Acompanhe neste artigo em direto a votação, na generalidade, da alteração à lei laboral.
José Luís Carneiro acusou esta sexta-feira o Governo de se aliar ao Chega para avançar com a reforma ao código do trabalho, deitando “ao lixo” os esforços feitos com “os parceiros sociais”.
“As negociações estiveram em sede de concertação social e o Governo falhou”, disse o secretário-geral do PS. Os seis meses de conversas terão permitido “encontrar algumas soluções para limitar os impactos negativos das propostas” do Executivo. No entanto, acrescentou o socialista, a AD tinha outra solução em mente.
“O Governo trouxe para a Assembleia da República a pior versão. Todo aquele trabalho que foi feito pelos parceiros sociais foi literalmente deitado ao lixo pelo Governo, porque aparentemente pegou em algumas dessas propostas e utilizou-as para dizer ao partido da extrema-direita: ‘leva essas propostas à assembleia, porque nós vamos deixar passar algumas delas e com isso tu consegues salvar a face’”.
Para José Luís Carneiro, esta estratégia “produz sempre maus resultados”, com reflexo nas recentes sondagens. Esta sexta-feira, uma sondagem da Intercampus para o Now e o Correio da Manhã coloca o PS em primeiro (com 24,3% das preferências dos inquiridos), o Chega em segundo e a AD em terceiro. “Aqueles que dançam com a extrema-direita são vítimas da extrema-direita”, reage o líder socialista.
José Luís Carneiro também respondeu a Hugo Soares (PSD), que acusou o PS de estar mais radicalizado. O socialista apontou às sondagens: “A informação que eu tenho é que estou 11,5 pontos à frente de Luís Montenegro… e isso naturalmente deixa ficar as pessoas nervosas”.
No Porto, a participar na cimeira organizada pela Foundation for European Progressive Studies (FEPS), que marca o 5.º aniversário da Cimeira Social do Porto, José Luís Carneiro confirmou que irá votar na revisão laboral “à distância”.
O secretário-geral reiterou a posição da bancada socialista, que votará contra uma proposta que “deve preocupar os jovens portugueses, as mulheres portuguesas, as famílias e os mais vulneráveis”. Entende José Luís Carneiro que as propostas dificultam a “compatibilização da vida pessoal com a vida profissional”.
“Esta proposta de contrarreforma laboral vai contra todos os princípios dos sociais-democratas, dos democratas-cristãos e também dos humanistas. (…) Não é uma teimosia do PS, é mesmo uma ofensa que o Governo está a fazer aos portugueses”.
O líder socialista quis deixar claro que o “PS não arreda pé” na luta contra estas propostas. Questionado sobre a hipótese de reverter estas decisões (se estas forem aprovadas e se José Luís Carneiro chegar a primeiro-ministro), não respondeu. “Quem tem valores e princípios acaba por triunfar, é isso que vai acontecer”.
Para já, adiantou que não está marcado “nenhum encontro” com Luís Montenegro.