O investimento no curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) já ultrapassa os 2 milhões de euros, anunciou esta quarta-feira o reitor no parlamento, recusando alimentar divergências com a Ordem dos Médicos.
O reitor da UTAD, Jorge Ventura, foi esta quarta-feira ouvido pelas comissões de Saúde e de Educação e Ciência sobre as condições de abertura, em setembro, do Mestrado Integrado em Medicina naquela universidade, em Vila Real, numa audição conjunta que decorreu a pedido do Chega.
A deputada do Chega Manuela Tender disse que o partido vê “com muito bons olhos o anúncio da abertura deste curso na UTAD” e explicou que o requerimento foi apresentado depois de, em abril, a Ordem dos Médicos (OM) ter considerado não estarem reunidas as condições mínimas para o arranque do curso no ano letivo 2026/27.
Em novembro foi anunciada a aprovação condicional do curso de Medicina por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), dependente do cumprimento de dois requisitos: a formação do corpo clínico e docente e a criação de um centro de simulação. A acreditação condicional é válida por dois anos.
O reitor da UTAD disse que não é propósito da universidade “alimentar qualquer divergência com a OM”, pelo contrário, quer “trabalhar em conjunto, ouvindo as recomendações da OM e acolhendo os contributos que possam reforçar a qualidade do projeto”.
Jorge Ventura salientou ainda que a universidade assumiu o compromisso de cumprir “integralmente todos os requisitos de qualidade exigidos para a formação médica” e lembrou que o ministério formalizará o contrato-programa depois da eleição do novo reitor, o que acontece na segunda-feira.
O professor catedrático João Barroso é candidato único.
O reitor adiantou que o investimento neste curso, pela universidade, já ultrapassa os 2 milhões de euros e exemplificou com a aquisição de mesas anatómicas digitais de última geração e com o equipamento para o centro de simulação médica.
Disse ainda que já estão prontas três salas de aula, com mobiliário e sistemas digitais, uma outra está a ser montada e é destinada à realidade imersiva (realidade virtual e aumentada), e que já está em curso o plano de formação pedagógica para docentes.
“É precisamente por partilharmos essa exigência que estamos aqui hoje, não para negar dificuldades, mas para demonstrar que estamos a construir soluções sólidas e, sobretudo, necessárias para o futuro do país”, afirmou Sara Mota, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), parceira no projeto.
A responsável registou “com alguma perplexidade que este projeto, precisamente por nascer no interior do país, parece suscitar um nível acrescido de suspeição e escrutínio”.
Sara Mota disse que o curso, uma vez em pleno funcionamento, terá cerca de 240 estudantes, o “que permitirá formar aproximadamente 40 médicos por ano no final da próxima década”, considerando que “os médicos tendem a fixar-se nos territórios onde são formados”.
“Este curso é, portanto, uma oportunidade concreta para inverter tendências de décadas”, frisou.
Pela A3ES, João Sàágua lembrou que o curso proposto pela UTAD “foi progressivamente melhorado até estar em condições de ser aprovado”, o que significa que “tem a qualidade suficiente para funcionar, mas que há uma série de condições que devem ser preenchidas”.
No final dos dois anos, explicou, a Comissão de Avaliação vai visitar outra vez a UTAD e ver no terreno se as coisas estão resolvidas.
“Se estão resolvidas, o curso fica acreditado por seis anos. Se não estão resolvidas, ficará condicionado à situação que for”, concretizou.
Disse ainda que, quando os cursos “habilitam para uma profissão, as ordens profissionais são sempre ouvidas” e que, neste caso, o parecer da OM foi negativo, mas não é vinculativo.
Os autarcas, através da Comunidade Intermunicipal do Douro, João Gonçalves, e da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, reiteraram o apoio à criação do curso, destacando a relevância para os cuidados de saúde da região.