seleção, quinta-feira é dia de descanso no que toca a atividades com a imprensa, dia que marca o início do Campeonato do Mundo no México. Na sexta-feira, a equipa de Roberto Martínez vai treinar, na Cidade do Futebol, às 10h30, saindo depois, pelas 12h40, em direção ao Aeroporto Humberto Delgado, onde deve chegar uma hora depois. No local do embarque para os EUA, o selecionador e um jogador vão falar aos jornalistas, com o voo a partir perto das 15 horas. A chegada a Palm Beach, na Flórida, está prevista para as 18h45 locais (23h45 em Portugal continental). Na tarde de sábado (noite em Lisboa), a Seleção, que vai ficar hospedada no Hotel Four Seasons Palm Beach, retoma os trabalhos no Garden District Park, local de treinos até ao final da fase de grupos.