A concelhia do Porto do Bloco de Esquerda (BE) alertou esta terça-feira para o risco de o Centro Histórico da cidade perder a classificação de Património Mundial da Humanidade, dada a “contínua degradação do património” nesse perímetro.

“O Bloco de Esquerda denuncia a contínua degradação do património classificado e responsabiliza a Câmara Municipal do Porto e a Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo pela perda de autenticidade de um sítio reconhecido pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade”, afirmam os bloquistas.

A concelhia do BE reagia a uma notícia avançada pelo Público sobre a destruição do interior do edifício onde funcionou a Confeitaria Serrana, na Rua do Loureiro, que dá conta da demolição ilegal desse “recheio” por parte do proprietário, o Grupo Lionesa, que detém a Livraria Lello.

A autarquia explicou, ao mesmo jornal, que não tinha conhecimento da demolição do interior do edifício, datado de 1869 e em que funcionou a Confeitaria Serrana, encerrada em 2022.

“Não é a primeira vez que, no centro histórico sob gestão da Porto Vivo, ocorrem demolições do interior de prédios, mantendo-se apenas as fachadas. Tal já aconteceu no Quarteirão das Cardosas ou no edifício Garantia, ou em prédios em Carlos Alberto com interiores datados do séc. XVIII. Mas o que é especialmente grave é ter sido demolido o interior dum estabelecimento reconhecido pelo município como ‘Porto de Tradição'”, acrescenta aquele partido.

O BE lembra as recomendações do órgão consultivo da UNESCO, a ICOMOS, que coloca o Centro Histórico da cidade em risco, 30 anos após a classificação, pelo que os bloquistas querem reivindicar “responsabilidade política” para o território, ao arrepio do “continuado desrespeito da Porto Vivo e dos decisores municipais pelas normas e técnicas de salvaguarda”.