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Apresentador da BBC chamava "vadia" e "cabra" a mulheres nas redes sociais

Entre insultos como "vadia" e "cabra", Cain afirmou num reality show: "Não podes transformar uma cabra numa dona de casa". BBC diz que desconhecia publicações, que estiveram online mais de uma década.

Ashley Cain
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A morte da filha em 2021, vítima de leucemia, levou o ex-futebolista a criar uma fundação em sua memória

Ashley Cain / Instagram

A morte da filha em 2021, vítima de leucemia, levou o ex-futebolista a criar uma fundação em sua memória

Ashley Cain / Instagram

Elogiado pela capacidade “excecional” de captar o público masculino mais jovem, o passado digital de Ashley Cain está agora a ensombrar a emissora pública britânica. Uma série de publicações antigas reveladas pelo The Guardian — nas quais o apresentador da BBC Three chamava a mulheres “vadias”, “putas” e “psicopatas” — continuava disponível no X na altura em que o ex-futebolista foi contratado.

Apesar de uma fonte da BBC ter afirmado ao jornal que a emissora desconhecia as publicações de Cain nas redes sociais, o historial do apresentador no X já era longo. Eram frequentes as publicações em que insultava mulheres, fazia piadas sobre violência doméstica ou descrevia práticas sexuais degradantes, escreve o The Guardian.

Depois de passar pelo futebol, Ashley Cain tornou-se estrela de reality shows e passou a apresentar a série documental do canal BBC Three, Ashley Cain: Into the Danger Zone. No programa, o apresentador “visita alguns dos locais mais perigosos do mundo para analisar em profundidade as questões que afetam os jovens que nasceram numa realidade em que a criminalidade se tornou uma forma de sobrevivência”, lê-se no site da BBC.

A segunda temporada da série foi filmada no início deste ano.

O seu percurso público começou num reality show da MTV, onde gerou controvérsia ao utilizar a expressão “não podes transformar uma cabra numa dona de casa”.

Paralelamente, a sua presença nas redes sociais ficou marcada por publicações sobre práticas sexuais que provocam os limites do consentimento ou que são vistas como ofensivas. Em 2011, Cain chegou a fazer uma piada sobre um ato sexual extremo envolvendo sémen, detalhando como este seria praticado contra uma “miúda” ou “cabra”.

Segundo o The Guardian, o apresentador terá enviado mensagens de teor sexual e ofensivo a várias utilizadoras da plataforma. Além disso, em 2014, em resposta a uma publicação (entretanto eliminada) que considerou homofóbica, Cain recorreu ao Twitter para insultar utilizadoras, escrevendo que estas se deveriam “engasgar” com um pénis.

Noutro caso polémico, ocorrido em 2015, uma mulher alegou que o apresentador tinha publicado vídeos íntimos de ambos no Snapchat sem o seu consentimento. Na altura, Cain defendeu-se afirmando que a partilha fora consensual e declarou: “Toda a gente sabe o que acontece no meu Snapchat”.

A morte da filha em 2021, vítima de leucemia, levou o ex-futebolista a criar uma fundação em sua memória, passando a submeter-se a desafios físicos extremos para financiar a investigação e o tratamento do cancro infantil.

O ex-jogador foi contactado para comentar o caso espoletado pelo artigo do The Guardian, mas optou por não emitir qualquer resposta. Por sua vez, a BBC reagiu através de um porta-voz: “Deixamos bem claro que esperamos os mais altos padrões de conduta de todos os que trabalham com ou para a BBC. Quando alegações chegam ao nosso conhecimento, levamo-las a sério. Analisaremos essas informações cuidadosamente e não pretendemos fazer mais comentários neste momento”.

Considerado pelos executivos da BBC como “a personificação da BBC Three”, Cain chegou a ser promovido no canal jovem devido à sua capacidade “excecional” de chegar ao público masculino mais jovem. As publicações da conta de Ashley (entretanto eliminada ou indisponível) já tinham vários anos, tendo a maioria estado visível na conta pública de Cain no X por mais de uma década — inclusive, na altura em que a BBC avançou para a sua contratação, em 2024.

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