Associando a revelação internacional do seu próximo M3 às 24 Horas de Le Mans, a BMW mostrou o concept que antecipa a primeira destas suas berlinas desportivas a trocar o motor de combustão por unidades 100% eléctricas. Embalada pela 2.ª posição que conquistou na mítica corrida de resistência francesa, onde ficou ensanduichada entre os dois Toyota que chamaram a si a 1.ª e a 3.ª posições, a BMW revelou o protótipo da versão desportiva que deriva do também novo i3, a berlina eléctrica que chegará ao mercado em 2027.
O primeiro M3 foi lançado em 1986 e, desde então, tem granjeado uma multidão de adeptos, cativados por o modelo conseguir conciliar espaço no habitáculo e na mala com um motor potente e um chassis equilibrado e terrivelmente eficaz. Há 40 anos, o M3 montava um motor atmosférico com quatro cilindros em linha e 2,3 litros, do qual os engenheiros da marca conseguiam extrair 200 cv, o que lhe permitia passar pelos 100 km/h ao fim de apenas 6,7 segundos (um valor muito respeitável para a época), para depois continuar alegremente até aos 235 km/h. E, quanto à eficiência do chassis, basta recordar que mesmo em Grupo N, montando apenas molas e amortecedores mais rijos, o M3 era praticamente imbatível em ralis de asfalto e provas de velocidade.
O próximo M3 eléctrico tem por base o i3, a berlina eléctrica mais moderna da marca que assenta na plataforma Neue Klasse e que vai substituir o actual i4 como o representante da marca alemã no segmento D. Até agora, a versão mais potente anunciada para a berlina eléctrica é o i3 50 xDrive, com 469 cv e uma bateria que lhe garante uma autonomia de 900 km, mas o M3 promete elevar ainda mais a fasquia, pelo menos no que respeita à potência, às prestações e ao comportamento.
O M Concept Neue Klasse revelado em Le Mans, que antecipa o M3 eléctrico, deixa perceber que a BMW faz questão que o seu primeiro M3 a bateria seja tão satisfatório para quem gosta de conduzir depressa, como para aqueles que procuram sensações fortes. Os proeminentes guarda-lamas escondem vias substancialmente mais largas à frente e atrás, com um splitter sob o pára-choques anterior destinado a colar a frente ao solo, enquanto na traseira uma asa à antiga (côncava) mantém o trem posterior sob controlo, mesmo quando se abusa do acelerador. As preocupações com a aerodinâmica foram até ao ponto de conceber uns suportes dos retrovisores exteriores muito atraentes, se bem que dificilmente passarão à produção em série, uma vez que o M3 visa assegurar emoção, mas sem abusar excessivamente nos custos.
Há muitos detalhes do novo M3 eléctrico que ainda permanecem no segredo dos deuses, ou melhor, da BMW, mas espera-se uma potência entre 800 cv e 900 cv, o que coloca o modelo entre os melhores deste segmento. Se a isto aliarmos uma autonomia generosa, que não ficará abaixo da reivindicada pelo SUV iX3 (805 km), modelo construído sobre a mesma plataforma e, certamente, com a mesma bateria de 108,7 kWh úteis, para mais recarregável a 400 kW por usufruir de uma arquitectura de 800V, então podemos prever que ao M3 eléctrico não faltarão clientes.