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O novo Podcast Plus do Observador é narrado pela atriz Bárbara Branco e tem música de Frankie Chavez
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Annie Silva Pais, a vida e os escândalos da filha do último diretor da PIDE

A filha do último diretor da PIDE desapareceu em Cuba. Meses depois, percebeu-se: abandonou tudo para se juntar à revolução, com a ajuda de Fidel Castro. Esta é a história do novo Podcast Plus.

Annie Silva Pais e Raymond Quendoz acabam de aterrar em Havana. O jovem casal apanhou um voo em Lisboa e vai mudar de vida. Ela é portuguesa, filha de Fernando Silva Pais, o diretor da polícia política portuguesa (PIDE). Ele é suíço, esteve a trabalhar na embaixada desse mesmo país em Lisboa nos últimos anos e foi escolhido para uma missão em Cuba — onde vai ser responsável por desvendar documentos secretos na embaixada que também representa os interesses dos EUA naquele território.

O casal conheceu-se há dois anos, em Lisboa, depois de Raymond ter decidido colocar um anúncio no Diário de Notícias por se sentir demasiado sozinho. Tentou que fosse publicado algo como “cavalheiro deseja conhecer senhora para excursões, piqueniques e campismo”, mas o funcionário achou demasiado ousado. Aprovou um outro: “Cavalheiro estrangeiro deseja conhecer senhora para falar português.”

Não foi Annie que respondeu, foi uma amiga francesa dela. Porém, achou que o suíço iria adorar conhecê-la. Descreveu-a como uma amiga “muito livre”, que gosta de falar francês, simpática e de olhos bonitos. O romance é fugaz. Conhecem-se em julho e em outubro estão a caminho da Suíça para se casarem.

Em pouco tempo, ambos vão perceber que a mudança de vida será muito mais radical do que imaginaram quando Raymond recebeu um telefonema de Berna a comunicar-lhe que Havana seria a próxima paragem na sua, ainda curta, carreira diplomática.

Encantada pela revolução

Em Cuba, tudo é diferente do Portugal daqueles tempos. Salazar está há 30 anos no poder e, em casa, Annie sempre viveu sob as regras rígidas de uma família conservadora e leal ao regime. A mãe estava constantemente a controlá-la: desde aquilo que vestia às pessoas com quem se relacionava, Armanda Palhota metia-se em tudo. Chegou mesmo a destruir-lhe algumas paixões, tudo para impedir que a liberdade que a filha perseguia colocasse em causa o bom nome de Silva Pais e da família.

Annie com os pais, Armanda Palhota e Fernando da Silva Pais, e já em Cuba com Raymond Quendoz

Quando, em 1962, Annie e Raymond pisam solo cubano, o ambiente da revolução que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, três anos antes, sente-se efusivamente nas ruas. As mais icónicas figuras políticas, como Fidel Castro e Che Guevara, movem multidões e discursam nas ruas para milhares de pessoas. Naquela altura, os cubanos olham para os revolucionários como a fé a seguir. Raymond fica surpreendido com o entusiasmo da mulher logo nos primeiros tempos. Annie parece outra pessoa desde que vive em Cuba.

A devoção é cada vez mais percetível e é impossível que Raymond não repare, desde logo porque Annie começa a imitar Che Guevara em muita coisa, até em termos físicos — passa até a usar o cabelo parecido com o do comandante

Poucos dias depois de se instalarem em Havana, decidem ir assistir a um discurso de Che Guevara, como fazem os locais. Raymond sente a mulher encantada com o ícone revolucionário. Há de contar, largos anos mais tarde, em entrevista aos jornalistas José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, autores do livro “A Filha Rebelde”, que não era a única. Recorda-se de um “batalhão de mulheres deslumbradas” por aquele homem, mas a preocupação centra-se apenas na mulher, que vai dando sinais de que olha para Che Guevara como alguém especial.

Apesar de terem chegado à ilha há pouco tempo, o mundo diplomático é pequeno e rapidamente começam a receber convites para festas em que altas figuras políticas marcam presença. É o que acontece numa receção no Banco Nacional de Cuba, para a qual são convidados. Che Guevara também está presente e é apresentado a Annie Silva Pais. Ficam longamente à conversa e Raymond repara no entusiasmo da mulher. Por comparação, já a viu a conversar com Fidel Castro noutra altura e não sentiu a mesma coisa.

A Embaixada da Suíça passa a ser local de convívio entre a portuguesa e cubanos, alguns deles figuras relevantes da revolução cubana, como é o caso de René Vallejo, secretário e médico de Fidel Castro, José Abrantes Fernandez, membro da polícia política do regime, e até o chefe de protocolo, Roberto Melendez

A devoção é cada vez mais percetível e é impossível que Raymond não repare, desde logo porque Annie começa a imitar Che Guevara em muita coisa, até em termos físicos — passa até a usar o cabelo parecido com o do comandante. Mais tarde, o suíço vai dizer que a veneração era um “culto doentio”. Além disso, acredita que aquele comportamento, ainda para mais numa mulher casada, é “decrépito, muito próximo da senilidade”.

A opinião do marido é tudo menos relevante para Annie. Está a viver uma vida de sonho e cada vez mais integrada na sociedade de Havana. Com o passar do tempo, a Embaixada da Suíça, onde o casal vive, passa a ser local de convívio entre a portuguesa e cubanos, alguns deles figuras relevantes da revolução cubana, como é o caso de René Vallejo, secretário e médico de Fidel Castro, José Abrantes Fernandez, membro da polícia política do regime, e até o chefe de protocolo, Roberto Melendez.

Com o passar dos meses e dos anos, a vida em casal vai sendo menos feliz. Luís Gonzaga Ferreira, o encarregado de negócios português em Havana, que recebia o casal com frequência na embaixada portuguesa, há de contar num telegrama enviado para Lisboa que a relação entre ambos estava notoriamente a piorar, tanto que já discutiam em público. Mas nada fazia prever o que viria a passar-se meses depois.

O aniversário de casamento sem motivo de festa

No dia 25 de outubro de 1965, a vida do casal vai alterar-se para sempre. O estatuto de diplomata de Raymond Quendoz permite-lhe estar na pista do aeroporto de Havana enquanto espera Annie Silva Pais, que regressa de umas férias prolongadas no México. Eram para ser duas semanas, depois passaram a três e, no final, a portuguesa esteve mais de um mês na capital daquele país, com a família Bosques — conheceu Laura Bosques em Havana, quando o pai, Gilberto Bosques, foi embaixador do México na cidade.

O marido foi ao aeroporto e, por duas vezes, regressou sozinho para casa. Agora, está novamente no mesmo local, com o mesmo propósito, mas tem uma esperança renovada: hoje, dia 25 de outubro de 1965, fazem cinco anos de casados. E o marido acredita que é o dia certo para procurarem, juntos, um novo começo.

Madalena acredita que casar com um diplomata foi “uma maneira de sair do país e do ambiente” da casa dos pais. Annie estava, recorda a prima, “deslumbrada” com essa ideia

Madalena Nita Palhota, prima de Annie Silva Pais, recorda que Raymond sempre foi muito bem acolhido pela família. O que, na altura, até soou estranho aos mais próximos: “Eu tenho ideia que [a mãe da Annie] gostava imenso dele. Eu achei estranho vê-lo a almoçar na mesma mesa que eu, lá em casa. Nunca via ninguém lá em casa, a não ser nós, próximos da família”, explica, crente de que aquela atitude era, desde o início, um “sinal de aceitação”.

Porém, não deixou de constatar que a prima e Raymond eram bem diferentes um do outro. Ele mais “pacato”, “uma pessoa muito virada para o trabalho, com uma carreira para sustentar, uma carreira para progredir” e mais parecido com Silva Pais; e ela uma “mulher alegre”, com ânsias de liberdade. Madalena acredita que casar com um diplomata foi “uma maneira de sair do país e do ambiente” da casa dos pais. Annie estava, recorda a prima, “deslumbrada” com essa ideia.

Anos mais tarde, Raymond ainda acredita que é possível voltar aos primeiros tempos de relacionamento. E espera que a mulher esteja disposta ao mesmo, que as semanas fora tenham ajudado — desde logo porque o diplomata tem um novo desafio profissional em breve: vai regressar a Berna no final do ano. Annie até já enviou para a Suíça algumas bagagens com roupa.

O avião da Cubana Aviación, que fez a viagem entre a Cidade do México e Havana, acaba de aterrar na pista e o marido da portuguesa está a assistir a tudo de bem perto. Aguarda longos minutos até ao início do desembarque. Saem dezenas de pessoas, mas Annie não aparece. Raymond ainda tem esperanças que tenha ficado para o final, contudo as escadas do avião começam a ser recolhidas, as portas fecham-se e o aparelho deixa o local.

Mais uma vez, Annie não regressou a Havana. E, mais uma vez, Raymond vai regressar a casa sozinho. Na pista, cruza-se com René Vallejo, comandante da revolução cubana, médico particular e um dos homens mais próximos de Fidel Castro, que é amigo de Annie e visita habitual da Embaixada da Suíça. É o cubano que o convida a sair da pista, gentilmente. Raymond não consegue esconder o desconforto da situação: “Esta menina só faz o que lhe dá na gana!

Ninguém sabe de Annie

Os dias seguintes vão ser uma montanha-russa para o suíço. Logo que chega à Embaixada da Suíça, onde vive, tem um telegrama de Annie à espera: “Partirei hoje via Europa. Escrevi à minha família.” Raymond não tem mais respostas, não consegue falar com a mulher e, além disso, não faz ideia do seu paradeiro. Aquela carta diz pouco ou nada. E, nesta fase, o diplomata nem sequer sabe se a mulher a enviou de livre vontade ou se está a ser coagida.

Raymond Quendoz vai usar tudo o que tem à disposição para obter respostas, não só procurando pessoas próximas a Annie, como utilizando o estatuto de diplomata — que lhe concede o acesso a informações impossíveis de obter pelos cidadãos comuns. E à medida que os dias vão passando, surge uma série de avanços e recuos, de dúvidas, de episódios estranhos — tudo a contribuir para as desconfianças do diplomata. A história é contada no primeiro episódio do novo Podcast Plus do Observador, “Os Escândalos de uma Revolucionária”. 

Raymond Quendoz equaciona, pela primeira vez, a possibilidade de Annie estar em Havana e de ter preferido esconder-se do marido ao invés de regressar a casa. E, por outro lado, também dá força à hipótese de a portuguesa estar a ser usada pelo regime cubano

Em primeiro lugar, a amiga com quem Annie passou férias na Cidade do México garante que a portuguesa embarcou no voo que Quendoz viu aterrar em Havana. Depois, Roberto Melendez, chefe de protocolo de Fidel Castro e amigo de Annie, revelou a Raymond Quendoz que recebeu uma carta muito idêntica ao telegrama que chegou à Embaixada da Suíça. Mas nesta tentativa há uma ponta solta: ao contrário da nota deixada ao marido, a mensagem que Annie escreveu a Meléndez está escrita numa folha com o timbre do Habana Riviera, o mais famoso hotel de Havana — que antes da revolução era um hotel-casino frequentado por turistas de todo o mundo.

Esta carta muda o rumo da história, já que Raymond Quendoz equaciona, pela primeira vez, a possibilidade de Annie estar em Havana e de ter preferido esconder-se do marido ao invés de regressar a casa. E, por outro lado, também dá força à hipótese de a portuguesa estar a ser usada pelo regime cubano. O suíço está perdido, desesperado. Sente-se num beco sem saída.

Tem uma opção por explorar: o hotel Habana Riviera, de onde Annie escreveu a carta a Meléndez. Dirige-se à receção e questiona se alguém com o apelido Silva Pais ou Quendoz esteve ali hospedado nos últimos dias. A resposta é negativa: nem com um nome, nem com outro — ao que tudo indica, Annie Silva Pais não deu entrada ali. Há apenas uma chance de aquela informação não ser absolutamente fidedigna: as pessoas que entram acompanhadas por altas figuras do regime não são inscritas no livro de registos. Ou seja, se a mulher está acompanhada por um cubano próximo de Fidel, até pode estar ali, mas Raymond não vai ter como saber.

Annie e Armanda Palhota tiveram sempre uma relação conturbada. Em 1959, a filha, pressionada pela mãe, participou no concurso Miss Praia da Figueira da Foz. Ganhou

O passo seguinte é procurar saber algo sobre voos de Cuba para a Europa — tendo em conta que Annie Silva Pais revelou que esse seria o seu destino. No balcão da companhia aérea no aeroporto de Havana, Raymond Quendoz ouve que a mulher pode mesmo ter saído do país. E o relato que lhe fazem tem pormenores suficientes para parecer realista. Quando um avião com destino a Praga, na Checoslováquia, já tinha os motores ligados e estava pronto a levantar voo, um telefonema da central telefónica de Cuba travou-o.

Era preciso esperar por uma passageira de última hora. Uma mulher, com bilhete comprado, que já tinha saído do centro de Havana em direção ao aeroporto e que chegaria dentro de minutos. A informação partilhada com Raymond é bastante explícita: esta mulher era a passageira número 62 na lista de embarque e chamava-se Ana Silva Pais. A companhia aérea garante: a mulher dele entrou naquele avião e partiu para Praga.

O enredo cada vez mais rocambolesco causa mais estranheza a Raymond Quendoz, principalmente quando tem acesso a uma informação secreta: o bilhete de Annie foi mesmo comprado e foi debitado na conta do Instituto de Aeronáutica Civil. E isso confirma uma questão inesperada — independentemente do desfecho sobre o desaparecimento da mulher, há um organismo oficial de Cuba envolvido.

As dúvidas de Raymond Quendoz não só persistem como se ampliam a cada novidade. De tal forma que vai mesmo recorrer aos galões de diplomata para se informar ao mais alto nível. A Interpol vai confirmar-lhe que nenhuma passageira com os apelidos em causa, seja com o nome de solteira ou de casada, chegou à Checoslováquia no voo que saiu de Havana no dia 26 de outubro.

Não há mais como negar: alguma coisa aconteceu a Annie. Resta saber se a portuguesa foi a protagonista dessa decisão. O passo final é o mais difícil para Raymond Quendoz: tem de informar os sogros sobre o que se está a passar em Cuba. Liga para Lisboa e fala diretamente com Fernando Silva Pais. Ainda tinha a ínfima esperança de que Annie pudesse ter procurado a casa dos pais, mas assim que o pai dela atende, percebe que não. Nem o diretor da PIDE nem a mulher, Armanda Palhota, têm qualquer informação sobre o paradeiro da filha.

Os dias seguintes vão ser, como recorda a prima Madalena Nita Palhota, de “desespero”. “A família estava muito abalada com a falta de notícias”, conta, enquanto justifica essa preocupação com uma das hipóteses que foi colocada em cima da mesa nos primeiros tempos: Annie vivia na Embaixada da Suíça, o marido era responsável por desvendar mensagens secretas e os cubanos podiam estar a utilizá-la para “espionagem”.

O embaixador suíço tem três teorias sobre o caso: Annie pode estar a ser usada por serviços de países de leste; pode ter-se juntado a Che Guevara ou pode ter sido apanhada por um grupo extremista africano para ser utilizada na reunião da Conferência Tri-Continental em Havana

Enquanto o caso começa a ganhar contornos difíceis de decifrar, entra um outro protagonista em ação. Chama-se Luís Gonzaga Ferreira e é o encarregado de negócios português em Havana. Recebe Roberto Meléndez na embaixada portuguesa e apercebe-se de que o chefe de protocolo cubano transformou uma conversa sobre a Tri-Continental — a primeira Conferência de Solidariedade dos Povos de África, Ásia e América Latina, que vai realizar-se em Havana no início de 1966 — num tema único: Annie Silva Pais.

Num telegrama que vai enviar dali a uns meses para Lisboa, a contar pormenorizadamente tudo o que sabe sobre o desaparecimento de Annie Silva Pais, Gonzaga Ferreira há de escrever que Meléndez foi ali “recitar” um “recado bem decorado”, cheio de mentiras sobre a portuguesa.

Annie Silva Pais viveu em Cuba até ao final da vida. Também escolheu ser sepultada lá

Nessa carta enviada ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Franco Nogueira, o encarregado de negócios português em Cuba explica que o embaixador suíço tem três teorias sobre o caso: Annie pode estar a ser usada por serviços de países de leste; pode ter-se juntado a Che Guevara ou pode ter sido apanhada por um grupo extremista africano para ser utilizada na reunião da Conferência Tri-Continental em Havana.

A terceira é a mais plausível para todos os envolvidos porque seria um escândalo internacional ouvir a filha do diretor da PIDE, uma polícia política de um país ocidental, a defender a revolução cubana na reunião que tem como grande objetivo criar uma frente comum contra o colonialismo, o neocolonialismo, o imperialismo e a influência dos EUA no contexto da Guerra Fria.

Ser cubana, a vida que escolheu

A verdadeira razão para a fuga de Annie vai ser conhecida exatamente na Tri-Continental, mas não é nenhuma das três. A filha do diretor da PIDE não foi usada pelo regime cubano, nem sequer chantageada ou coagida. Fez tudo por livre vontade e convicção, com o apoio de Fidel Castro. Fugiu do marido Raymond Quendoz, da vida de diplomata que tinha na Embaixada da Suíça, e, sem comunicar previamente à família, juntou-se à revolução cubana, que está nos antípodas das crenças do pai, um homem leal a Salazar.

O presidente do Conselho soube do desaparecimento de Annie Silva Pais através do telegrama secreto que Gonzaga Ferreira enviou ao ministro dos Negócios Estrangeiros, mas o caso vai tornar-se mais grave no momento em que se conhecem as verdadeiras razões da filha do diretor da PIDE. Silva Pais fica sem saída e apresenta a demissão do cargo. Está envergonhado com toda a situação. Mas Salazar não aceita.

Apesar de se ter mantido sempre próxima de altas figuras do regime, leva uma vida semelhante à de qualquer outro cubano. Usa senhas de racionamento e até faz voluntariado nos Comités de Defesa da Revolução, uma rede criada por Fidel Castro

Annie Silva Pais vai viver para sempre em Cuba, à exceção de um curto período que vai passar em Portugal — quando se junta à revolução do 25 de Abril e tenta atenuar as circunstâncias em que o pai, que entretanto ficou doente, está preso em Caxias.

Quando regressa a Cuba, continua a morar na casa que lhe foi atribuída pelo regime e a trabalhar como tradutora para uma entidade do Estado. Apesar de se ter mantido sempre próxima de altas figuras do regime, leva uma vida semelhante à de qualquer outro cubano. Usa senhas de racionamento e até faz voluntariado nos Comités de Defesa da Revolução, uma rede criada por Fidel Castro sob o pretexto de dinamizar, em cada bairro, a defesa dos ideais da revolução.

Durante o resto da vida, vai viajar muito em trabalho, mas nunca vai voltar a viver em Portugal. Apesar disso, vai manter sempre a ligação à família. Só nunca mais voltará a ver Raymond Quendoz, nem sequer a falar com ele.

Divorciada, vai ter pelo menos duas relações longas com pessoas muito próximas da cúpula do regime cubano. Nunca vai partilhar casa com nenhum destes homens, ambos casados e com filhos. Até ao fim da vida, Annie Silva Pais vai viver rodeada de amigos, mas sozinha. Em Cuba, onde escolheu ficar também depois da morte.

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