Já se passaram dois anos desde que Ismael “El Mayo” Zambada García, um dos fundadores do cartel de Sinaloa, e Joaquín Guzmán López, o filho de “El Chapo”, foram detidos. Os dois traficantes mexicanos aterraram em El Paso, Texas, em julho de 2024, quando foram imediatamente intercetados pelas autoridades norte-americanas à porta da pequena aeronave que os transportou desde o México. Os EUA sempre se afastaram de terem sido os cabecilhas desta operação, mas a Justiça mexicana acredita que pode ter sido o FBI por detrás da detenção.

Esta quarta-feira, a procuradora-geral do México pronunciou-se sobre o tema, admitindo que se as suspeitas se confirmarem de os EUA terem planeado a vinda de “El Mayo” e Guzmán López para solo norte-americano para os poderem deter, a situação configura vários “problemas graves”. De acordo com Ernestina Godoy, citada pelo The Guardian, o alegado plano de Washington representa “uma série de violações do direito internacional e da lei mexicana” e uma “violação do princípio fundamental da boa-fé nas relações diplomáticas”.

Ao longo dos anos, as autoridades mexicanas questionaram os seus homólogos norte-americanos sobre o papel que tiveram nesta operação que levou à detenção de duas das maiores figuras do narcotráfico a nível mundial. Ken Salazar, o embaixador dos EUA na Cidade do México, garantiu que os EUA não estiveram envolvidos e, esta quarta-feira, voltou a reforçar esta mensagem.

“Comunicámos ao Governo do México que não era o nosso avião, não era o nosso piloto e não era a nossa operação”, escreveu o então chefe da missão diplomática dos EUA no país vizinho. “La verdad es la verdad, the truth is the truth“, acrescentou Salazar.

Apesar de a operação ter acontecido antes da sua tomada de posse, a Presidente Claudia Sheinbaum disse que era necessário entender se “houve uma violação da soberania” do México, caso se verifique o envolvimento de uma administração estrangeira numa operação para colocar dois dos criminosos mais procurados do país num estabelecimento prisional fora das suas fronteiras.

Ismael “El Mayo” Zambada, já depois de detido, afirmou ter sido raptado e entregue pelo filho de “El Chapo” às autoridades nos Estados Unidos, que ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares (13,1 milhões de euros) em troca da sua detenção.