O PS adotou uma postura de “radicalismo cândido”, mas no fundo conduz uma política “exatamente igual à de Pedro Nuno Santos”. A ideia foi transmitida pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, em entrevista ao Observador a partir do 43.º congresso do PSD, em Anadia.
Analisando o chumbo da reforma laboral, o ministro disparou contra os dois maiores partidos da oposição enquanto sublinhava a “grande disponibilidade para ir mais longe” que o PSD demonstrou ter nas negociações. Por um lado, defendeu, “o PS pôs-se sempre à parte e quis tratar a UGT como o PCP trata a CGTP, retirando-lhe a sua legitimidade alargada, uma espécie de correia apenas do PS”. Mais: o PS de José Luís Carneiro fala de forma “delicodoce” mas tem uma política igual, na substância, igual à de Pedro Nuno Santos; como resultado, está a “acantonar-se” e a colocar-se fora “do destino dos portugueses”.
Já o Chega “mostrou que não está à altura de governar e queria fazer algo que, além de populista, tinha como consequência direta a baixa da reforma dos portugueses”. Tinha uma oportunidade para mostrar confiabilidade e sentido de Estado, mas em vez disso confirmou a impressão que já existia: “Está apenas para a agenda populista das redes sociais, dos telejornais, num malabarismo sistemático. É pena, porque se perdeu uma oportunidade importante”.
Quanto ao compromisso do Governo, frisou Rangel, continua a passar por proteger as pensões. “Queremos ser reformistas, temos um ímpeto reformista enorme, mas não a qualquer preço”. A reforma laboral caiu, mas “por morrer uma andorinha não acaba a primavera”; agora, o Governo tem de recordar as reformas que já “estão a correr” e governar a pensar no horizonte da legislatura completa, mesmo que nesta fase intermédia da governação “as oposições falem com voz mais tonitruante”.
E, mesmo com o quadro extremamente crítico que traçou relativamente às oposições, deixou um apelo para o futuro: “É muito importante que os partidos da oposição estejam disponíveis para viabilizar o Orçamento. Isto vale para todos”. O OE, defendeu, não deve ser um “folhetim” nem um drama — mas o documento deve mesmo ser aprovado, até porque viver em duodécimos “não é uma boa solução”.
Rangel assegurou ainda que o Governo ainda pode chegar à maioria absoluta, mas “desejavelmente no fim da legislatura”. Não que isto venha de uma “obsessão” com Cavaco Silva: é uma “referência”.
Questionado sobre as críticas públicas de Pedro Passos Coelho, Rangel considerou “natural” que o antigo líder intervenha publicamente, mas achou “injusta” a crítica em que usou um vocabulário mais “pesado” (quando falou em “prostitutos políticos”).
“Foi injusto na substância e desajustado no tom que usou, que não tem nada a ver com o Passos que conhecemos. Foi uma desafinação. Estamos talvez demasiado tempo com esse tema, talvez não mereça assim tanto”, rematou.
Sobre a ameaça a Montenegro pelo Movimento Armilar Lusitano, Rangel disse ainda que a segurança nacional não pode ser “omitida ao Governo e muito menos ao primeiro-ministro”, versando ou não sobre ele. E terminou rejeitando a hipótese de voltar a ser candidato à liderança do PSD, dizendo que já terá passado essa fase.
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Paulo Rangel: “Governo não causou má impressão” na reforma laboral