Num período marcado por uma nova vaga de calor extremo na Europa Ocidental, a Associação Alemã de Salva-Vidas (DLRG, na sigla em alemão) revelou que pelo menos 99 pessoas morreram afogadas na Alemanha durante o mês de junho. No país, as temperaturas chegaram a atingir os 41,7 graus Celsius em algumas zonas, levando mais pessoas a procurar rios, lagos e outras áreas balneares para se refrescarem. Segundo a DLRG, no documento de domingo, não se registava um número tão elevado de vítimas por afogamento no mesmo período desde 2003.

Entre as mortes cuja idade foi apurada, 35 tinham mais de 50 anos. Ainda assim, grande parte das vítimas eram jovens: 40 tinham menos de 30 anos. A maioria dos afogamentos ocorreu em lagos, onde perderam a vida 55 pessoas. Outras 21 morreram em rios. A Associação Alemã de Salva-Vidas registou ainda seis mortes em piscinas, seis no mar e seis em canais. “É completamente chocante a quantidade de acidentes que estão a acontecer neste momento”, disse o porta-voz da associação, Martin Holzhause, ao jornal Bild.

Os homens representaram mais de 90% das mortes registadas em junho. “São principalmente os homens que assumem riscos excessivos e subestimam os perigos. Eles também entram na água com mais frequência sob o efeito de álcool ou outras drogas”, afirmou a presidente da associação, Ute Vogt, em comunicado. “Cada morte é uma morte a mais. Embora lagos e rios possam oferecer um alívio bem-vindo do calor em dias quentes, eles não proporcionam o mesmo nível de segurança que as piscinas”, enfatizou.

No fim de semana passado, de acordo com o Bild, uma criança de seis anos desapareceu numa popular zona balnear do Canal Reno-Herne, em Herner Meer, onde a família passava o dia. O alerta desencadeou uma vasta operação de busca, envolvendo polícia, bombeiros, mergulhadores e um helicóptero, mas horas depois, as equipas de socorro encontraram a criança sem vida. Pouco antes, um jovem de 22 anos morreu afogado na cidade de Bremen.

Entretanto, o Instituto Robert Koch informou que o país registou pelo menos 5.120 mortes relacionadas com o calor este ano, a maioria em junho. Cerca de 4.270 dessas vítimas tinham 75 anos ou mais. “Certos grupos populacionais são particularmente vulneráveis devido a fatores de risco individuais ou a uma maior exposição, especialmente quando vários destes fatores coincidem. Isto inclui, por exemplo, idade avançada e condições preexistentes, como doenças cardiovasculares ou respiratórias, bem como distúrbios neurológicos como demência”, afirmou a instituição em comunicado.

As medidas de proteção contra o calor passam por intervenções que vão do planeamento urbano e da criação de zonas de sombra à utilização de sistemas de ar condicionado e à realização de campanhas de sensibilização, apoiadas por planos de ação específicos para períodos de calor extremo, segundo o Instituto Robert Koch. Já a Associação Alemã de Salva-Vidas alerta a população para que “não subestime os perigos da água” e “aja com prudência”.